Em Portugal a 21 de outubro

Kia Stinger. Ao volante do modelo mais ambicioso de sempre da Kia.

Finalmente conduzimos o novo Kia Stinger, uma berlina de tração traseira que promete mudar a forma como vemos a marca coreana.

Em Quinta de Vale Abraão, Samodães, Lamego

Maldito nevoeiro. Chegou finalmente o dia em que iria colocar as mãos no novíssimo Kia Stinger e por pouco não ia acontecendo. E tudo por culpa de um teimoso manto de nevoeiro que impediu fazer a ligação aérea entre Lisboa e Porto, onde a nova máquina estava à nossa espera. Levantaríamos voo apenas cinco longas horas depois, colocando enorme pressão sobre todo o programa de apresentação do Stinger.

A apresentação decorreria não muito longe do Peso da Régua, nas margens do Douro, que além de oferecer uma paisagem divinal, é contemplada com estradas claramente indicadas a um tipo de condução mais empenhada. Mas talvez mais apropriadas a um pequeno e leve desportivo do que uma berlina com mais de 1700 kg, 4,8 metros de comprimento e quase 1,9 metros de largura. Felizmente estava enganado.

O Stinger é o primeiro Kia de tração traseira na Europa e traz com ele elevadas ambições. Basta ver os rivais mencionados, onde se incluem o Audi A5 Sportback, o Volkswagen Arteon e, sobretudo, o BMW Série 4 Gran Coupé, que serviu de principal referência para o seu desenvolvimento.

Um Kia rival da Audi e BMW?

É, do nosso ponto de vista, um passo demasiado ambicioso. Apesar de ter muitos argumentos a favor, neste espaço é necessário mais. Nós sabemos isso e a Kia também o sabe. Mas para um primeiro assalto a uma concorrência germânica estabelecida, o Kia Stinger não desilude de todo. Só que os alemães já fazem isto há demasiado tempo e nota-se – seja pelos materiais escolhidos ou até pelo sistema de infoentrenimento.

Onde não tem nada a temer é no design. O Stinger pertence aquela categoria de berlinas que querem ser coupés e apesar de alguns pormenores mais discutíveis, no geral Schreyer e a sua equipa, liderada na Europa por Gregory Guillaume estão de parabéns. 

De dimensões avantajadas, o Kia Stinger está munido de excelentes proporções, pose e o impacto visual inicial impressiona. Inspirado pelos GT coupé da década de 70, o Stinger apresenta um perfil “fastback” com proporções típicas de um tração traseira com motor frontal longitudinal – capot longo, eixo dianteiro em posição avançada e um vão traseiro generoso.

Vê-lo em movimento na estrada permite averiguar a inexistência de ângulos dúbios – o Stinger tem um desenho que exprime robustez, performance e confiança. Não admira que sirva de inspiração para futuros Kia – basta olhar para o Proceed apresentado em Frankfurt, antecipando o sucessor do cee’d.

Interior convence, mas…

Mas se o desenho exterior convence, o interior não o consegue tão facilmente. Algumas das soluções encontradas para o seu desenho já são conhecidas de outros modelos de outra marca – as três saídas centrais de ventilação -, e até a integração destas num volumoso “bloco” deixa algo a desejar, carecendo de alguma elegância.

Apesar disso, o espaço é agradável e respira-se robustez – deve ser o Kia mais bem construído de sempre. E as suas dimensões, sobretudo os 2,9 m de distância entre eixos, garantem-lhe espaço mais que suficiente tanto à frente como atrás, mas a bagageira é pequena.

São pouco mais de 400 litros, o que é pouco para um carro tão grande e inferior aos seus rivais – o Arteon de dimensões semelhantes tem 563 litros e o Série 4 Gran Coupé, apesar de mais pequeno, tem 480.

Por outro lado, uma característica claramente não premium é a oferta de equipamento. Ao contrário de alguns dos seus rivais, o Kia Stinger vem carregadíssimo – os opcionais resumem-se a um teto panorâmico e à escolha da cor metalizada.

O que faz com que o preço do Stinger – aparentemente elevado -, seja na realidade bastante concorrencial. Acrescentem todo o equipamento que o Stinger traz a qualquer um dos seus rivais e facilmente o suplantarão em preço por larga margem.

Um Kia para condutores… empenhados

Se o Stinger consegue convencer e surpreender num ponto é a sua dinâmica. Como é que a Kia conseguiu “sacar” algo tão fundamentalmente correcto nesta sua primeira tentativa num modelo de tração traseira e com rivais tão estabelecidos como os alemães? Albert Biermann é a resposta – um nome cada vez mais comum nas páginas da Razão Automóvel. O ex-engenheiro da divisão M da BMW está a efetuar milagres na Hyundai e Kia.

Para um carro tão vasto – maior que os concorrentes mencionados -, o Kia Stinger parece mais pequeno e leve quando confrontado com as tortuosas estradas à beira do Douro. Tudo o que envolve a condução está no ponto – resposta e tacto dos comandos, eficácia do chassis e até a experiência de condução que se revelou cativante. É como se a marca coreana fizesse este tipo de máquinas há décadas.

Os resultados estão à vista, ou melhor, ao tacto. Facilmente encontramos uma boa posição de condução, o volante tem boa pega e todos os comandos respondem com o peso e precisão correctos. A suspensão é firme no acerto, mas eficaz na absorção de irregularidades, precisa na manutenção das trajectórias e longe de tornar o carro desconfortável.

A caixa automática de oito velocidades – de série em todos os Stinger – parece (quase) sempre saber em que relação deve estar, é de resposta rápida (no modo Sport e Sport +). Cumpre eficazmente o seu papel, mas pedia-se um modo manual real que não passe a automático quando atingimos um certo patamar de rotações e patilhas de maior dimensão, que não virassem com o volante.

Permite andamentos surpreendentemente vivos em estradas enroladas, mesmo com um pilar A por vezes demasiado obstrutivo. O carro tem níveis de aderência elevados, mas denota também uma agilidade inata. É um modelo que dá gozo explorar e esperamos por um contacto mais prolongado brevemente para confirmar todas as boas impressões iniciais.

Para os fãs da “autobahn”, ou autoestrada, também está como peixe na água. Excelentes níveis de estabilidade, mesmo a velocidades elevadas, inspirando enorme confiança. O Kia Stinger parece ter as respostas certas para todos os cenários.

Três motorizações

A unidade por nós testada foi a 2.2 CRDi – a que venderá mais – e apesar de ser da opinião que não é a escolha ideal para este carro, não compromete. Os 200 cv e 440 Nm permitem boas performances – 7,6 segundos dos 0 aos 100 e 230 km/h de velocidade máxima -, e caracteriza-se por uma resposta pronta, com os médios regimes a serem aqueles onde se sente mais à vontade. O som produzido por este bloco é que dificilmente convence – é nestas alturas que tecnologias como som artificial poderiam fazer sentido.

O Kia Stinger estará disponível com mais duas motorizações a gasolina. A primeira, disponível sob encomenda, trata-se de um quatro cilindros em linha, 2.0 litros, turbo e 255 cv. A segunda, a mais interessante, é um V6 turbo com 3.3 litros, capaz de debitar 370 cv e 510 Nm, tornando o Stinger no Kia mais rápido de sempre, capaz de 4,9 segundos dos 0 aos 100 km/h e 270 km/h de velocidade máxima.

Em Portugal

O início oficial de comercialização do Kia Stinger no nosso país inicia-se a 21 de outubro, mas pouco interessa. A expectativa gerada pelo modelo é de tal forma elevada que já se venderam cinco unidades, apesar de os seus clientes só os terem visto através de imagens. Quando foi a última vez que um Kia gerou este tipo de expectativas ao ponto de ser comprado só pelo seu aspecto? Precisamente.

O Stinger chega ao mercado nacional com uma campanha de lançamento que permite poupar cerca de 5500€ no preço do 2.2 CRDI e no 2.0 T-GDI. No 3.3 T-GDI AWD esse valor ascende a 8000€. Os preços serão os seguintes (já incluí despesas de documentação e transporte):

  • Kia Stinger 2.2 CRDI – 57 650,40 €
  • Kia Stinger 2.0 T-GDI – 55 650,40 €
  • Kia Stinger 3.3 T-GDI AWD – 80 150,40 €

Tal como os restantes Kia, o Stinger apresenta-se com sete anos de garantia e de forma inédita no mercado um plano de manutenção que se estende também por sete anos ou 105 mil km.

Kia Stinger

 


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