Estrada do futuro

Magia negra: estradas que se autorreparam

Estradas com buracos são uma das pragas no dia-a-dia como condutores. Investigadores dizem terem encontrado uma solução "mágica" que previne a sua formação.

É um cenário demasiado comum. Estradas degradadas, cheias de buracos, levando as ligações ao solo ao limite e desgastando-as prematuramente. Ou até levando ao seu fim, seja por furos e rebentamento de pneus, ou um amortecedor danificado.

Os custos são elevados, tanto para condutores, a braços com contas de reparação elevadas, como para municípios e outras entidades, que têm de manter ou até reconstruir essas mesmas estradas.

Agora, investigadores na Suiça chegaram a uma solução que mais parece magia… negra, tal e qual o tom do asfalto. Eles conseguiram criar estradas capazes de se autorrepararem, evitando a formação dos malfadados buracos. Só que não é magia, mas sim ciência da boa, recorrendo à nano-tecnologia, para resolver um problema que existe desde que a estrada asfaltada foi criada.

Como é possível uma estrada reparar-se pelos seus próprios meios?

Primeiro temos de perceber como os buracos se formam. O asfalto de que é feito a estrada sofre níveis de stress térmico e mecânico elevados, sem contar com a exposição constante aos elementos. Esses factores levam o material ao limite, gerando micro fissuras, que se vão expandindo ao longo do tempo até que deixam de ser fissuras e acabam por se tornar buracos.

Ou seja, se prevenirmos a formação de fissuras, preveniremos a formação de buracos. Como? O segredo está no betume – a matéria aglutinadora viscosa negra, derivada do crude, que mantém todos os materiais usados no asfalto unidos.

Ao betume já conhecido foi adicionado uma quantidade precisa de nano-partículas de óxidos de ferro que garantem as propriedades reparadoras. Estas quando expostas a um campo magnético aquecem. E aquecem ao ponto de conseguir derreter o betume preenchendo, assim, qualquer fissura.

A ideia é ter nano-partículas fundidas com o aglutinador [...] e aquecê-lo até que flua lentamente e feche as fissuras.
Etienne Jeoffroy, Laboratório de Materiais Complexos do ETH Zurique e Empa

Esta solução não impede a formação das fissuras em si. Ou seja, obrigaria a estrada fosse exposta, de vez em quando, a um campo magnético para que as propriedades regeneradoras do material tivessem efeito. Segundo os investigadores, bastaria uma vez por ano para garantir a eficácia da solução. E melhor, a longevidade da estrada poderia ser assim estendida no tempo, até duas vezes mais do que acontece agora.

Maior longevidade, menores custos a longo prazo. Também não seriam necessárias novas competências ou equipamentos para construir estradas, já que as nano-partículas são adicionadas durante o processo de preparação do betume.

Para expor a estrada a um campo magnético, os investigadores sugerem equipar veículos com bobinas de grandes dimensões, ou seja, os geradores do campo eletromagnético. Quando chegasse a altura de reparar uma estrada, esta seria encerrada por umas horas, permitindo a circulação destes geradores rolantes.

Para a total eficácia da solução, a estrada deveria ser construída com este material de raiz. Não impede, no entanto, que possa ser aplicado nas estradas já existentes como refere Jeoffroy: “Podemos ter algumas nano-partículas na mistura e aplicar localmente um campo magnético conseguindo a temperatura necessária para unir o novo material com o da estrada existente”.

O objectivo da equipa agora reside em arranjar parceiros comerciais que possam escalar o sistema e encontrar o método mais efetivo a nível de custos para a sua aplicação real.

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