Glórias do Passado

Ferrari 500 Superfast. Foi aqui que tudo começou

O mundo franziu o sobrolho ao nome Superfast, adoptado pelo mais recente bólide da casa de Maranello, o 812 Superfast. Mas não foi o primeiro, querem conhecer o autêntico Superfast?

A Ferrari parece não conseguir acertar com os nomes dos seus modelos mais recentes – têm sido todos alvo de críticas. O Ferrari LaFerrari – ou em bom português “Ferrari O Ferrari” – é talvez o caso mais paradigmático.

Mas o nome do novo Ferrari 812 Superfast também não é muito feliz. Superfast, ou super rápido, parece o nome que um miúdo de seis anos de idade dá aos seus brinquedos.

Mas o nome não é novo…

A questão à volta do nome Superfast não é de agora, isto porque a designação Superfast já identificou modelos de produção e protótipos da Pininfarina com o símbolo da… Ferrari. Temos de recuar cerca de 53 anos, até 1964, para encontramos o Ferrari 500 Superfast, o primeiro Superfast de produção.

O Ferrari para quem o preço não interessava

O 500 Superfast foi o culminar de uma série de modelos, conhecidos como série América, destinados, sobretudo, ao crescente mercado norte-americano entre 1950 e 1967. Eram os modelos absolutos da Ferrari, o topo dos topos.

Construídos em pequenos volumes, de forma artesanal, os Superfast eram GT’s de dimensões generosas, sempre com motores V12 em posição dianteira longitudinal. Desta série fizeram parte o 340, o 342 e o 375 America, o 410 e 400 Superamerica e culminando com o 500 Superfast, que viu o seu nome mudado de Superamerica para Superfast no último momento.

Simultaneamente com o 500 Superfast, e derivando da sua base, existiu um descapotável, chamado de 365 California.

Posicionado relativamente aos outros Ferrari como atualmente o LaFerrari está para os restantes modelos da marca, o 500 Superfast era substancialmente mais caro que estes. Mesmo quando comparado com modelos de luxo contemporâneos, como o Rolls-Royce Phantom V Limousine, o modelo italiano era bastante mais caro.

Talvez ajude a justificar o pequeno número de unidades produzidas durante os dois anos que esteve em produção – apenas 36 unidades. Era um automóvel destinado, segundo a sua brochura, a soberanos, artistas e grandes industriais. Não é de espantar estar entre os seus clientes o Xá do Irão ou o ator britânico Peter Sellers.

Peter Sellers e o seu Ferrari 500 Superfast
Peter Sellers e o seu Ferrari 500 Superfast

O Superfast fazia juz ao nome?

Tal como o 812 Superfast é o mais rápido modelo de produção em série da marca do cavallino rampante, também o 500 Superfast foi o modelo mais rápido do portefólio da marca na altura.

Na frente encontrávamos um motor V12 Colombo a 60º com quase 5.000 cc de capacidade. , da autoria do incontornável Gioacchino Colombo. Apesar de ser um Colombo, este motor teve a intervenção de Aurelio Lampredi, recorrendo a cilindros de diâmetro superior – 88 mm – já usados em outros motores de sua autoria.

O resultado foi um motor único, totalizando 400 cavalos de potência às 6500 rpm e 412 Nm de binário às 4000 rpm. A velocidade máxima anunciada era de cerca de 280 km/h, sendo possível manter velocidades de cruzeiro entre 175 km/h e os 190 km/h, numa altura que as autoestradas eram em muito menor número do que hoje em dia.

Se nos dias que correm até um «hot hatch» como o Audi RS3 já apresentam 400 cv, na altura, o 500 Superfast estava entre os carros mais potentes e rápidos do planeta. O diferencial de andamento do Superfast para outras máquinas era abismal. Não nos esqueçamos que até um Porsche 911, recém-nascido em 1964, trazia “só” 130 cavalos.

A produção do 500 Superfast, embora curta, dividiu-se em duas séries, onde os primeiros 24 traziam uma caixa de velocidades manual com quatro velocidades, e os últimos 12 receberam uma caixa com cinco velocidades.

Super rápido, mas acima de tudo um GT

O nível de performances era elevado, mas o 500 Superfast era acima de tudo um GT. Interessava mais o seu desempenho em estrada e em longas distâncias do que os resultados em circuito. Era o companheiro ideal para viagens longas e aventuras motorizadas (sozinho ou acompanhado) cheias de glamour. Outros tempos…

Considerando que na altura as estradas era muito menos congestionadas, o Superfast era uma forma eficaz, apesar de elitista, de poupar tempo neste tipo de deslocações. Nasceu também numa das décadas de ouro do design automóvel e, fazendo juz ao seu estatuto GT, a elegância ganha primazia sobre a agressividade visual.

Naturalmente, a elegante carroçaria apresenta a assinatura da Pininfarina.

Como tal, o grande coupé – 4,82 m de comprimento, 1,73 m de largura, 1,28 m de altura e 2,65 m de distância entre eixos – era sinónimo de linhas fluídas, curvas suaves e pormenores elegantes – como os delgados para-choques. A rematar, um elegante conjunto de jantes de raios da Borranis.

O interior não ficava atrás, com o teto com revestimento acolchoado, volante Nardi específico, e podia ter em opção assentos traseiros. Também como opção podia vir equipado com vidros elétricos, ar condicionado e direção assistida. Equipamentos comuns hoje em dia, mas nada comuns em 1964.

O seu caráter especial e exclusivo estendia-se à forma como era produzido. Tecnicamente baseado no “comum” 330, os 500 Superfast eram construídos à mão, individualizados para cada cliente. A atenção mais cuidada permitiam acabamentos superiores e até uma melhor proteção contra a corrosão relativamente aos Ferrari de série.

Se a performance e o nome é o que une os Superfast, a forma como se apresentam não poderia ser mais distinta. À elegância e características estradista do 500 Superfast, o 812 Superfast responde com agressividade visual e com uma condução desafiante. Sinais dos tempos…

Sabes responder a esta?
Que animal têm em comum os símbolos da Ferrari e da Porsche?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Porque é que a Ferrari e a Porsche têm um cavalo rampante no logótipo?

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