A fundo, ao volante do novo Seat Ibiza Cupra 1.8 TSI

Fui até Barcelona testar o novo Seat Ibiza Cupra. Ainda com a memória fresca do último contacto com o modelo que agora cessa funções, quis saber quão verdadeiramente “novo” é este Ibiza.

Vamos começar pelo óbvio. Por fora está tudo na mesma, mas em estrada nota-se que a história é outra. Nesta nova geração do Seat Ibiza Cupra – com à excepção do design – mudou praticamente tudo. O motor, a suspensão, o interior, a postura em estrada. Tudo..! Ainda que às vezes as marcas gostem de catalogar de «novo» aquilo que não é novo.

“Com tanto poder de fogo, cheguei à primeira curva (uma esquerda rápida secundada por uma direita média) a mais de 140km/h”

E para atestar aquilo que a nossa visão teima em dizer que é mentira, nada melhor do que um troço de montanha, localizado nos arredores de Barcelona – fechado ao trânsito pela polícia espanhola a pedido da Seat – para colocar o novo Seat Ibiza Cupra à prova. Liguei o modo Carlos Sainz (que é como quem diz, sempre a fundo!) e ataquei as curvas tão depressa quanto a coragem e o meu talento (algum…) permitiram.

Selecionei o modo “Sport” no novo Cupra Drive Profile e arranquei literalmente com tudo – este sistema deixa a resposta do acelerador mais rápida, a suspensão mais dura e a nota de escape mais audível. Primeira, segunda, terceira (a Seat desistiu da caixa DSG no novo Ibiza Cupra) e de imediato ficou patente uma das grandes diferenças para o Cupra que agora cessa funções: o novo motor 1.8 TSI (192cv e 320Nm) mete o antigo motor 1.4 TSI (180cv e 250Nm) num chinelo.

“Com metade da curva já feita, era altura de voltar a esmagar o acelerador e pumba! outra novidade: o diferencial autoblocante eletrónico XDS”

O novo motor 1.8 TSI não é o mais potente do mercado – alguma concorrência direta faz melhor – mas o binário é impressionante. Colocando em perspectiva, o novo Ibiza Cupra tem mais binário do que a maioria das carrinhas Diesel do mercado. Chega? Sobra…

Ibiza Cupra 1.8 TSI (6)

Com tanto poder de fogo, cheguei à primeira curva (uma esquerda rápida secundada por uma direita média) a mais de 140km/h – o sprint dos 0-100km/h cumpre-se em apenas 6,7 segundos. Travões a fundo (bons), uma mudança abaixo e… tudo nos eixos. O carácter “solto” do Cupra antigo tirou férias e deu lugar a uma postura mais madura e consistente. Notável senhores da Seat… notável!

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Com metade da curva já feita, era altura de voltar a esmagar o acelerador e pumba! outra novidade: o diferencial autoblocante eletrónico XDS. Um sistema que faz toda a diferença na hora de arrancar o Ibiza Cupra do interior da curva sem subviragem nem perdas de motricidade.

O resto foi história e borracha queimada. O troço com 7km de extensão acabou em menos de nada. Parei, saí, olhei para o Cupra  e apesar continuar a ver o mesmo carro, efectivamente senti que era um carro diferente. Está mais maduro e infinitamente mais composto que o seu antecessor. Nota menos positiva para a direção, que continua a não ser um primor de informação mas que também não compromete.

Ibiza Cupra 1.8 TSI (8)

Desliguei o modo Sport e regressei a Barcelona. Viagem onde pude apreciar o conforto proporcionado pela nova suspensão. Neste campo, o novo Seat Ibiza Cupra é capaz de ganhar à maioria da concorrência. No interior as novidades são de relevo e acompanham a restante gama: materiais de melhor qualidade, um novo volante, saídas de ventilação inspiradas no Leon e sistema de infotainment compatível com MirrorLink, Apple CarPlay e Android Auto.

Vamos a conclusões? Por 22.931 euros, o Ibiza Cupra é um dos pocket-rocket com melhor relação preço/perfomance do mercado by far – a título de exemplo, o Volkswagen Polo GTI cobra mais 5.000 euros pelo mesmo package tecnológico, sem tirar nem pôr, ganhando somente em itens como a imagem de marca e a qualidade de construção. Dito isto, fico a aguardar a chegada do Ibiza Cupra a Portugal em janeiro, para marcar um novo encontro com ele no Kartódromo de Palmela. Temos contas a ajustar…

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