Small Block

Chevrolet Small Block V8. A democratizar o puro músculo desde 1955

O Small Block V8 da Chevy canta desde 1955 e vai continuar a cantar. O mais recente ZZ6 é o último grito rouco e borbulhante desta longa linhagem.

Todos nós acabamos por gostar de algum tipo de música, mas para os petrolheads pode ser uma escolha complicada, quando essa mesma música é produzida por motores de arquiteturas diferentes.

Uma coisa é certa: o Small Block V8 da Chevy canta há 60 anos e ainda vai continuar a cantar, com o mais recente ZZ6 a ser o último grito rouco e borbulhante de uma longa linhagem.

Mas antes de lá irmos às origens, temos de vos deixar algumas considerações, para que possam perceber exatamente a diferença entre os V8 “Big Block” e o V8 “Small Block”, ou “Bloco Grande” e “Bloco Pequeno”.

Chevrolet Small Block, história

Como é nasceu o Small Block e quais as diferenças?

Antes do aparecimento do primeiro Small Block V8, em 1955, a oferta V8 da maioria dos construtores americanos fazia-se pelos Big Block. Não nos queremos alargar muito, mas as grandes diferenças são aquelas mais notórias: os blocos grandes são fisicamente maiores que os blocos pequenos tanto em altura como em largura, o que não quer dizer que tenham mais cilindrada, aliás é possível ter a mesma cilindrada com os dois blocos.

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Os blocos grandes possuem bielas maiores em comprimento, favorecendo o curso dos pistões, produzindo por isso mais binário, mas sendo menos capazes de altas rotações, sendo a espessura de metal entre as paredes dos cilindros também superior. Por outro lado, as cabeças entres estes blocos possuem arquiteturas diferentes, tanto nos ângulos das válvulas como nos diferentes canais de arrefecimento e lubrificação. Tal como nos próprios blocos, no caso dos canais de lubrificação, para além do tamanho, os blocos em si possuem também ângulos diferentes tanto na abertura em V, como nos ângulos e espaçamento dos impulsores sólidos/hidráulicos que movimentam as hastes das válvulas situadas à cabeça.

Big Block vs Small Block
Diferença entre Big Block e Small Block

Os engenheiros da Chevy, sabiam que os Big Blocks tinham o seu lugar reservado para veículos de maior porte e por isso havia a necessidade de criar algo mais leve, com a mesma resistência, mas que fosse capaz de produzir mais potência a rotações muito superiores, nascendo assim o Small Block.

É então em 1955 que nasce o primeiro Small Block da Chevy, o 265 (referente à sua capacidade em polegadas cúbicas), um pequeno V8 de 4,3 l com potência dos 162 cv aos 180 cv, com arquitetura pushrod e OHV (overhead valve). Era o ideal para substituir cilindradas equivalentes mas em blocos de seis cilindros em linha, que tinham muito pouco de veia desportiva e que estavam mais voltados para a economia de combustível.

Seguiu-se o bloco 283 de 4,6 l, este V8 seria responsável por dinamizar a veia desportiva da Chevy, e o primeiro a montar de fábrica um sistema de injeção mecânica da Rochester — este sistema revolucionário conseguia 1 cv por polegada cúbica.

O lendário 327 era uma evolução do já famoso Small Block 265. Este V8 de 5,3 l faria história na sua variante L-84, que viria a equipar o Corvette C2 Stingray. Mais uma vez a evolução da injeção mecânica por parte da Rochester, levaria a que o bloco L-84 debitasse 1,146 cv por polegada cúbica, recorde só batido em 2001 com a 3ª geração do LS6.

corvette small block v8

Passamos ao também mítico Small Block 302, este V8 de 5,0 l, marcaria uma geração, pois as raízes da sua conceção vêm diretamente das restrições da competição Trans Am, pela SCCA (Sports Car Club of America), onde não eram permitidos blocos com mais de 305 polegadas cúbicas. Na época dourada desta competição, a rivalidade entre o Camaro Z/28 e o Mustang Boss 302, disputava-se curva a curva e nas retas, os 290 cv que muitos afirmavam na verdade serem bem perto de 350, faziam as delícias dos pilotos a bordo do Camaro Z/28 de 1969.

A crise petrolífera e o avanço tecnológico como solução

Nos anos 70 a crise petrolífera e a era Smog (poluição atmosférica gerada pelas emissões dos automóveis, caracterizada por uma neblina composta por gases poluentes), poderiam ter morto o Small Block da Chevy, mas não foi o caso. Os engenheiros da Chevrolet tiveram a tarefa hercúlea de conseguir com que o bloco 350 de 5,7 l, o LT1, fosse capaz de cumprir as normas ambientais e ao mesmo tempo ter um apetite mais comedido. Ainda assim os seus 360 cv brilhavam. No entanto, com a morte dos Muscle Cars, o puro músculo americano conheceria uma década negra de potências, materializada no L-82. Este Small Block 350 já só debitava 200 cv, fazendo o Corvette um carro de prestações modestas.

Os tempos mudaram e a engenharia evoluiu, é então que entra em cena o Small Block 350 L-98. a injeção eletrónica permitiria recuperar alguma performance que o Corvette e o Camaro tinham perdido durante a era Smog. A potência não era brilhante, apenas se tinham ganho entre 15 a 50 cv, mas era mais do que suficiente para o Corvette ultrapassar timidamente os 240 km/h em 1985.

Paralelamente aos Small Block de fábrica, a divisão da GM Performance sempre ofereceu soluções para os vários projetos que um GM Fan precisasse. O ZZ4, sendo o 4º de uma geração de Small Block 350 de alta performance, seria o state of art em 1996 no que respeita a esta cilindrada mítica de 5,7 l para a Chevrolet.

2013 chevrolet performance zz4 350

Próximo capítulo: os LS

A linhagem de Small Blocks da Chevrolet, da geração LS, começa em 1997. Provavelmente já ouviste falar deles quer seja pela performance de que são capazes, preço acessível ou a facilidade com que se conseguem fazer swaps dadas as suas dimensões extremamente compactas. Desde o simbólico LS1/LS6 de 5,7 l até ao gigante LS7 de 7,0 l, os blocos LS, marcaram para sempre uma geração que ansiava por potência, fiabilidade e consumos moderados, por um custo menor em relação à concorrência.

2013 chevrolet performance ls7

Para os fanáticos da potência old school a GM Performance ainda disponibiliza, na cilindrada mítica de 7,4 l, o bloco LSX-R 454. Em 1970 o mítico 454 LS6 era um V8 Big Block que equipava o Chevelle SS, com uma potência de 450 cv. Hoje é possível extrair de forma N/A (naturalmente aspirado) do LSX-R mais de 600 cv.

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ZZ6, o mais recente

Finalizamos o tour pelos Small Block da Chevrolet com o mais recente motor vindo da GM Performance, o novo ZZ6. Como é óbvio, segue-se a tradição com este 5,7 l V8 Small Block, sendo que para comemorar estes 60 anos, este ZZ6 para além de ser o 5,7 l mais potente de sempre — 405 cv e 549 Nm extraídos de um carburador de quadruplo corpo à moda antiga — esta potência 100% analógica conta com as cabeças dos LS V8 especialmente trabalhadas. O objetivo foi o de aumentar a velocidade do fluxo de ar, com uma árvore de cames mais agressiva mas respeitando o comando de válvulas do tipo pushrod, um conjunto de válvulas re-trabalhadas, cambota forjada e pistões em alumínio com alto conteúdo de silício.

2015 chevrolet performance zz6 tk

Embora a geração LS vá dar lugar à LT, é por engenharia como esta que desejamos mais 60 anos de Small Blocks V8 com que a Chevrolet nos conquistou. “Old School” ou contemporâneos, LONGA VIDA AO V8.

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