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Salão de Tóquio 2013

Yamaha Motiv: o primeiro automóvel da Yamaha

Conhecemos a Yamaha pelas suas máquinas de duas rodas ou instrumentos musicais, mas agora atreve-se no mundo das quatro rodas e volante com o Yamaha Motiv.

Bem, verdade seja dita, a Yamaha não é estranha ao mundo automóvel. Já forneceu motores para a Fórmula 1, motivo que justificou o quase nascimento do seu primeiro automóvel, o fantástico super desportivo OX99-11, e desenvolveu motores para outras marcas como a Ford ou a Volvo. Mas a Yamaha como marca ou construtor de automóveis é realidade ainda por acontecer.

No salão de Tóquio foi apresentado um concept que poderá transformar-se em realidade produtiva já em 2016. O Yamaha Motiv, como qualquer concept que se preze, apresentou-se como Motiv.e, que é como quem diz, “o futuro é elétrico”. Trata-se de um carro citadino, de fisionomia semelhante ao Smart Fortwo. Não é o primeiro e nem será o último concetualmente idêntico ao pequeno Smart, pelo que temos de perguntar, qual a relevância do Yamaha Motiv, e porque está a ser gerado um entusiasmante alarido?

yamaha motiv.e

Gordon Murray está por detrás Motiv.e

Deve-se não só a ser o mais que provável primeiro automóvel da marca, mas sobretudo ao homem que está por detrás da sua concepção, um tal de Gordon Murray.

Podem não conhecer Gordon Murray, mas certamente devem conhecer a máquina. O McLaren F1 é o seu “filho” mais famoso. Quando se concebe algo que ainda hoje é reverenciado e considerado por muitos como “O Super Desportivo”, normalmente presta-se atenção a todos os passos dados.

Gordon Murray, formado em engenharia mecânica, ganhou nome na Fórmula 1, tendo feito parte da Brabham e McLaren, com a qual ganhou os campeonatos de 1988, 1989 e 1990. Deu-nos o já referenciado F1, como o anorético Rocket, que também ia ao encontro dos seus ideais de simplificação e leveza. Foi parte activa no desenvolvimento do Mercedes SLR, que acabou por ser, segundo as “más línguas”, o projecto que o fez virar costas à McLaren.

Acabaria por formar a sua própria empresa em 2007, a Gordon Murray Design, com serviços de consultoria de engenharia e design automóvel. Permitiu desenvolver diversas ideias suas, onde sobressaiu uma: o reinventar da forma como se constroem automóveis, com um processo denominado iStream.

yamaha motiv.e

iStream, o que é isso?

O objetivo deste processo é o de simplificar e reduzir os custos associados à produção de automóveis. Como o faz?

Através da eliminação da estampagem de metal e soldadura por pontos que geram as comuns monocoques. Recorre, em alternativa, a uma estrutura do tipo tubular, complementada por paineis em material compósito (com tecnologia derivada da F1) para paredes, tecto e chão. Esta solução permite conjugar leveza, rigidez e os níveis de segurança necessários. E em vez de soldar, cola-se tudo, poupando peso e tempo de produção.

Para quem tem dúvidas sobre o poder da cola, não é uma novidade na indústria. O Lotus Elise, por exemplo, estreou esse processo nos anos 90, e até agora, não tem havido notícias de Elise que caem aos bocados. Os painéis exteriores não possuem qualquer função estrutural, sendo em material plástico e pré-pintados, permitindo mudança rápida por motivo de reparações ou facilmente alterados para outras variantes de carroçaria.

Yamaha-MOTIV-frame-1

Os resultados são positivamente diversos. Com este processo, a hipotética fábrica poderia ocupar apenas 1/5 do espaço ocupado por uma fábrica convencional. Eliminando as prensas e unidade de pintura, permite poupar espaço e custos. A flexibilidade produtiva é também superior, dado a separação da estrutura e carroçaria, permitindo maior facilidade e menores custos na produção de carroçarias distintas na mesma linha de produção.

Se a Yamaha queria entrar no mundo automóvel, escolheu definitivamente o parceiro ideal. O Motiv.e é a primeira aplicação pronta a entrar em produção do sistema iStream de Gordon Murray. Já conhecíamos um par de protótipos pela Gordon Murray Design, que serviram para demonstração funcional do processo, com as nomenclaturas de T-25 (imagem abaixo) e o elétrico T-27.

O Yamaha Motiv começou como projecto T-26. O desenvolvimento iniciou-se ainda em 2008, mas com uma crise global a instalar-se, o projecto foi congelado, tendo sido retomado apenas em 2011, com a saúde da economia global a dar sinais de recuperação.

gordon murray desing t 25

O T-25 e o T-27, verdadeiros protótipos ausentes de styling, e muito criticados por isso, apresentavam uma série de características peculiares no seu design. De dimensões inferiores ao Yamaha Motiv, apresentavam lugar para três pessoas, com o condutor em posição central, tal como no McLaren F1. As portas para aceder ao seu interior notavam-se pela sua ausência. Em vez de portas, parte do habitáculo elevava-se com um movimento basculante.

O Motiv.e

O Yamaha Motiv não herdou essas soluções intrigantes dos protótipos T, infelizmente. Apresenta soluções convencionais como: portas para aceder ao interior, e tem dois lugares, lado a lado como ditam as normas. Compreende-se estas opções, já que permitirá maior facilidade na aceitação pelo mercado de um novo carro de uma nova marca.

yamaha motiv.e

Revelado no Salão de Tóquio como Motiv.e, com o dito motor elétrico, partilha a motorização com o T-27. O motor, oriundo da Zytec, debita um máximo de 34 cv. Parece pouco, mas mesmo nesta variante elétrica o peso é comedido, apenas 730 kg incluindo baterias. Para comparação, são 100 kg a menos do que o actual Smart ForTwo. Como a maioria dos elétricos, tem apenas uma velocidade, permitindo que à roda, o binário possa atingir um máximo de 896 Nm(!).

A velocidade máxima está limitada a 105 km/h, com a aceleração dos 0-100 km/h a ser inferior a 15 segundos. A autonomia anunciada é de cerca de 160 km reais e não homologados. Os tempos de recarga fica-se pelas três horas numa tomada doméstica ou uma hora com sistema de carregamento rápido.

Mais interessante é a já prevista variante com pequeno motor de 1.0 litro a gasolina da Yamaha, a debitar entre 70 e 80 cv. Conjugado com o baixo peso, poderemos estar na presença de um espevitado citadino, com aceleração dos 0-100 km/h em 10 segundos ou até menos, bem abaixo de qualquer concorrência urbana.

Seja elétrico ou gasolina, tal como no Smart, o motor e tracção encontram-se na traseira. A suspensão é independente nos dois eixos, o peso é baixo e as rodas modestas (jantes de 15 polegadas com pneus 135 na frente e 145 na traseira) — a direcção não precisa de ser assistida. Citadinos com steering feel?

yamaha motiv.e

Apresenta o mesmo comprimento do Smart ForTwo, 2,69 m, mas é mais estreito nove centímetros (1,47 m) e mais baixo seis (1,48 m). A largura justifica-se para ficar ao abrigo das normas que regem os kei cars japoneses. A Yamaha espera exportar o Motiv, mas primeiro terá que vingar em casa.

No final deste ano, ou no inicio do próximo, a Yamaha deverá anunciar oficialmente a aprovação ou não do projecto. Como já tinha sido referido, caso avance, o Yamaha Motiv deverá começar a ser produzido apenas em 2016. Pelo estado de desenvolvimento do concept, deverá ser apenas uma questão de cerimónia. O trabalho de bastidores não pára.

Para demonstrar a validade da solução técnica, e focando a sua flexibilidade, podemos observar na imagem abaixo, um frame retirado de um video promocional, um número variado de possibilidades partindo da mesma base. Desde uma carroçaria alongada com cinco portas e quatro ou cinco lugares, passando por um compacto crossover, até baixinhos e desportivos coupés e roadsters. Flexibilidade é a palavra de ordem que se exige de qualquer plataforma actual, e o processo iStream eleva-a a novos patamares, com a vantagem de custos inferiores. Venha 2016!

yamaha motiv.e - variantes

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