Ao volante do Mazda MX-5 (NC): o incompreendido

Das quatro gerações do Mazda MX-5, a terceira (nas imagens) foi a menos aplaudida pela crítica. Não por ser má, mas por ser diferente.

Como já dei a entender pela minha introdução, o Mazda MX-5 da terceira geração (NC) é o menos amado da linhagem. Depois de duas gerações focadas no prazer de condução, pouco preocupadas com o uso quotidiano, a Mazda decidiu fazer um MX-5 mais civilizado. Os adeptos do MX-5 clássico não gostaram…

Com a chegada de mais equipamento, de dimensões superiores e de maiores preocupações com o conforto e com a segurança, chegou também mais peso. E como sabem, na equação de um desportivo mais peso significa menos dinâmica. Foi o que aconteceu. O MX-5 ficou menos radical.

NOTA: Este artigo faz parte do Especial Razão Automóvel: testámos as quatro gerações do Mazda MX-5

Frente aos seus antecessores, o Mazda MX-5 (NC) é a versão mais fácil de conduzir e ao mesmo tempo a menos entusiasmante. A condução é mais filtrada e as reações são menos vivas (mais controláveis). Ao contrário dos seus irmãos, o MX-5 (NC) no limite tende mais a subvirar do que a sobrevirar. Por outro lado, em estrada nacional, em ritmo de passeio ou numa tirada menos full attack, é o mais agradável de conduzir – sem contar com o ND. Desse falamos amanhã…

“o Mazda MX-5 (NC) é um roadster para gran turismo, para aqueles fins-de-semana de dolce far niente automobilístico”

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O MX-5 (NC) é também o mais prático. A capota rígida deixa-nos mais descansados quando o abandonamos num estacionamento, e é também uma importante mais valia em termos acústicos. O sistema de GPS, o cruise control e o ar condicionado automático são outros exemplos de goodies que só lhe ficam bem nas viagens mais longas.

Quanto ao motor, nesta versão 2.0 16V de 160 cv não falta potência (não posso dizer o mesmo da versão 1.8 que parece sofrer de “asma”). A melodia de escape do 2.0 16V é interessante e o escalonamento da caixa é correto. As últimas duas relações são longas (preocupações com o consumo) e as quatro primeiras relações casam bem com todos os tipos de curvas. Fechadas, abertas ou longas, o motor e a caixa mostram sempre disponibilidade para atacar o apex com decisão. No limite, é o eixo dianteiro que cede primeiro.

Dito isto, reforço que mais do que um roadster para conduzir com a “faca nos dentes”, o Mazda MX-5 (NC) é um roadster para gran turismo, para aqueles fins-de-semana de dolce far niente automobilístico. Onde o que apetece mesmo é tirar a capota, apreciar as paisagens e às vezes – mas só às vezes! – quando o apelo das curvas é maior, cerrar os dentes e explorar devidamente, cada litro de gasolina, cada metro de asfalto e cada centímetro cúbico do motor. Afinal de contas, estamos a falar de um MX-5 convém não esquecer…

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Em jeito de conclusão, se me permitem a analogia, acho que o Mazda MX-5 (NC) marca a chegada à idade adulta do roadster nipónico. E como sabem, com a idade adulta chegam também as responsabilidades, e nesse campo (sem contar com o ND), o NC apesar de menos amado que os seus irmãos é o mais completo da família. Porém, numa família onde a diversão é o valor máximo, o NC será sempre um incompreendido.

Amanhã é dia de regressar ao Kartódromo Internacional de Palmela para falar da recém-chegada geração ND. A não perder, aqui na Razão Automóvel.

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