Os automóveis estão cada vez mais caros? O Citroën Oli quer mudar isso

Estamos a guardar energia para o que mais importa.

Apresentações

Os automóveis estão cada vez mais caros? O Citroën Oli quer mudar isso

Esqueçam tudo o que sabem sobre automóveis. Com o concept Citroën Oli a marca francesa quer revolucionar o mercado.

Os automóveis estão cada vez mais complexos, mais pesados e mais caros e a Citroën quer mudar isso com o Oli, um protótipo com que a marca francesa diz “basta” e que serve de montra para apresentar ideias inovadoras de futuro.

O Oli desafia todo o conceito de automóvel, tal como já tinha acontecido com o “pequeno” Ami, e propõe um regresso ao essencial.  E sempre de forma simples, barata e durável.

Para já é apenas um protótipo, mas muitos destes conceitos vão chegar aos modelos de produção da Citroën no futuro, incluindo o novo logótipo, que recupera o desenho e a forma do primeiro logótipo da marca, de 1919.

A NÃO PERDER: Citroën muda de logótipo e recupera o original de 1919

 

Abordagem radical, responsável e minimalista

O Oli é um autêntico laboratório sobre rodas, que a Citroën descreve como “um manifesto ousado que dá ideias (…) exequíveis, focadas na redução de peso e da complexidade, para maximizar a eficiência, a versatilidade e a acessibilidade”.

Três conflitos sociais estão a acontecer simultaneamente: em primeiro lugar o valor e a dependência da mobilidade; em segundo, os constrangimentos económicos e a incerteza dos recursos; e, em terceiro, o nosso sentimento crescente de desejarmos um futuro responsável e otimista. Os consumidores pressentem que a era da abundância poderá ter acabado, e que o aumento das regulamentações, bem como a subida dos custos, podem limitar a sua capacidade de se deslocarem livremente.

Vincent Cobée, diretor executivo da Citroën
Citroen Oli Maison Vignaux @ Continental Productions

O Oli diz “basta” à tendência do excesso — de tecnologia, de potência, de autonomia… — e concentra-se no essencial. Isso faz com que recorra a menos componentes e que a complexidade de todo o projeto seja menor, o que se traduz num custo de aquisição mais baixo e num custo de utilização mais barato.

Sim, isso mesmo. É que ao recorrer a materiais reciclados e simples o Oli quer aumentar o seu período de vida útil e oferecer menos custos de manutenção, porque na teoria todos os seus componentes podem ser substituídos de forma muito simples e barata.

O custo total de posse será baixo, mas se houver necessidade de substituir uma porta, um farol ou um para-choques, as peças recicladas podem ser fornecidas pela Citroën, de uma forma responsável, oriundas de outras unidades Oli que já não estejam em operação.

Os pneus mais duráveis da história

Os para-choques, as cavas das rodas e as portas simétricas são um excelente exemplo disso, tal como os pneus, que foram desenvolvidos em parceria com a Goodyear e prometem durar até 150 000 quilómetros.

Citroen Oli

E este número é só o início, já que estes pneus contam com uma profundidade de piso de 11 mm que pode ser renovada até duas vezes, com a Goodyear a adiantar que estes pneus Eagle Go Concept podem alcançar uma vida útil total de até 500 000 quilómetros.

LEIAM TAMBÉM: Citroën ë-C4 X. Mais espaço e autonomia para o C4 elétrico fastback

As jantes, de 20”, também são um excelente exemplo de uma ideia inovadora e sustentável, já que são jantes híbridas que combinam alumínio e aço. Os designers da Citroën descrevem-nas como uma reinterpretação das “jantes de ferro” do passado.

Citroen Oli

Design ao serviço da funcionalidade

Todas estas preocupações também se fazem notar no interior, que está totalmente focado na praticabilidade, versatilidade e durabilidade.

Em vez de um painel repleto de ecrãs, o Oli apresenta um tabliê simples e simétrico, que se estende por toda a largura do veículo e que apenas é interrompido pela coluna do volante.

Para se ter uma ideia, o painel de bordo e a consola central do Oli resultam de um total de apenas 34 peças, contra as 75 peças que por norma são necessárias num hatchback atual “convencional”.

O smartphone assume um lugar de destaque, já que é ele que assume todas as funcionalidades relacionadas com o infotainment e com a comunicação, que são “espelhadas” num ecrã a toda a largura inferior do para-brisas.

A NÃO PERDER: Citroën My Ami Buggy esgotou em menos de 18 minutos

A mesma abordagem foi adotada para o sistema de som, já que cada extremidade do tabliê permite encaixar um altifalante Bluetooth cilíndrico portátil.

Os bancos mais simples (e inovadores) do mundo

Mas o maior destaque do interior do Oli são mesmo os bancos, que foram construídos em poliuretano termoplástico com recurso a impressão 3D e contam apenas com 8 componentes, contra os cerca de 50 componentes de um banco moderno dito convencional.

Citroen Oli

O facto de serem feitos com uma estrutura tubular e de contarem com uma malha flexível, que a marca francesa compara a um cogumelo, permite que estes bancos deixem passar luz através de si, o que contribui para a sensação de espaço a bordo deste protótipo.

SUV, utilitário ou pick-up?

E por falar em espaço, o Oli permite rebater os bancos traseiros de forma a criar um enorme espaço de carga na traseira, quase como se fosse uma pick-up tradicional.

Mas os “truques” do Oli não se esgotam aqui: de cada lado do veículo, logo abaixo dos bancos traseiros e acessíveis quando as portas traseiras estão abertas, encontram-se compartimentos de armazenamento discretos para receber, por exemplo, um kit de primeiros socorros.

LEIAM TAMBÉM: Citroën C5 X (2022). A alternativa perfeita aos SUV?

Já nas laterais, do lado de forma do veículo, encontramos ganchos que podem ser usados para prender os mais diversos tipos de objetos.

Um protótipo 100% funcional

Não deixem que a imagem futurista do Oli vos engane, este é um protótipo totalmente funcional, que assenta numa plataforma real, a E-CMP, que serve de base ao Citroën ë-C4.

A sua motorização totalmente elétrica é alimentada por uma bateria de 40 kWh que permite uma autonomia máxima de 400 quilómetros.

Citroen Oli

Com uma velocidade máxima limitada aos 110 km/h, para maximizar a eficiência, o Oli anuncia um consumo médio de apenas 10 kWh/100 km e pode ser carregado dos 20% aos 80% em apenas 23 minutos.

A somar a isso conta com tecnologia “Vehicle to Grid” (V2G) e “Vehicle to Load” (V2L), pelo que será capaz de injectar energia de volta na rede e fornecer energia a um pequeno dispositivo elétrico.

Sabe responder a esta?
Em que ano o Citroën "Boca de sapo" ganhou o Rally de Portugal?

Mais artigos em Notícias