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Indústria

Mais uma crise à vista? Reservas de magnésio perto de esgotar

Depois da pandemia do Covid-19 e da falta de semicondutores, a indústria automóvel tem pela frente outra crise: a falta de magnésio.

Os últimos anos têm sido desafiantes para a indústria automóvel. Além dos investimentos maciços para se reinventarem como construtores de automóveis elétricos (que são para continuar), aconteceu a disrupção causada pela pandemia, seguida pela crise dos semicondutores, que continua a afetar a produção automóvel global.

Mas outra crise surge no horizonte: a falta de magnésio. Segundo grupos industriais, incluído produtoras metalúrgicas e fornecedores automóveis, as reservas europeias de magnésio só chegam até ao final de novembro.

O magnésio é um material crucial para a indústria automóvel. O metal é um dos “ingredientes” usados para fazer ligas de alumínio, que são abundantemente usadas na indústria automóvel, servindo para quase tudo: desde painéis de carroçaria a blocos de motor, passando por elementos estruturais, componentes da suspensão ou depósitos de combustível.

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Motor V6 Aston Martin

Não havendo magnésio, pode ter o potencial para parar toda uma indústria, quando combinado com a falta de semicondutores.

Porque falta magnésio?

Numa palavra: China. O gigante asiático fornece 85% do magnésio que é necessário globalmente. Na Europa, a dependência do magnésio «chinês» é ainda maior, com o país asiático a fornecer 95% do magnésio necessário.

A disrupção no fornecimento de magnésio, que tem acontecido desde setembro, deve-se à crise energética com que a China tem-se debatido nos últimos meses, consequência de uma tempestade perfeita de eventos.

Desde as principais províncias chinesas produtoras de carvão terem sido afetadas por inundações (a principal matéria prima usada para energia elétrica no país), ao ressurgimento da procura de bens chineses pós-confinamentos, até às graves distorções do mercado (como o controlo de preços), têm sido fatores para a crise e a sua longa duração.

Volvo fábrica

Junte-se a estes fatores internos outros externos como eventos climáticos extremos, dependência excessiva das energias renováveis para produção de eletricidade ou níveis de produção decrescentes, e a crise energética chinesa não parece ter fim próximo à vista.

As consequências têm-se feito sentir particularmente na indústria, que tem lidado com racionamentos de energia, o que está a implicar o encerramento temporário de muitas fábricas (que pode ir de várias horas por dia até vários dias por semana), incluindo as que fornecem o tão necessário magnésio a outras indústrias, como a automóvel.

E agora?

A Comissão Europeia diz estar em conversações com a China para atenuar as necessidades imediatas de magnésio no continente, ao mesmo tempo que avaliam soluções a longo prazo para lidar e contornar esta “dependência estratégica”.

Previsivelmente, o preço do magnésio «disparou», subindo para mais do dobro dos 4045 euros por tonelada o ano passado. Na Europa, as reservas de magnésio estão a ser transacionadas por valores entre 8600 euros e pouco mais de 12 mil euros por tonelada.

Fonte: Reuters

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