Apresentação

Novo Toyota Mirai 2021. O «carro do futuro» chega já no próximo ano

Em 1997, o Toyota Prius deu início à «era da eletrificação» do automóvel. Hoje, é o Toyota Mirai que quer dar início à «era do hidrogénio». Será capaz?

Quando em 1997 a Toyota apresentou a primeira geração do Prius, poucos acreditavam que o futuro do automóvel passava pela eletrificação — o design do Prius também não ajudou, é verdade. Mas o resto da história já todos conhecemos.

Nas primeiras gerações da tecnologia híbrida, a Toyota fartou-se de perder dinheiro até… tornar-se numa das marcas mais lucrativas da indústria automóvel, com uma parte substancial do seu plano de negócios assente naquela tecnologia que, em 1997, quase ninguém acreditava. Volvidos mais de 20 anos, a história poderá voltar a repetir-se, agora com o hidrogénio.

O novo Toyota Mirai, agora oficialmente apresentado, é mais um capítulo na democratização do carro a hidrogénio.

VÊ TAMBÉM: Parece magia. A Toyota quer fazer combustível (hidrogénio) do ar
Toyota Mirai

Toyota Mirai. O carro do futuro?

Não há dúvidas quanto ao empenho da Toyota no carro a hidrogénio — ou se preferirem, no carro elétrico com célula de combustível (Fuel Cell). A segunda geração do Mirai ainda não começou a ser comercializada e, algures no Japão, já há equipas de engenheiros a trabalhar na 3ª geração da tecnologia Fuel Cell da Toyota.

É seguro afirmar que, nos últimos 30 anos, nenhuma marca acreditou tanto na eletrificação do automóvel como a Toyota. No entanto, ao contrário das maioria das marcas, a Toyota continua a ter algumas reservas relativamente aos carros elétricos somente alimentados por baterias — basta olhar para a sua gama.

Toyota Mirai
Gostam do design do novo Toyota Mirai?

No entender da Toyota, os elétricos a bateria são uma das soluções para as curtas e médias distâncias, mas dificilmente poderão ser a solução para longas distancias. Se a isto juntarmos os problemas relativos à escassez de matérias primas para a produção de baterias, então a indústria automóvel tem mesmo de encontrar uma alternativa.

São interrogações às quais a Toyota responde com o novo Mirai. Uma berlina que surge nesta segunda geração com um design mais apelativo, mais espaço interior e um sistema Fuel Cell mais eficiente, tanto na utilização como no processo de produção. A Toyota espera vender 10 vezes mais Toyota Mirai nesta nova geração. O futuro já começou? Em Portugal ainda não.

Motor Mirai
Esta é a 2ª geração do sistema Fuel Cell da Toyota, mas a 3ª geração já está a ser desenvolvida. À medida que a tecnologia avança, os custos de produção vão descer. Rumo à sociedade a hidrogénio?
VÊ TAMBÉM: Onde vamos buscar matérias-primas para fazer tantas baterias? Resposta pode estar no fundo dos oceanos

Os carros a hidrogénio em Portugal

Portugal ainda não tem nenhum posto de abastecimento de hidrogénio, mas a Toyota Portugal assume total compromisso com esta tecnologia. Em declarações à Razão Automóvel, a Toyota Portugal afirma que assim que o primeiro posto de abastecimento de hidrogénio estiver operacional, o novo Toyota Mirai será disponibilizado no nosso país.

De acordo com a Lusa, o concurso público para o primeiro posto de abastecimento de hidrogénio em Portugal já foi lançado. Estará localizado a norte do país, mais precisamente em Vila Nova de Gaia, e irá servir a zona do grande Porto.

Interior Mirai
Grande salto qualitativo no interior do Toyota Mirai. Nós já nos sentámos no seu interior (vê o vídeo neste artigo).

Para o resto da Europa, o futuro do automóvel chega mais cedo. O Toyota Mirai vai estar disponível a partir do primeiro trimestre de 2021. Um futuro que assume as proporções de uma berlina executiva e que promete ser o primeiro passo no sentido da democratização do carro a hidrogénio, livre de emissões e 100% sustentável.

As novidades do Toyota Mirai 2021

Apesar de só agora estar a ser oficialmente apresentado, nós já conhecemos o novo Toyota Mirai ao «vivo e a cores», há mais de um ano. Durante o Kenshiki Forum, o evento anual onde a marca japonesa apresenta as suas novidades, tivemos o primeiro contacto com este modelo.

Recorda esse momento aqui:

Esqueçam a anterior geração do Toyota Mirai. Da primeira geração não sobrou nada, apenas o nome. Este novo Mirai está assente na nova plataforma global da Toyota (TNGA), mais concretamente na variante GA-L.

Graças a esta plataforma, o novo Mirai viu a sua rigidez à torção e as suas dimensões majoradas. Este novo modelo é 70 mm mais largo, mas 65 mm mais baixo e tem uma distância entre eixos 190 mm superior. Além disso, passou a contar com tração traseira — a GA-L é também usada, por exemplo, pelo Lexus LS. Resultado? O novo Mirai tem um aspeto mais dinâmico e oferece, sobretudo, mais espaço interior.

Toyota Mirai Fuel Cell
A colocação do sistema de hidrogénio sob o capô, incluindo a célula de combustível, permitiu aumentar o espaço a bordo.

Relativamente ao motor elétrico, posicionado no eixo traseiro, este conta com um incremento de potência de 12%, oferecendo agora 134 kW (182 CV) e 300 Nm de binário máximo. No que diz respeito à célula de combustível, esta continua a usar um polímero sólido, mas oferece agora uma densidade energética recordista de 5,4 kW/l e também a capacidade funcionar abaixo dos -30 ºC.

Para armazenar o hidrogénio, o Toyota Mirai recorre agora a três tanques. Dois sob o habitáculo e um atrás dos bancos traseiros, o que lhe permite aumentar a capacidade total para 5,6 kg (mais um 1 kg que a geração anterior), oferecendo assim uma autonomia superior a 650 km.

VÊ TAMBÉM: O Toyota Mirai é o novo carro do Papa Francisco

O primeiro carro abaixo das zero emissões

O Toyota Mirai é mais ecológico que um 100% elétrico em toda a linha. Além de não emitir CO2 durante o carregamento (não há perdas energéticas por calor), nem durante a condução, o Mirai é ainda capaz de… limpar o ar das nossas cidades.

Toyota Mirai

Ou seja, por onde passa, o Toyota Mirai deixa o ar mais limpo — é até possível ver um gráfico no painel de instrumentos onde essa informação é disponibilizada. Isto só é possível graças a um filtro catalítico que está incorporado no sistema Fuel Cell (célula de combustível), que durante este processo consegue capturar todas as impurezas do ar. O sistema consegue remover entre 90 a 100% das partículas à medida que estas passam pelo filtro.

Mais artigos em Notícias