Desporto motorizado

FÓRMULA 1 PARA TOTÓS. 15 coisas que precisas saber para o GP de Portugal

Este fim de semana, um dos assuntos na ordem do dia vai ser o Grande Prémio de Portugal, de regresso após 24 anos. Se não és um "expert" em Fórmula 1, este guia vai ajudar-te.

Se és um expert em Fórmula 1, este artigo não é para ti. Este Explicador da Razão Automóvel é para todos aqueles que até gostam de Fórmula 1, mas não conhecem muito bem os detalhes da disciplina rainha do desporto motorizado.

Foi por isso que reunimos 15 factos e curiosidades sobre a Fórmula 1 para que mesmo aqueles que entendem menos da modalidade possam “brilhar” numa conversa de amigos.

Puxa dos galões e dispara alguns destes factos durante uma conversa.

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1. 10 milhões por um Fórmula 1

Apesar das equipas de Fórmula 1 não divulgarem os valores, estima-se que cada monolugar tenha um custo de 10 milhões de euros. Este custo diz apenas respeito ao monolugar.

Renault DP F1 Team

Agora adicionem os custos com a estrutura da equipa, staff, peças de substituição, produção e desenvolvimento, acidentes, marketing e comunicação, viagens… 10 milhões de euros é só mesmo a ponta do iceberg.

As equipas de topo têm um orçamento anual que supera os 400 milhões de dólares. Sim, isso mesmo, 400 milhões de dólares (cerca de 337,1 milhões de euros).

2. Aceleração dos 0-100-0 km/h em menos de 4 segundos

É absurdo. Um carro de Fórmula 1 é capaz de acelerar dos 0-100 km/h em cerca de 2,5s. Mas nem é esta aceleração que mais impressiona.

Renault DP F1 Team

A escalada de velocidade de um monolugar de F1 é ainda mais impressionante dos 100 km/h em diante. A aceleração dos 100-200 km/h é inclusivamente mais rápida. Sem limitações de tração, um Fórmula 1 cumpre os 100-200 km/h em 2,0s. Os 0-300 km/h surgem em apenas 10,6s.

VÊ TAMBÉM: Conhece os detalhes dos travões mais potentes do mundo

3. Discos de travão a 1000 ºC

Tão importante quanto ganhar velocidade é… perdê-la. Os monolugares de Fórmula 1 são capazes de gerar 4 g em travagem. Durante um Grande Prémio, os travões alcançam os 1000 ºC (graus centígrados), a mesma temperatura que atinge a lava vulcânica.

Travões Fórmula 1 infografia
Volta após volta, os travões são dos elementos sujeitos a maior stress mecânico num monolugar. Afinal de contas, ninguém quer ficar sem travagem a mais de 300 km/h, pois não?

4. Motores da F1 superam os 1000 cv de potência

Ninguém sabe qual é potência concreta de um Fórmula 1 moderno. As equipas não divulgam os valores, mas estima-se que a potência dos monolugares que este fim de semana disputam o Grande Prémio de Portugal supere os 1000 cv de potência.

São os motores mais eficientes da história da Fórmula 1. Em termos técnicos, estamos a falar de motores V6 a 90º, com 1.6 l de capacidade. É desta arquitetura que as equipas de F1 tentam extrair o máximo de potência possível. Em termos de regime, os motores de Fórmula 1 atingem as 15 000 rpm (limite regulamentar).


Embora 15.000 rpm seja o limite regulamentar, a maioria dos carros raramente excede as 12 000 rpm durante uma corrida devido às restrições no consumo de combustível. Anteriormente, os motores V8 com 2.4 l (temporadas de 2007 a 2013) atingiam as 19 000 rpm.

VÊ TAMBÉM: O regresso dos «seis em linha». Querem acabar com os motores V6, porquê?

5. Os motores não arrancam a frio

É impossível colocar um motor de F1 a funcionar a frio. As tolerâncias entre as peças móveis dos motores são tão apertadas, que só quando todos os materiais estão à temperatura ideal é que é possível acordar um motor de um F1.

Monolugar F1 Motor

É por isso que o procedimento de arranque de um Fórmula1 obriga ao uso de bombas de aquecimento externas. Uma vez em funcionamento, também há limites para o tempo que cada monolugar pode permanecer parado, sob prejuízo do motor aquecer demasiado.

6. Cada motor dura apenas 7 corridas

Com apenas três motores por temporada, cada um precisa durar sete corridas. Caso um piloto ultrapasse a alocação de motores, terá penalizações na grelha de partida.

Não se trata apenas da corrida no domingo, os motores também precisam de fazer as sessões de treinos e qualificações. Na década de 80 não era assim. As equipas tinham motores específicos para as sessões de qualificação, mais potentes, mas menos fiáveis, com uma vida útil inferior a três voltas.

Os motores atuais conseguem cumprir sete corridas sem sacrificar a performance.

7. 80 mil componentes de alta qualidade

Num desporto em que cada centésima de segundo conta, todos os elementos são fundamentais. Até os mais pequenos.

Parafuso

Estima-se que um Fórmula 1 seja constituído por mais de 80 mil componentes. Cada um deles é produzido segundo os mais elevados padrões de qualidade. Até o mais simples parafuso.

Vê aqui toda a complexidade de produção de um elemento tão simples como este (vão ficar impressionados!)

8. Pilotos perdem 4 kg por corrida

As temperaturas no interior dos monolugares de Fórmula1 podem superar os 50 ºC. Não há ar condicionado. Apenas e só o espaço suficiente para cumprir a missão: ser o mais rápido e constante possível.

É por isso que durante um Grande Prémio, os pilotos de Fórmula 1 são capazes de perder até 4 kg de peso. Isto sim é uma dieta rápida.

9. Os pneus também emagrecem

Não são apenas o pilotos que perdem peso. Devido ao desgaste, os pneus também perdem peso ao longo da corrida.

Pneus Fórmula 1

Estamos a falar de uma perda de 0,5 kg de borracha. Fruto da velocidade, força das travagens e vertiginosas acelerações laterais.

VÊ TAMBÉM: Para atingir os 490 km/h, a Michelin reforçou os pneus do Chiron com fibra de carbono

10. Os capacetes mais resistentes do mundo

Quando as velocidades superam com facilidade os 300 km/h, toda a proteção é pouca.

Os pilotos de Fórmula 1 recorrem a um dos capacetes mais resistentes do desporto motorizado. Apesar da adoção do arco de proteção HALO desde 2018 — um componente construído em titânio, com 9 kg de peso — os capacetes continuam a ser muito importantes na segurança dos pilotos.

Lando Norris, piloto da McLaren, a mostrar o seu capacete alusivo a Valentino Rossi, um dos seus ídolos.

Todos os capacetes passam por um processo de homologação para garantir a máxima segurança em caso de acidente.

VÊ TAMBÉM: Gordon Murray anuncia o T.50s destinado às pistas

11. Os carros de Fórmula 1 podem andar ao “contrário”

Hipoteticamente, os carros de Fórmula 1 podiam andar ao “contrário”. Graças ao apoio aerodinâmico gerado pelas carroçarias, seria possível a um Fórmula 1 andar de “pernas para o ar”.

Downforce ilustração

É uma possibilidade, tudo indica que seria possível — embora nunca ninguém tenha tentado. O principal obstáculo prender-se-ia com a alimentação do motor e lubrificação de determinados componentes.

12. Achas o volante do teu carro complexo?

Mais de 20 botões. Num Fórmula 1 o volante não serve apenas para virar as rodas. É neste componente que se encontram todos os comandos e afinações necessárias durante uma corrida.

Como podes ver neste vídeo, é uma verdadeira central de comando. Não basta ser rápido, os pilotos de F1 modernos têm também de ter destreza mental suficiente para comandar todos os parâmetros de monolugar a mais de… 300 km/h.

VÊ TAMBÉM: Encontrar os campeões de Fórmula 1 do futuro sai caro, muito caro

13. Mais de 600 pessoas a trabalhar por equipa

Ainda que as estrelas da companhia sejam os pilotos, há centenas de pessoas nos bastidores a lutar pelas vitórias.

Mercedes-AMG F1

A maioria do staff das equipas faz trabalho de bastidores. Desde desenvolvimento a simulações de corrida. Objetivo? Ser o mais rápido e eficiente possível.

14. O último Grande Prémio de Portugal

Antes do regresso inesperado da Fórmula 1 ao Autódromo Internacional do Algarve, o grande circo da Fórmula 1 já tinha visitado o nosso país.

Foi em Portugal que Ayrton Senna venceu pela primeira vez. E foi no Circuito do Estoril, em 1996, que assistimos à última corrida de Fórmula 1 em Portugal. Que o Grande Prémio deste ano, no Algarve, seja o primeiro de muitos.

15. Acelerações laterais extremas

Como poderão ver neste vídeo, os carros de Fórmula 1, fruto do trabalho aerodinâmico, são capazes de gerar doses massivas de carga aerodinâmica.

O suficiente para numa curva colocar os pilotos sob picos de aceleração lateral superiores a 6,5 g. Ou seja, o equivalente a seis vezes e meia o peso do seu corpo.

Agora imaginem cumprirem este exercício durante um fim de semana inteiro, volta após volta.

É por todos estes motivos e mais alguns que, este fim de semana, todos nós vamos estar colados aos ecrãs para assistir à Fórmula 1. Que este seja o primeiro de muitos GP’s em Portugal nos próximos anos.

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