Revelação

Este BMW X6 não engana. Preto mais preto não há

A pintura única deste BMW X6 é a primeira aplicação automóvel da Vantablack, um tom "super-preto" capaz de absorver praticamente toda a luz que recebe.

A terceira geração do BMW X6, revelada há um mês, vai a caminho do Salão de Frankfurt, na sua primeira aparição pública. No entanto, todos os focos (de luz) estarão apontados a um X6 em particular, devido ao tom “super-preto” da sua carroçaria.

“Super-preto”? Sim, esta é a primeira aplicação numa carroçaria automóvel da Vantablack, um novo tipo de revestimento capaz de absorver até 99,965% da luz, eliminando praticamente qualquer reflexo.

O nome Vantablack resulta da junção do acrónimo VANTA (Vertically Aligned Nano TubeArray) e black (preto), o que se traduz numa substância de nanotubos de carbono, ou Conjunto de Nanotubos Verticalmente Alinhados.

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Cada um dos nanotubos tem apenas 14 a 50 micrómetros de extensão e 20 nanómetros de diâmetro — à volta de 5000 vezes mais fino do que um fio de cabelo. Quando verticalmente alinhados, mil milhões destes nanotubos ocupam apenas um centímetro quadrado. Ao atingir estes tubos, a luz é absorvida, retida, sem ser refletida, sendo convertida em calor.

Foi em 2014 que conhecemos o revestimento Vantablack, desenvolvido pela Surrey NanoSystems para a indústria aero-espacial. As suas propriedades anti-brilho e anti-reflexo acabaram por ser perfeitas para o revestimento de materiais delicados como alumínio e componentes óticos para a observação do espaço.

Faz sentido um automóvel “super-preto”?

Aplicar este tipo de revestimento a qualquer automóvel, em princípio, não faz muito sentido. Ao olho humano, qualquer objeto tridimensional revestido a Vantablack será percepcionado como bidimensional — basicamente, é como se passássemos a olhar para um buraco ou um vazio.

Num automóvel, isso significaria que, quando olhássemos para ele, apenas a forma global, ou a silhueta permaneceria perceptível. Todas as linhas, diferentes orientações nas superfícies e outros detalhes estéticos simplesmente desapareceriam.

BMW X6 Vantablack

É a razão pela qual que o BMW X6 que podemos ver está revestido com uma nova variante de Vantablack, a VBx2, originalmente desenvolvida para aplicações científicas e em arquitetura. A diferença para a Ventablack original é o facto de a VBx2 ter uma refletância superior de 1% — ainda é considerado um “super-preto”, mas permite conservar alguma percepção de tridimensionalidade do X6.

Porque é que a BMW optou por pintar o novo X6 com este “super-preto”? Hussein Al Attar, diretor criativo em design automóvel na Designworks e o designer responsável pelo novo BMW X6 responde:

Internamente, referimos-nos ao BMW X6 como “A Besta”. Penso que isso diz tudo. O acabamento Vantablack VBx2 acentua este aspeto e torna o BMW X6 particularmente ameaçador.

A próxima moda nos automóveis?

Poderá o Vantablack tornar-se a próxima moda em pintura automóvel, após a invasão dos tons mate? Pouco provável. Ben Jensen, fundador e diretor técnico da Surrey NanoSystems, refere que já recusou várias propostas de outros construtores no passado, abrindo uma exceção ao X6 pelo seu “(…) único, expressivo design (…)”, ainda que tenham hesitado bastante no aceitar da proposta da marca bávara.

Este X6 Vantablack permanecerá apenas como uma experiência, mas talvez o principal motivo para vermos futuramente “vazios” com rodas a circular, tenha a ver com o enorme desafio técnico que seria desenvolver uma variante da Vantablack com a durabilidade expetável de uma pintura automóvel.

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No entanto, o interesse da indústria automóvel pelo Vantablack vai além de uma nova opção no catálogo de cores. As propriedades especiais desta tinta estão a encontrar lugar no desenvolvimento dos sensores laser para os assistentes à condução e condução autónoma.

BMW X6 Vantablack
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