Glórias do Passado

Lembras-te deste? Rover Streetwise

Numa tentativa de atrair um público mais jovem, a Rover pegou no 25 e adicionou-lhe uma armadura em… plástico, criando um nicho que se mantém até hoje.

Defunto ao quadrado. Não só o Rover Streetwise deixou de existir há mais de 12 anos, como também a marca Rover pertence à história — renasceria como Roewe, após a primeira ter entrado em bancarrota e ter sido comprada pelos chineses, e ainda permanece por lá.

Houve muitos Rover que marcaram a história do automóvel — como o P6 ou o futurista SD1 —, mas sentimos necessidade de também incluir o Streetwise nesse grupo, apesar de não ter marcado pela sua engenharia, nem pelo design inovador. Mas seria o precursor de um nicho que permanece até aos nossos dias.

Sendo redutor, o Rover Streetwise não é mais que um Rover 25 “artilhado”, uma espécie de versão “Mad Max zero calorias” do 25. Vestido com uma armadura composta por para-choques mais volumosos, proteções nos arcos das rodas, espessos frisos laterais e até barras no tejadilho, o compacto modelo via também a sua altura ao solo acrescida em 40 mm — mas nada de tração às quatro rodas.

Rover Streetwise

Era claramente uma aposta na estética, uma tentativa de atrair um público mais jovem à marca — no geral associado a uma faixa etária bem mais elevada —, e dado o uso urbano previsto do carro, sinceramente, para quê tração às quatro? A própria Rover identificava-o como “The Urban On-Roader” e os média ficaram algo perplexos com o seu propósito — não seria isto mais que um vazio exercício de marketing?

A inspiração

A inspiração provinha não só de uma nova geração de SUV de carácter mais estradista — os primeiros indícios da futura febre já se faziam sentir —, mas também de modelos como a Audi Allroad, Volvo V70 Cross Country ou a Renault Scenic RX4. Também derivadas de automóveis convencionais, mas maiores e com propósitos familiares, adicionavam ao visual mais “macho” e rude, alguma competência fora de estrada, integrando tração às quatro no seu arsenal mecânico e dinâmico. E podemos recordar outros exemplos como o Citroën AX Piste Rouge ou o Volkswagen Golf II Country, mais próximos, em conceito, ao Streetwise, mas também equipados com tração integral.

Foi lançado em 2003, apenas dois anos antes da Rover entrar em bancarrota, mas deve ter atingido um nervo — apesar das óbvias dificuldades da marca a vários níveis conheceu algum sucesso e apenas um ano depois a Volkswagen lançava o Polo Dune, o precursor de toda a gama atual Cross da marca alemã, que seguia a mesma receita ao mais ínfimo plástico adicionado do Streetwise.

O legado

Não deixa de ser uma receita de sucesso. O apelo visual destas versões costuma igualar o das variantes desportivas, mesmo sabendo que poucas ou nenhumas vantagens apresentam relativamente aos modelos de que derivam.

Hoje em dia é relativamente comum vermos nas mais variadas gamas das mais variadas marcas versões cross-isto, x-aquilo ou activ-aqueloutro de automóveis convencionais, que gerou tantos outros discursos sobre o santo graal lifestyle, mantendo a mesma receita introduzida pelo Rover Streetwise há 15 anos.

Independentemente da opinião que possamos ter sobre o valor real destas variantes, fica aqui o reconhecimento ao Rover Streetwise, o primeiro a ver uma nova oportunidade e a agarrá-la. Infelizmente, insuficiente para manter a Rover de portas abertas.

MG 3SW
Streetwise “chinês” seria rebatizado como MG 3SW.

O Rover Streetwise terminaria a sua produção em 2005, com o fechar de portas da marca britânica, — foi produzido em mais de 14 mil unidades —, mas ressurgiria em 2008, na China, já como MG 3SW, mantendo-se em produção até 2010.

Recorda aqui outros modelos históricos:


Sobre o “Lembras-te deste?”. É a rubrica da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que de alguma forma se destacaram. Gostamos de recordar as máquinas que outrora nos fizeram sonhar. Embarca connosco nesta viagem no tempo, semanalmente aqui na Razão Automóvel.

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