Projeto

Ford Mach 40. A impressionante fusão entre um Mustang e um GT(40)

E se o Ford Mustang tivesse nascido com motor central traseiro? Este é o ponto de partida para fascinante projeto que funde um Mustang com um GT, dando origem ao Ford Mach 40.

A primeira vez que o nome Mustang surgiu associado a um Ford foi através de um concept, em 1962. Era um desportivo compacto — comprimento semelhante a um MX-5, mas mais baixo e estreito —, dois lugares e equipado com um V4 posicionado atrás dos ocupantes.

Em 1964, quando foi apresentado o Ford Mustang de produção, ao ser baseado no mais familiar Ford Falcon — com motor frontal longitudinal e tração traseira —, do concept original apenas aproveitou o nome e a inspiração para a “entrada” de ar traseira.

Mas, e se a Ford tivesse seguido em frente e criado um Mustang com motor central traseiro?

Ford Mach 40

Seria o resultado semelhante ao Ford Mach 40?

O nome — Ford Mach Forty (40) — resulta da combinação do Mustang Mach 1 e do GT40. O primeiro, uma unidade de 1969, serviu como modelo dador de várias peças usadas na construção final. Pára-brisas, óculo traseiro, teto, nichos das óticas, parte dos guarda-lamas dianteiros, óticas traseiras, manípulos e “cartões” das portas, estrutura dos bancos.

O segundo… bem, relaxem. Não foi usado nenhum precioso Ford GT40 para este projeto, mas sim o Ford GT, a “homenagem” ao GT40 original, lançada em 2004.

O que estamos a ver é, efetivamente, uma fusão de um Mustang com um GT, originando algo verdadeiramente único. Será o primeiro “super-muscle car”? O trabalho revela um elevado nível de execução — a construção demorou à volta de três anos, refletindo a complexidade da tarefa.

Um Mustang como nenhum outro

Esta unidade, única, pertence a um engenheiro reformado chamado Terry Lipscomb, que imaginava um Mustang com motor central traseiro: “eu queria um Mustang com motor central traseiro que nos desse uma ideia de que como seria, caso a Ford o tivesse feito nos anos 60”.

O projeto teve início em 2009 (foi apresentado no SEMA em 2013), e o que se destaca são as proporções — mais baixo que qualquer outro Mustang, e até mais baixo do que o Ford GT, com apenas 1,09 m de altura.  O interior não esconde as origens do superdesportivo, mas pode-se observar muitos elementos típicos do Mustang daquele período, desde o volante aos quatro instrumentos no painel de bordo.

Mike Miernik foi o designer responsável por esta fusão genética, enquanto a Eckert’s Rod & Custom efetuou todas as modificações necessárias, com a carroçaria a ser concebida pela Hardison Metal Shaping.

Motor? V8, claro

O que não provém da década de 60 é o motor. Já perfeitamente instalado e pronto a usar estava o V8 do Ford GT, mas não ficou incólume. De série o V8 de 5.4 litros com compressor debitava 558 cv às 6500 rpm e 678 Nm às 3750 rpm — obviamente que não era suficiente.

O compressor foi substituído por outro maior, da Whipple, assim como o sistema de alimentação de combustível, recebeu novas bombas, injetores e até um novo depósito de combustível em alumínio. Alterações necessárias, em parte, para poder usar E85 — combustível composto por 85% etanol e 15% gasolina. Para rematar, a gestão eletrónica do motor é agora efetuada através de uma unidade da Motec, que foi “afinada” pela PSI.

Ford Mach 40, motor

O resultado são 730 cv e 786 Nm, um salto considerável relativamente ao motor de série. Como referimos, o Mach 40 pode funcionar a E85, e nesse caso, o número de cavalos sobe para uns muito mais expressivos 860 cv.

Mantém a tração traseira e a transmissão passa pelo recurso à caixa de seis velocidades manual da Ricardo, que equipava o GT.

Ford Mach 40

Chassis esconde heresia

Não há que enganar, algo que seja mais associado a um Ford que este Mach 40, não deve haver, já que descende de dois dos seus modelos com maior significância histórica. No entanto, quando deambulamos pelas especificações do modelo, surgem componentes de origem herege.

As modificações ao GT foram de tal ordem, que não sobrou praticamente nada do esquema de suspensão. O Ford Mach 40 apresenta, à frente, um esquema de suspensão adaptado de um… Corvette (C6). Na traseira, também foram aproveitados os braços de suspensão do Corvette, e não se fica por aqui. A direção provém do icónico desportivo norte-americano, assim como alguns componentes dos semi-eixos.

Independentemente da origem dos componentes, o resultado final é impressionante. Só existe esta unidade e mais nenhuma será feita; mas teremos oportunidade de “conduzir” o Mach 40, ainda que virtualmente: o Gran Turismo Sport adicionou o Ford Mach 40 à sua lista de automóveis no final do último mês.

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