Desde 30 729 euros

Ao volante do SEAT Leon ST 1.4 TGI. Tê gê… whaaat?

A sigla TGI não te diz nada? Pois bem, é a sigla que a SEAT utiliza nos seus modelos movidos a gás natural — não confundir com o gás petrolífero liquefeito (GPL). Testámos o SEAT Leon ST 1.4 TGI e ficámos com pena de que não haja mais postos de abastecimento para VGN. Outra sigla estranha, não é? O significado está no artigo.

O SEAT Leon ST é um dos best-seller da marca espanhola. A qualidade de construção de bom nível — perceptível em detalhes como as distâncias nas junções dos painéis da carroçaria ou no interior, quase nos fazem esquecer que há um «primo» chamado VW Golf — aliado a outros aspetos importantes como o espaço e a versatilidade, têm feito da carrinha espanhola a preferência de muitas empresas e particulares.

Já testámos a versão 1.0 TSI Ecomotive, equipada com a competente motorização a gasolina do Grupo VW, que é uma séria alternativa aos Diesel, principalmente para os particulares — façam as contas e tirem as vossas próprias conclusões. Mas nas empresas, ora por questões fiscais, ora por questões de ordem prática é o Diesel que continua no mindset dos decisores. Motivos pelos quais os modelos a gasolina não são alternativa. Bem, é aqui que entra ao barulho a SEAT Leon ST 1.4 TGI…

A alternativa chamada SEAT Leon ST 1.4 TGI

Os Diesel estão envoltos numa «nuvem negra» — que trocadilho… não é? — quanto ao seu futuro. Os consumidores não sabem muito bem o que esperar e nas empresas (principalmente nas empresas) — que é um dos principais canais de venda dos Diesel — fazem-se contas à entrada em vigor do ciclo de testes WLTP e aos valores residuais que agora têm mais uma variável.

SEAT Leon ST TGI
TGI senhoras e senhores.

A SEAT decidiu antecipar-se, até porque como comecei por escrever, a SEAT Leon 1.6 TDI tem sido a escolha de muitas empresas e gestoras de frota. A resposta da SEAT a este problema surge por intermédio de uma versão alimentada a GNC (gás natural comprimido): a SEAT Leon ST 1.4 TGI.

Descobre as diferenças

Se taparmos a sigla TGI, é quase impossível saber que estamos ao volante de um veículo a gás natural veicular (VGN). Em termos de utilização, não há qualquer diferença entre esta versão e qualquer outra versão equivalente a gasolina — alias, a SEAT Leon ST 1.4 TGI consome os dois tipos de combustíveis (gasolina e GNC). A comutação entre um combustível e outro faz-se de forma totalmente automática (não há interruptores) e é quase imperceptível.

Talvez (talvez!) haja uma ligeira perda de potência quando circulamos com recurso ao GNC. Mas é perfeitamente irrelevante.

Em termos práticos a utilização de veículos a gás natural veicular (VGN) proporciona economia a dois níveis. Por um lado, na base de um litro equivalente, o gás natural custa cerca de 70% menos que o gasóleo. Por outro, os VGN consomem um combustível de queima limpa, que reduz a necessidade de manutenção no que diz respeito a trocas de óleo, por exemplo.

SEAT Leon ST TGI
A nossa conhecida SEAT Leon ST. Tirando a sigla e a dieta à base de gás natural, não há diferenças.

Durante o nosso ensaio, recorrendo ao GNC registámos uma média de 4,2 kg por 100 km — reparem que eu escrevi kg/100km e não l/100km. E parece pouco, porque efectivamente é pouco. O motor é poupado mas há outro motivo: o kg do GNC contém tanta energia quanto 1,5 litros de gasolina ou 1,3 litros de gasóleo.

O depósito de GNV contém 15 kg e o tanque de gasolina 50 litros. Resultado? Mais de 1200 quilómetros de autonomia.

Tem tudo para dar certo? Ainda não.

Há um problema muito importante quanto às limitações desta SEAT Leon ST 1.4 TGI, que diz respeito à rede de abastecimento. Em todo o país não haverá mais de uma dúzia de postos GNC — alguns deles com restrições ao abastecimento de particulares — e o tanque do Leon tem capacidade para apenas 15 kg. O que lhe dá, sensivelmente, autonomia para 350 km a trabalhar a gás. Depois disso… a dieta tem de ser a gasolina.

SEAT Leon ST TGI
Optima posição de condução. E estes bancos deviam ser de série!

Portanto, em Portugal ainda há um longo caminho a percorrer para que este combustível tenha o seu devido lugar no mercado. Devido lugar porquê? Porque o Gás Natural é o mais limpo dos combustíveis alternativos. E promove-se tanto a mobilidade elétrica — e bem… — porque não promover também os VGN?

Face aos motores a gasolina, as emissões de dióxido de carbono dos VGN são cerca de 20% inferiores, as emissões de hidrocarbonetos não metânicos (HCnM) são 80% inferiores, e as de óxidos de azoto são 40% inferiores.

É que entre um futuro que aparentemente será elétrico — seja através de veículos elétricos a bateria ou com pilha de combustível (vulgo hidrogénio) — o gás natural pode muito bem ser o derradeiro combustível de transição. Não é preciso uma revolução tecnológica (como nos elétricos), basta uma rede de abastecimento. A tecnologia já existe, trata-se apenas do velho motor de ciclo Otto com uma nova dieta.

SEAT Leon ST TGI
Estas jantes de 17″ são opcionais.

É seguro?

A tecnologia híbrida (GNC/gasolina) da SEAT é 100% segura. O sistema de combustível está hermeticamente fechado. Além disso, os tanques de gás são projetados para suportar mais do dobro da pressão das condições normais de utilização, e cada um é equipado com uma válvula de segurança independente.

O gás natural utilizado no SEAT Leon ST 1.4 TGI é igual ao que utilizamos nas nossas casas. A diferença é que está comprimido em apenas 1% do espaço.

Além do mais, os veículos equipados com tecnologia GNC estão sujeitos às mesmas exigências de segurança (crash-tests) dos restantes veículos. A título de exemplo, antes da aprovação final de qualidade, todos os veículos SEAT equipados com GNC são atestados ao máximo da capacidade e sujeitos a um teste específico de deteção de gás. Este controlo de qualidade abrange 100% da produção de veículos equipados de origem com GNC.

Vê a galeria de imagens deste ensaio:

No site da Associação Portuguesa do Veículo a Gás Natural (APVGN) pode ler-se o seguinte:

Os veículos propulsados a GN são tão seguros quanto os veículos que operam com combustíveis tradicionais como a gasolina. De facto, em países com tradição na utilização de VGNs, muitos administradores de transportes escolares optam pelo GN para mover os autocarros das escolas. O gás natural, ao contrário dos combustíveis líquidos e do GPL, dissipa-se na atmosfera em caso de acidente, evitando-se os riscos de incêndio criados por poças de gasolina ou gasóleo ou GPL no chão.

E devo comprá-lo?

Se és um particular, a resposta mais provável é não. Se és uma empresa — olá empresa! — bem, as vantagens fiscais existem, a economia de utilização está lá, a preocupação com o meio ambiente também (poupar a vida a uma família de pinguins na Antártida é um apontamento que fica sempre bem no relatório de sustentabilidade de qualquer empresa) mas tens os problemas com a rede de abastecimento. Dependendo da utilização que os teus empregados dão aos veículos e da proximidade com um ponto de abastecimento, poderá nem ser um problema assim tão grande.

Estes bancos deviam ser de série em todos os Leon — é o quão bom eles são.

Como disse um dia o atual Secretário Geral das Nações Unidas “é só fazer as contas”, é para isso que te pagam. Mas eu ajudo-te (é para isso que me pagam…) o valor deste SEAT Leon ST 1.4 TGi não difere muito da proposta que a marca faz para o SEAT Leon ST 1.6 TDI:

349 euros, com IVA incluído, para um contrato de 48 meses e 80 mil quilómetros, na versão SEAT Leon ST 1.4 TGI com o nível de equipamento Style.

Quanto aos consumos, quanto é que podes poupar? Assumindo que à data que escrevo estas linhas o Kg do GNC está a 0,999 € e que o litro do gasóleo está a 1,284€, e assumindo que o SEAT Leon 1.4 TGI consome 4,3 Kg/100km e que o SEAT Leon ST 1.6 TDI consome 5,9 l/100km (num trajeto similar), isto resulta numa poupança de… ok, já me perdi. É melhor fazer uma tabela:

Consumo Leon TGI GNC (kg/100 km) Consumo Leon TDI gasóleo (l/100 km) Custo GNC para 100 km (€) Custo gasóleo para 100 km (€) Poupança GNC / gasóleo (%)
Recorrido de referencia de km77 por autovía 4,3 5,9 4,29 € 7,57 € 43,4 %

Uma coisa é certa, sem os «ses» da rede de abastecimento, o SEAT Leon ST 1.4 TGI seria um rival de peso para combater a hegemonia dos Diesel nas frotas das empresas. Com uma aposta séria na rede de abastecimento, talvez pudesse ser mais do que isso…

Preço

unidade ensaiada

37.890

Versão base: €30.729

Classificação Euro NCAP: 5

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cil em linha
    • Capacidade: 1395 cm³
    • Posição: Dianteiro transversal
    • Carregamento: Inj. dir + Turbo + Intercooler
    • Distribuição: 2 a.a.c. / 16 V
    • Potência: 110 cv entre as 4800 e as 6000 rpm
    • Binário: 200 Nm entre 1500 e as 3000 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Tração Dianteira
    • Caixa de velocidades: Caixa de 7 velocidades de dupla embraiagem
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4549 mm / 1816 mm / 1454 mm
    • Distância entre os eixos: 2636 mm
    • Bagageira: 482 litros
    • Peso: 1421 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 3,6 l/100 km
    • Emissões de CO2: 96 g/km
    • Vel. máxima: 194 km/h
    • Aceleração: 11s
  • Equipamento
    • Entrada para o Cartão SD e Aux-in
    • Ecrã táctil 5" a cores + MP3 + WMA (Sistema de Som Media Cor)
    • Climatronic 2 zonas
    • Sensor de luzes e Chuva + função Coming & Leaving home
    • XDS
    • Airbag de joelhos do condutor + desativação do airbag do passageiro
    • Fecho centralizado + Controlo remoto com duas chaves retrácteis e abertura seletiva da bagageira (3 botões)
    • Cruise Control
    • Alavanca de velocidades em pele
    • Luzes de leitura dianteiras e traseiras + iluminação na mala
    • Travão de mão elétrico (EPB) inclui função Auto-hold
    • Bluetooth (telefone & audio streaming)
    • Painel de instrumentos monocromático 3,5" Medium com o Computador de Bordo
    • Air Care
    • Sensor de Chuva
    • ASR + ABS + ESC
    • 7 Airbags (2 Airbags dianteiro + 2 Airbags laterais + 2 Airbags de cortina)
    • Volante multifunções em pele
Extras
Bancos Desportivos em Pele Preto/ Interior Preto (1 611€); Sensores de estacionamento dianteiro e traseiro + Sistema ótico (495 €); SEAT Full LED (1 327€); Sistema de monotorização de condução "Front Assist" (255 €); Jantes Dynamic 17" 30/4 Maquinadas (705 € ); Sistema de Navegação Plus (1 441 €); Pacote de Assistência à Condução II (352 €); Banco do condutor elétrico (265 €)
Avaliação
7 / 10
A SEAT vai apostar na eletrificação da sua gama, mas saber apostar nos VGN poderá ser uma estratégia com bons dividendos — em Portugal essa estratégia está limitada à partida pela quase inexistente aposta neste combustível. Quanto ao SEAT Leon ST 1.4 TGI, não fosse os problemas do abastecimento, não teria problemas em derrotar o Diesel.
  • Qualidade da montagem;
  • Autonomia;
  • Dinâmica;
  • Rede de abastecimento;
  • Preço de alguns opcionais;
Sabes responder a esta?
Qual é a potência do motor do Picanto 1.0 T-GDi?
Não acertaste.

Mas podes descobrir a resposta aqui:

Kia Picanto X-Line 1.0 T-GDi. Vitamina turbo!

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