Apresentação

McLaren Senna. Será digno do nome do campeão?

O McLaren Senna é a derradeira expressão do carro de circuito homologado para a via pública. A escolha do nome não podia ser mais clara no seu objetivo.

A McLaren revelou o segundo membro da sua Ultimate Series, cinco anos após o lançamento do P1 — e não poderia ser mais brutal. Com ele traz um um nome evocativo: McLaren Senna. Uma referência a Ayrton Senna, o tricampeão de Fórmula 1, com todos os seus títulos a serem conquistados ao volante de um McLaren. Será este novo McLaren digno do nome do campeão?

O McLaren Senna é na sua essência um carro de circuito. O seu aspecto agressivo e brutal, longe da elegância das curvas de outros McLaren, é totalmente ditado pelas leis da aerodinâmica. Entradas e saídas de ar massivas, superfícies planas, abas de Gurney, splitters generosos em dimensão e a “mãe” de todas as asas traseiras — com estes dois últimos itens a integrarem elementos ativos.

McLaren Senna

Algures por baixo das excessivas roupagens esconde-se a conhecida receita da McLaren: célula central Monocage (aqui na sua versão III), sub-estruturas em alumínio, motor V8 twin turbo em posição central traseira, suspensão inter-conectada e direção eletro-hidráulica.

Especificações? Só para o ano

De que forma o aparato aerodinâmico se traduz em valores de downforce, teremos de esperar para o ano para o saber. Aliás, nesta pequena apresentação inicial, não foram reveladas quase nenhumas especificações.

A marca britânica não deixou de abrir o apetite com a revelação da potência e do peso. Este “animal” de circuito debita 800 cv e 800 Nm, e a rigorosa dieta a fibra de carbono permitiu reduzir o peso (a seco) até uns impressionantes 1198 kg — o McLaren 720S pesa 1322 kg.

Este é o primeiro projeto que realmente se une com o espírito e desempenho em corrida do Ayrton. O McLaren Senna honra o meu tio porque é tão dedicado em permitir aos seus pilotos serem o melhor que é-lhes possível ser.

Bruno Senna
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Saudável anorexia

Só mesmo no mundo automóvel para considerar a anorexia e o extremismo ingredientes saudáveis para a obtenção dos melhores resultados possíveis. Repare-se nos extremos a que os engenheiros da McLaren foram:

  • divisória entre compartimento do motor e habitáculo passa a ser maioritariamente em carbono — são menos 18 kg
  • nova “receita” para fibra de carbono usada no guarda-lamas dianteiro. Peso baixa dos 2,2 kg para apenas 650 gramas
  • portas simplificadas, sem qualquer tipo de comandos. Peso da porta na sua versão mais leve é de 8,8 kg, metade da do 720S
McLaren Senna

Não é o sucessor do P1

O McLaren Senna não é no entanto o sucessor direto do P1. Ao contrário deste, que revela maior amplitude de utilização, o Senna está focado apenas e só na obtenção de tempos em circuito. Ao contrário do P1, também não é híbrido, pois adicionaria quilos indesejados. Segundo Andy Palmer, o chefe dos modelos Ultimate Series, o Senna é “a mais pura conexão até agora entre condutor e qualquer carro de todos os McLaren legalizados para andar em estrada”.

Carro de circuito, com matrícula

Considerando o foco nos circuitos, porque é que a McLaren se preocupou em homologar o Senna para andar em estrada? Mesmo na própria marca tivemos o P1 GTR, e máquinas como o Aston Martin Vulcan ou o Ferrari FXX K mostram que a este nível extremo não é necessário contemplar o complexo processo de homologação para poder circular na via pública.

Mas a McLaren não só o fez legal para circular na estrada, como o vai produzir em 500 unidades — um número elevado, comparando com as dezenas dos outros modelos mencionados. A McLaren parece ter planos mais ambiciosos para o Senna.

Será o regresso a Le Mans?

A receita do Senna não parece diferir muito da do Ford GT — concebido com os circuitos em mente, mas para poder competir oficialmente, tem de poder ser conduzido em estrada e de ser produzido num certo número de unidades.

Desde que saiu vitoriosa com o F1, a McLaren nunca mais regressou a Le Mans. Existem versões cliente GT3 do 650S para os campeonatos de resistência, mas a nível oficial a marca tem estado ausente. Com a saída da Porsche da categoria LMP1, ficando apenas a Toyota, discutem-se novas possibilidades para a categoria de topo do WEC, com a hipótese de assistirmos a um regresso de modelos derivados de carros de produção, como no tempo que permitiu a vitória do McLaren F1.

Já foram todos vendidos

A McLaren afirmou que todos os 500 Senna já foram vendidos. O último foi leiloado num evento para clientes, com uma revelação ao vivo do modelo. Foi vendido por mais de 2,25 milhões de euros — preço do Senna no Reino Unido é de pouco mais de 850 mil euros —, com as receitas a serem entregues à Fundação Senna.

As primeiras unidades chegarão aos seus respectivos proprietários no final do próximo ano, com a produção a iniciar-se no verão, após a sua apresentação pública no próximo Salão de Genebra.

McLaren Senna
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Porque é que o McLaren F1 tinha posição de condução central?

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