Tuning

Sacrilégio! Colocaram o motor de um Supra num Rolls-Royce Phantom!

O motor deste Rolls-Royce Phantom entregou a alma ao criador. Esperar dois anos por um V12 novo? Não! Tenho uma ideia melhor...

À partida parece difícil compreender o que se passou na mente deste proprietário japonês de um Rolls-Royce Phantom. Mas como se costuma dizer “há malucos para tudo…”

De origem a sétima geração do Rolls-Royce Phantom traz um V12 de 6,75 litros naturalmente aspirado com uns adequados – como a Rolls-Royce o diria – 460 cv e 720 Nm de binário. O suficiente para movimentar com dignidade as mais de 2,5 toneladas que pesa.

Segundo o sítio Speedhunters, este Phantom foi comprado novo em 2008 e percorreu 190 mil quilómetros até o motor ter dado o último suspiro. As causas para o motor ter deixado de funcionar não as sabemos. O que sabemos é que para conseguir um novo V12 da marca britânica, o proprietário teria de esperar dois longos anos.

Ele, o dono, não queria esperar tanto tempo para continuar a conduzir o seu Rolls-Royce Phantom. Por isso, resolveu o assunto pelos seus próprios meios. Um substituto para o V12 seria providenciado pela preparadora japonesa J&K Power, que é conhecida por ser especialista dos 2JZ.

2JZ, o que é isso?

Para os que não sabem, esta combinação de número e letras é praticamente lendária no universo automóvel. Trata-se do nome de código de uma família de motores da Toyota, que ganhou a sua fama e reputação após ter sido colocado sob o capot do último Toyota Supra na versão 2JZ-GTE.

Trata-se de um seis cilindros em linha, com 3,0 litros de capacidade e um par de turbos. Tal como o RB26 que equipou o Nissan Skyline GT-R, o 2JZ-GTE do Supra rapidamente ganhou reputação de aguentar “muita porrada”. Mesmo quando se extraíam dele números completamente absurdos de três, quatro vezes mais que os 280 cv originais.

Nada temos contra o 2JZ – bem pelo contrário. Mas temos de admitir que o seis cilindros em linha do GT japonês não parece de todo o par mais indicado para um corpo volumoso e aristocrático como o do Rolls-Royce Phantom. Mas, goste-se ou não, este Rolls-Royce existe e circula pelas ruas de Tóquio.

2JZ instalado no Rolls-Royce Phantom

Só precisa de uns “pózinhos”

Naturalmente, não vem com as especificações de série. Para locomover as mais de 2,5 toneladas do Phantom com a dignidade que merece seriam sempre necessários uns “pózinhos” extra. A J&K Power reconstruiu o 2JZ-GTE com componentes internos forjados da HKS – mais resistentes -, e instalou um novo turbo T78-33D da GReddy e um supercharger GTS8555 da HKS, para uma resposta satisfatória desde os regimes mais baixos.

Para já o motor está em rodagem e o turbo do Phantom rola com uma pressão de 1,6 bar. De momento, declara uns “modestos” 600 cv. Um valor já bastante acima dos 460 do Phantom.

O objectivo será, posteriormente, elevar a pressão do turbo até aos 2,0 bar, elevando a potência até uns estimados 900 cv! Todos estes equídeos são transmitidos ao eixo traseiro através de uma caixa automática proveniente de um Toyota Aristo, com componentes internos reforçados capazes de aguentarem tudo o que o motor tem para dar.

Outra alteração necessária foi referente à suspensão pneumática do Rolls-Royce Phantom. Esta foi descartada, não só por razões de fiabilidade como também por não ter sido concebida para lidar com quase o dobro dos cavalos que o Phantom traz de série. Logo, uma solução única da Öhlins tomou o seu lugar.

Ache-se ou não heresia, esta troca de motor surgiu de uma necessidade prática – continuar a conduzir o nosso carro. Depois de vermos o 2JZ a equipar um Jeep Wrangler, um Mercedes SL e até um Lancia Delta, porque não um Rolls-Royce Phantom?

 

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