Ao volante

Ao volante do novo SEAT Ibiza. Todas as novidades da 5ª geração.

Foi em Barcelona, capital espanhola do automóvel, que estivemos pela primeira vez ao volante do novo SEAT Ibiza. A quinta geração do «best seller» da SEAT.

Em Barcelona, Espanha

Mais de 30 anos anos depois, o Ibiza está aí para as curvas. E a SEAT também. A empresa alcançou em 2016 os melhores resultados financeiros da sua história, com um lucro operacional de 143 milhões de euros. E podemos apontar o dedo a alguns «culpados» por estes resultados… a nova geração do Leon e o novo Ateca. A chegada da nova geração do SEAT Ibiza deverá ajudar a consolidar este crescimento.

O novo SEAT Ibiza tem tudo para continuar a ser um sucesso de vendas. Porquê? É isso que vamos tentar descobrir nas próximas linhas.

Vamos olhar para ele?

Antes de vos contar quais foram as primeiras sensações ao volante do novo SEAT Ibiza vale a pena olhar bem para ele. É um Ibiza, não há dúvidas. O “ADN” da marca está bem patente em todas as superfícies. Na secção dianteira, os faróis triangulares Full LED e as icónicas luzes de dia tornam o novo Ibiza imediatamente reconhecível. O capot e a grelha cromada recordam o Leon – até porque como vamos ver mais adiante, o Ibiza está mais «crescido» e aproximou-se das dimensões do seu «irmão mais velho». As parecenças com o Leon poderão não agradar a todos.

Olhando para o perfil do Ibiza, destacam-se as quatro rodas colocadas nos extremos da carroçaria que tornam a sua aparência mais dinâmica e desportiva. A maior distância entre eixos e a linha da superfície vidrada, acentuam as dimensões do modelo, enquanto que a linha de cintura alargada a todo o comprimento da carroçaria – combinando linhas vincadas com superfícies suaves – confere uma presença mais marcante e tridimensional ao conjunto.


A secção traseira da carroçaria é aquela que mais proximidade tem com a geração anterior. Os farolins de corpo único envolvem o carro, integrando-se no alargamento dos guarda-lamas e as linhas marcantes da bagageira e dos para-choques dão-lhe uma aparência mais robusta. A versão FR traz detalhes que sublinham o caráter desportivo, tais como as duas ponteiras de escape integradas no difusor ou a grelha dianteira desportiva. O nível XCellence por seu turno recebe os pormenores cromados que enfatizam uma presença mais refinada e sofisticada.

Vamos entrar.

Por dentro, a boa impressão mantém-se. O novo SEAT Ibiza está maior, mais espaço e a qualidade de montagem também melhorou.

Apesar da marca apontar constantemente o público mais jovem como alvo, estou convencido que as dimensões deste Ibiza vão permitir-lhe assumir inclusivamente funções familiares. Na mala de viagem para Barcelona não cabia uma cadeira de criança mas quando o experimentar em Portugal prometo fazer o teste (recordem-me, por favor!). A largura no habitáculo, por exemplo, cresceu 55 mm para o condutor e 16 mm para o passageiro, enquanto que no banco traseiro o espaço para pernas aumentou 35 mm e para a cabeça 17 mm. Os bancos são agora 42 mm mais largos.

Ok, vamos a números menos abstratos… se antes um passageiro com 1,75 metros ficava um pouco à justa no banco traseiro, agora, no novo Ibiza, pode viajar de forma mais confortável. Fiz o teste (tenho 1,74m), e comprova-se. Não dá para cruzar as pernas e abrir um jornal, mas há espaço para fazer uma viagem longa confortavelmente e ainda mais importante… sem parar constantemente naquelas lojas caríssimas das autoestradas. “Um croquete e um café? São 3,60€ euros por favor”. Say whaaat!?!?!

A posição de condução é correta, os bancos são confortáveis e têm um bom apoio. Só não gostei do diâmetro do aro do volante - eventualmente será uma questão de hábito.

A bagageira também cresceu 63 litros, chegando a um volume total de 355 litros – um valor de referência na classe. O plano de carga também está mais baixo e temos de tirar o chapéu à marca por isso. Nem sempre é fácil combinar soluções de design com aspectos práticos. A SEAT conseguiu.

E a qualidade de construção? Rigorosa, sem dúvida. Dentro do segmento, o novo SEAT Ibiza é dos modelos que emprega os melhores materiais e a montagem não fica nada a dever, inclusivamente, a modelos do segmento acima. Tem cuidado Leon…

Gostei também da posição de todos os comandos e instrumentos, orientados para o condutor e sem exigirem que tiremos os olhos da estrada para controlar funções tão básicas como o ar-condicionado. Outro pormenor que me agradou (até disse obrigado em voz alta!) foi a presença de botões físicos para controlar o rádio – há modelos que exageram nas funções táteis do ecrã, aqui não é o caso. E falando do sistema de conetividade Full Link (com ecrã de 8 polegadas), há que dizer que o sistema é de utilização muito simples e intuitiva.

A integração com os smartphones está assegurada em todas as versões – nas versões mais equipadas há inclusivamente um “tapete” de carregamento wireless, que graças a um sistema de carregamento por indução dispensa os cabos que constantemente perdemos (não devemos estar sozinhos nisto…). Continuando no tema da contetividade, a SEAT está decidida em tornar-se uma das marcas na linha da frente nesta matéria e no desenvolvimento de novas soluções de mobilidade com o conceito Connected Car. O novo SEAT Ibiza é mais um passo nesse sentido.

Ao volante

A posição de condução é correta, os bancos são confortáveis e têm um bom apoio. Só não gostei do diâmetro do aro do volante – eventualmente será uma questão de hábito. Em compensação o tato da direção, da caixa (nas versões com caixa manual) e dos pedais está no ponto certo.

Temos de falar do «elefante na sala»: não vai haver versão Cupra.

A verdade é que não podia ter começado o meu turno de condução com uma versão melhor para explorar «ao máximo» as potencialidades do novo Ibiza. Falo naturalmente do novo SEAT Ibiza FR 1.5 TSI de 150cv com caixa DSG7. Ainda dentro da cidade de Barcelona e numa toada calma, já era possível notar os préstimos da nova plataforma MQB A0 – coube ao Ibiza as honras de estrear esta nova plataforma do Grupo Volkswagen. O novo Ibiza sente-se sólido na forma como enfrenta todo o tipo de pisos. E é graças a esta solidez estrutural que a suspensão consegue desempenhar tão bem o seu papel.

Outro dos pontos importantes é a direção C-EPS (Column Electric Power System) com assistência eletromecânica, que desempenha com brio o seu papel na transmissão do feedback ao condutor. A suspensão dianteira é do tipo McPherson e atrás está um eixo semirrígido. Além disto, as versões FR oferecem em opção um conjunto de amortecedores com controlo eletrónico que permite a escolha de duas afinações a partir do habitáculo (Normal e Sport). Aconselho vivamente esta opção se optarem pela versão FR.

Em modo «normal» sobressai o conforto de rolamento, em modo «sport» o Ibiza FR ganha outro carácter e nos ganhamos um bom parceiro para uma seção de montanha.

Dupla personalidade?

Do Ibiza FR saltei diretamente para o seu «irmão» Ibiza XCellence. Em termos de equipamento, estas duas versões ocupam simultaneamente o topo da gama Ibiza.

No Ibiza XCellence, a postura mais desportiva do Ibiza FR dá lugar a uma postura mais requintada. Diferenças que se notam por fora (design), no interior (equipamento) e na postura em estrada (suspensões talhadas para maior conforto e pneus de perfil mais elevado). A acutilância em curva do XCellence é menor mas em compensação a sensação de conforto a bordo é maior. Podemos falar de um Ibiza com dupla personalidade… só depende de ti escolheres a versão que melhor responde às tuas necessidades.

Nem acredito que vou escrever isto mas… escolhia o XCellence. Ou talvez seja a proximidade com os 32 anos de idade a falarem mais alto. A versão 1.0 TSI de 115 cv anda bem e gasta pouco. Facilmente imprimimos ritmos bastante animados nesta versão. Ficaram por testar as versões Diesel, que perante a competência crescente dos novos motores a gasolina fazem cada vez menos s€ntido. É só fazer as contas.

Os motores

Não vos vou falar das sensações ao volante das versões Diesel, até porque como disse, só conduzi as versões a gasolina. Mas há motores para todos os gostos e carteiras. A começar pelo motor 1.0 de 75 cv proposto por uns simpáticos 15.355 euros. Ainda que por mais 600 euros a SEAT proponha um motor bem mais interessante, o 1.0 TSI de 95 cv. Na minha opinião, o competente chassis do Ibiza merece um motor com mais «alma» e o motor de 75 cv atmosférico deve sentir falta dela. Uma percepção que carece de um contacto com o modelo em terras lusas.

As versões Diesel começam nos 20.073 euros (Reference 1.6 TDI de 95cv) e vão até aos 23.894 euros (FR 1.6 TDI de 115 cv). Podes consultar a lista completa de preços aqui.

Vamos ao «elefante na sala»? É verdade. Não vai haver versão Cupra. Já tinha lido em alguns sites internacionais esta notícia mas tive de confrontar os responsáveis da SEAT com a pergunta: vai haver um novo SEAT Ibiza Cupra ou não? A resposta foi um redondo “não”. Não foi um “vamos pensar”, “vamos ponderar”, nada disso… foi um redondo “não”. Porquê? Porque segundo os responsáveis da SEAT o nível de performance da versão FR já é bastante elevada. Lançar uma versão Cupra do atual Ibiza obrigaria a superar os 200 cv de potência. E caso isso acontecesse entravamos numa escalada de valores que, segundo a marca, poucos clientes estão dispostos a pagar.

É uma pena, porque competência da versão FR deixa-nos a pensar: “E como é que seria o Ibiza numa versão Cupra”. Não saberemos a resposta…

Primeiras impressões

O novo SEAT Ibiza tem tudo para continuar o sucesso de vendas da geração anterior. Melhorou em todos os aspectos, sem excepção. A concorrência tem aqui um osso duro de roer.

  • Conforto

  • Rigor de Construção

  • Comportamento

  • Diâmetro do aro do volante

  • Não vai ter versão Cupra

Preço

15.355

Data de comercialização: Junho 2017


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