Motores

Porque é que injetar água nos motores vai ser a próxima grande tendência?

Foi a BMW a primeira que dotou automóveis de série com este sistema de injetar água no motor, mas num futuro próximo não será certamente a única.

Para os leitores da Razão Automóvel, o sistema de injeção de água não é propriamente uma novidade. A novidade é este sistema estar a posicionar-se como uma das grandes tendências da indústria automóvel para o futuro do nosso amado motor de combustão interna.

A Bosch é uma das marcas que mais tem apostado em massificar as vantagens do sistema de injeção de água. Quais vantagens? É isso que vamos tentar explicar neste artigo.

Mais performance, mais eficiência

Sabias que mesmo os mais recentes motores a gasolina desperdiçam perto de um quinto do combustível? E este fenómeno acontece especialmente a altas rotações, porque é injetada gasolina em excesso na câmara de combustão, não para a propulsão do motor mas para o arrefecimento da mistura ar/combustível para evitar o fenómeno de pré-detonamento.

RELACIONADO: Tecnologia SPCCI. A derradeira evolução do motor de combustão?

Segundo a Bosch, com a sua nova injeção a água, não tem de ser dessa forma. Particularmente numa aceleração rápida ou numa autoestrada, a injeção de água adicional torna possível reduzir o consumo de combustível até 13%. “Com a nossa injeção a água mostramos que o motor a combustão ainda tem alguns truques na manga”, afirma Dr. Rolf Bulander, chairman da área de negócio Soluções de Mobilidade da Bosch e membro do conselho de administração da Robert Bosch GmbH.

A poupança de combustível proporcionada por esta tecnologia da Bosch acontece especialmente em motores de três e quatro cilindros, precisamente aqueles que encontramos debaixo do capô de todos os carros de tamanho médio.

Mais potência? É simples…

Mas não é apenas na poupança de combustível que este inovação marca a diferença. Pode também dar mais potência aos carros. A base desta tecnologia é simples: um motor não deve sobreaquecer.

Atualmente, para evitar que isto aconteça, combustível adicional é injetado em praticamente todos os motores a gasolina que percorrem as estradas. Este combustível evapora, arrefecendo partes do bloco do motor. Com a injeção a água, os engenheiros exploraram este princípio físico. Antes da ignição do motor, uma fina mistura de água é injetada na conduta de admissão. A elevada temperatura de vaporização da água significa que proporciona um efetivo arrefecimento.

Esta é também a razão pela qual apenas um pouco de água é necessária: para cada centena de quilómetros percorrida, são necessários algumas centenas de mililitros de água. Como tal, o tanque de água que fornece o sistema de injeção com água destilada apenas tem de ser reabastecido a poucos milhares de quilómetros no máximo.

E se este tanque ficar vazio não há motivo para preocupações: o motor vai continuar a funcionar – mas sem a potência e redução de consumo proporcionada pela injeção a água.

Menos consumos? Também é simples…

No futuro teste de consumo (WLTC, mais conhecido agora como WLTP), a injeção a água torna possível poupar até 4% de combustível. Em condições de condução real, é possível ainda mais: aqui o consumo de combustível pode ser reduzido até 13% em acelerações rápidas ou conduzindo na autoestrada.

E o motor não enferruja?

Não. Não fica água na câmara de combustão. A água evapora antes de a combustão acontecer no motor. Toda a água é expelida no ambiente juntamente com o escape. A injeção de água requer apenas uma pequena quantidade de água e em média o tanque apenas tem de ser reabastecido a cada 3000 km.

Qualquer água? Não, o tanque de água independente tem de ser cheio com água destilada.

Fonte e imagens: Bosch

Mais artigos em Autopédia