Ao volante

Conduzimos o Aston Martin DB mais potente de sempre

Ao volante do novo Aston Martin DB11. Motor V12, mais de 600 cv, tração traseira... um sonho.

Em Cascais e Sintra

Já repararam que a maioria das marcas de desportivos são o espelho perfeito dos seus países?

Por exemplo, olha-se para a Ferrari ou para a Lamborghini e fica-se com a imagem perfeita dos italianos: intempestivos, aguerridos e expressivos. Características que se manifestam desde as linhas da carroçaria até ao som estridente dos motores dos modelos italianos (che macchina!).

Do lado oposto ao italiano temos os americanos, menos refinados, mais brutos, tal e qual como os seus muscle cars (f*ck yeah!). Também temos os alemães, conhecidos pelo seu pragmatismo e objetividade (Ich weiß nichts auf Deutsch!), como fica bem plasmado através da Porsche.

Finalmente temos os ingleses. Refinados, discretos, atentos ao detalhe mas ainda assim com uma ponderada e controlada dose de loucura. O novo Aston Martin DB11 é uma súmula de todas estas características. Basta olhar para ele (like a sir!).

Entretanto, vou fazer de conta que me esqueci de referir os japoneses, ok?

Aston Martin DB11

Very british indeed

Elegância. Mais do que apostar em linhas dramáticas o departamento de design da Aston Martin quis fazer do DB11 – sucessor do lendário DB9 – um automóvel elegante e discreto. Ou pelo menos, tanto quanto é possível ser-se discreto quando se produz um coupé 2+2 com 4739mm de comprimento e apenas 1271mm de altura. E já que falamos de formas, permitam-me a comparação do DB11 com a beleza feminina: se o DB11 fosse uma mulher, era uma bela mulher vestida com um justo, elegante e discreto vestido de seda. Apenas decotado na medida certa. Na medida certa tem sempre mais impacto não acham?

Essa aposta na elegância é bem visível nas soluções aerodinâmicas adoptadas. Ao invés de recorrer a um enorme aileron traseiro para manter a traseira colada ao chão (uma mini-saia), a Aston Martin desenvolveu um sistema que apelidou de Aeroblade (um vestido clássico de alta costura). Um sistema que consiste na manipulação do fluxo de ar através de condutas colocadas junto aos vidros laterais, canalizando-o para um pequeno difusor traseiro capaz de gerar downforce a velocidades mais elevadas.

Aston Martin DB11

Ainda que elegante, todas as suas linhas manifestam músculo. Todas as superfícies denunciam aquilo que está escondido debaixo do capot produzido numa peça única em alumínio: um poderoso motor V12 5.2 litros twinturbo capaz de desenvolver 605 cv de potência e 700 Nm de binário máximo. Números que fazem deste Aston Martin DB11 o modelo mais potente da marca sediada em Gaydon, Warwickshire.

O som? O som do motor deste DB11 (ainda que já não seja atmosférico) é empolgante, encorpado e melodioso como só os melhores motores britânicos sabem sê-lo. Em contraponto aos motores V12 italianos, que gritam em plenos pulmões por mais rotações, este V12 nascido em terras de Sua Majestade tem uma sonoridade mais composta. Tem corpo! E se o som é memorável, a performance não lhe fica nada atrás: 322 km/h de velocidade máxima e 0-100km/h em apenas 3,9 segundos.

Do Guincho à Lagoa Azul

Partimos do hotel The Oitavos em direção ao Guincho.

Com o “nosso” Aston Martin DB11 ainda no modo GT (mais discreto) tudo se processou de forma calma e tranquila. O tempo ainda encoberto pela neblina matinal pedia uma composição de Sir Peter Maxwell Davies para aproveitar ao máximo a forma descontraída e fluída com que o DB11 rasgava a paisagem. Enquanto cruzávamos a marginal, lá bem ao fundo, ouvia-se o borbulhar do motor V12 como que a recordar-nos que apesar de conduzirmos em modo GT continuávamos ao volante de algo (muito) especial… e potente. O DB11 sabe ser discreto.

Aston Martin DB11

Resumindo, cheguei à praia do Guincho a sentir-me um verdadeiro Bond… James Bond – infelizmente, faltava-me a Bond Girl. Não por falta de lugares (que são quatro) mas por falta de melhor figurino entre o banco e o volante. Enfim, não se pode ter tudo. Chegado ao Guincho, lembrei-me que a escassos minutos dali tinha a Serra de Sintra e a mítica estrada da Lagoa Azul à minha disposição – local que em tempos foi povoado por umas criaturas mitológicas conhecidas por Grupo B. Já ouviram falar? Esqueci o modo GT e liguei o modo Sport+! Reza a lenda que fazer aquela estrada em modo GT equivale a 10 anos de azar. Não quis arriscar…

Agora a Lagoa Azul…

Com a seleção do modo Sport+, esqueçam a pacatez do motor V12. Braaaaa paaaa, blop, blop, braaaaa! E assim sucessivamente, uma e outra vez, durante quilómetros percorridos em escassos segundos. Cada transição na competente caixa ZF de 8 velocidades (parabéns, está fabulosa!) correspondia a um soco imediato no estômago. As retas passaram a ser restias de alcatrão devorado a velocidades que não posso mencionar aqui.

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O comportamento dinâmico do Aston Martin DB11 é exemplar, e melhor que isso: acessível, ou pelo menos tão acessível quanto um carro com um motor V12 e tração traseira pode ser. Nunca é um carro difícil de controlar ou com reações intempestivas, até porque não foi para povoar track-days ou para perseguir aquela centésima de segundo que a Aston Martin desenvolveu este modelo. Foi antes para percorrer autoestradas a velocidades inimigas dos pontos na carta de condução e para tirar partido das mais belas estradas de montanha da Europa (e não só). Portanto, um verdadeiro GT!

Talvez por isso os travões, apesar de potentes, não são propriamente acutilantes. A potência de travagem está lá, mas só surge verdadeiramente no último terço do curso do pedal. Uma vez mais, admito que os engenheiros da Aston Martin tenham deliberadamente afinado a travagem desta forma para não assustar os mais incautos.

Belo por fora, familiar por dentro

Não há dúvida que o Aston Martin DB11 é um carro elegante. Apesar de sempre notada (toda a gente olha!), a sua presença não choca ninguém, é aceitável e ninguém fica inibido de estar ao seu volante no meio do trânsito. Podemos dizer o mesmo da maioria dos modelos das casas italianas? Julgo que não.

Aston Martin DB11

Saltando para o interior, somos recebidos pelos melhores materiais que é possível encontrar num modelo de produção, apesar de na minha modesta opinião o design do interior não ser tão puro e bem conseguido quanto o exterior. Por outro lado, todos os comandos pareciam-me familiares. Onde é que eu já vi estes botões? Já sei! Foi nos modelos da Mercedes-Benz. O DB11 é o primeiro modelo da Aston Martin a usufruir das sinergias entre a marca alemã e a marca inglesa – parceria essa que também se irá estender às motorizações.

Veredicto

Se os Aston Martin do futuro vão ser assim, então a histórica marca inglesa tem um futuro aliciante pela frente – após alguns anos conturbados. O Aston Martin DB11 representa tudo quanto um amante confesso de automóveis ambiciona num GT deste nível: exclusividade, beleza, discrição (mais ou menos…), excitante de conduzir quando se pretende e prático quando é preciso. Não fosse o preço superior a 290.000 euros e era muito bem vindo à minha garagem. Em Portugal já se venderam 4 unidades. Não admira. É um verdadeiro carro de sonho.

Aston Martin DB11

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