Ao volante

Renault Mégane Sport Tourer 1.6 dCi: francesa com sotaque português

No passado fim-de-semana fomos até à Madeira conhecer o novo Renault Mégane Sport Tourer. O que achámos? Descubram nas próximas linhas.

Em Funchal, Madeira

Antes de saltar para o volante, permitam-me começar por partilhar convosco uma das curiosidades mais interessantes do novo Renault Mégane Sport Tourer. Como sabem, a carrinha da marca francesa tem granjeado um enorme sucesso em Portugal ao longo das suas diversas gerações – tentem sair de casa e não se cruzarem com uma, é impossível. Face a este sucesso e à apetência do mercado nacional por estas carroçarias, a equipa de design da Renault pediu a uma comitiva nacional para deslocar-se a França com o intuito de avaliar o design desta 4ª geração.

“O motor 1.6 dCi é um exemplo em termos de consumos, suavidade e disponibilidade mas – há sempre um mas…”

Em abono da verdade, o convite estendeu-se a todos os países, mas a comitiva portuguesa foi a única que torceu o nariz à traseira da versão preliminar do Renault Mégane Sport Tourer: “meus senhores, desculpem mas isto não está grande coisa”, disseram os portugueses. “Estes tipos compram carrinhas como ninguém, eles percebem disto…”, devem ter pensado os designers que deram corpo à nova linguagem estilística da Renault, da autoria de Laurens van der Acker. Resultado? A traseira foi inteiramente redesenhada tendo em consideração a opinião dos portugueses e hoje, internamente na Renault, o novo Mégane Sport Tourer é conhecida como “a carrinha portuguesa”. Entretanto, se não gostarem do resultado já sabem de quem é a culpa…

Primeiras impressões

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Num campo sempre tão subjetivo quanto o design, a comitiva de jornalistas que esteve presente nesta apresentação foi quase unânime: a carrinha está bonita. Especialmente na versão GT Line ensaiada pela maioria dos presentes. Até à porta traseira, o Renault Mégane Sport Tourer é, sem tirar nem pôr, igual à versão berlina. As linhas são apelativas, mas a verdade é que as proporções da carroçaria também fazem muito pelo aspeto impactante da carrinha francesa. Está mais comprida, mais baixa e mais larga (é a carrinha do segmento com maior largura entre vias) e tudo isto somado faz do Renault Mégane Sport Tourer uma carrinha deveras interessante do ponto de vista visual.

“Junto ao seletor da caixa de velocidades encontramos ainda o botão do sistema Multi-Sense que permite escolher até 5 modos de condução”

Saltando para o interior, voltamos a encontrar um habitáculo decalcado da versão berlina onde o sistema R-Link 2 na consola central, juntamente com o painel de instrumentos TFT e um rigor de construção até agora nunca visto na carrinha francesa são os aspetos mais importantes. Nos lugares de trás, nota para os 4 cm adicionais de espaço para as pernas – fruto do crescimento da distância entre eixos em 4 cm. O espaço para as malas também abunda: são 521 litros de capacidade (1504 litros com os bancos rebatidos). Na concorrência há quem faça melhor, mas o acesso e soluções adoptadas tornam a bagageira do Renault Mégane Sport Tourer bastante prática.

Ao volante

Nunca tinha visitado a Madeira e adorei as estradas – principalmente as vias regionais, onde decorrem muitos dos troços do Rali da Madeira. À primeira vista pode não parecer o melhor local para testar uma carrinha familiar mas a verdade é que foi. As curvas e contra curvas da Madeira depressa colocaram em destaque as virtudes e defeitos desta proposta francesa. Vamos primeiros aos defeitos, ok?

O motor 1.6 dCi é um exemplo em termos de consumos, suavidade e disponibilidade mas – há sempre um mas… – é escandalosamente preguiçoso abaixo das 1.750 rpm. Nas curvas e manobras mais lentas é relativamente fácil deixar o motor ir abaixo. Desse regime para cima, o motor é outro! Os 130 cv marcam presença e animam o Mégane de curva em curva com uma vontade assinalável. Nota menos positiva também para a caixa de velocidades bem escalonada que merecia um seletor mais curto. Picuinhas? Talvez. Mas como poderão ler de seguida, o chassis do Renault Mégane Sport Tourer merece o melhor…

Até porque é neste campo que a carrinha francesa mais se destaca. O comportamento do conjunto chassis/suspensões do Renault Mégane Sport Tourer é irrepreensível. A plataforma CMF C/D (partilhada com o Talisman e Espace) atribui à carrinha francesa um comportamento rigoroso e previsível sem prejudicar o conforto. Neste aspeto a carrinha francesa não pede lições à concorrência. E a nossa unidade nem estava equipada com o sistema 4Control reservado para as versões GT, que recorrem aos motores 1.6 TCe de 205 cv e 1.6 dCi de 165 cv (disponível antes do final do ano).

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Pelos túneis e vias principais da Ilha da Madeira foi possível constatar a estabilidade a velocidades mais elevadas do Renault Mégane Sport Tourer, transmitindo sempre confiança em todos os movimentos. Os travões também se comportaram estoicamente face às solicitações abusivas de que foram alvos durante mais de 300 km.

Tecnologia à la carte

A Renault equipou esta 4ª geração do Mégane com a melhor tecnologia que tem disponível. Dos sistemas de conforto ao sistemas de segurança ativa, não falta quase nada.

Quando nos sentamos ao volante os nossos olhos deparam-se logo com um sistema Head-up display a cores que projeta no vidro dianteiro as informações mais relevantes para o condutor. Olhando um pouco mais para baixo, encontramos um mostrador TFT (também a cores) que nos informa de praticamente todos os parâmetros do veículo, e se olharmos para a consola central encontramos um ecrã tátil (com 7 ou 8,7 polegadas) com todas as funcionalidades do sistema R-Link 2 (navegação, rádio, climatização, etc.).

Junto ao seletor da caixa de velocidades encontramos ainda o botão do sistema Multi-Sense que permite escolher até 5 modos de condução: Neutro, Eco, Confort, Sport, Individual. Para além de alterar os parâmetros do veículo (resposta do motor, direção, etc.), o sistema Multi-Sense também altera o ambiente a bordo, mudando a cor das luzes de presença conforme o modo selecionado – por exemplo: vermelho no modo Sport e verde no modo Eco. Portanto, para onde quer que o nosso olhar esteja voltado, há sempre tecnologia.

Para além da tecnologia visível, há também um conjunto de anjos da guarda (leia-se sistemas de segurança ativa) a olharem discretamente por nós: travagem automática de emergência; avisador de saída da faixa de rodagem; leitor de sinais de trânsito; avisador de ângulo morto; avisador de distância de segurança; etc. Fica apenas por explicar porque motivo o sistema R-Link 2 não é compatível com o Apple Car Play e Android Auto. Uma falha que a Renault deve rever dentro em breve.

Veredicto

A quarta geração da carrinha Mégane será mais um caso de sucesso. É tão certo quanto o dia nascer amanhã. Bonita, bem equipada, espaçosa e com um preço ajustado (consulta aqui a lista completa de preços para o mercado nacional). A Renault volta a mostrar que fazer carrinhas do segmento C é consigo. O Opel Astra Sports Tourer, Seat Leon ST, Volkswagen Golf Variant, Ford Focus SW, Peugeot 308 SW, Kia Ceed SW e Cia; vão ter aqui um osso duro de roer.

Àqueles que estão a ponderar comprar uma carrinha deste segmento, boa sorte! A escolha não se afigura fácil e o novo Renault Mégane Sport Tourer veio para complicar ainda mais esta equação.

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