A história do carro de rali com 1000 cv que a Audi escondeu

Não, não é uma espécie de primeira geração secreta do Audi TT nem do Audi quattro. Estamos a falar do “pequeno” automóvel «lá ao fundo», na imagem em destaque. Tem mais de 1000 cv de potência, nunca chegou a competir e esta é a sua história.

Potentes, rápidos, mas também perigosos: assim se podiam definir em poucas palavras os carros de rali do Grupo B. E se estes já eram uns autênticos “Fórmula 1 das estradas”, em 1987 estava previsto o arranque do Grupo S, uma classe que reunia versões ainda mais potentes. Mas uma temporada de 1986 marcada por acidentes graves – um dos quais aqui mesmo em Portugal – ditou o fim do Grupo B e o cancelamento do Grupo S.

Como tal, foram vários os modelos de competição desenvolvidos pelas marcas que nunca chegaram a ver “a luz do dia”, mas há um em particular que ao longo dos anos tem despertado a atenção dos entusiastas do desporto automóvel, e não só.

Trata-se de um protótipo desenvolvido pela Audi sob um clima de absoluto secretismo – nem mesmo alguns dos mais altos responsáveis da marca saberiam da existência deste projeto.

Audi Grupo S

O seu desenvolvimento ficou a cargo do famoso engenheiro Roland Gumpert, na altura diretor da Audi Sport – e que mais tarde viria a fundar uma marca com o mesmo nome. Baseando-se no histórico Audi quattro, o primeiro desportivo do mundo a combinar tração às quatro rodas e um motor turbo, Gumpert esforçou-se em corrigir o comportamento em curvas apertadas, que era apontado como o grande defeito do desportivo alemão.

Para tal, os engenheiros da marca começaram por reduzir as dimensões do carro, o que obrigou a modificações no chassis, mas o problema persistia. Além de pequenas melhorias na aerodinâmica, Gumpert lembrou-se de colocar o motor turbo de cinco cilindros em linha (com mais de 1000 cv de potência) em posição central, uma alteração que não seria bem vista pelos amantes da marca.

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Já em fase avançada de desenvolvimento, Gumpert e companhia resolveram levar o desportivo para Desna, na República Checa, onde poderiam iniciar uma bateria de testes em pista sem levantar suspeitas. Gumpert precisava de alguém suficientemente qualificado para testar o desportivo, e por isso convidou Walter Röhrl, bicampeão do mundo em 1980 e 82, para um ensaio dinâmico. Como esperado, o piloto alemão confirmou todas as melhorias na dinâmica do carro.

Por se assemelharem bastante ao Audi quattro, os primeiros protótipos do Audi Group S passavam despercebidos – a não ser pelo barulho. E foi precisamente o som de escape que atraiu os jornalistas. Durante uma sessão de testes, um fotógrafo terá conseguido captar algumas imagens do desportivo, e na semana seguinte, o Audi Group S estava por todos os jornais. A notícia chegou aos ouvidos de Ferdinand Piech, que ordenou a destruição de todos os Audi Grupo S.

“Todos os carros oficialmente construídos foram destruídos”, respondeu prontamente Roland Gumpert. Felizmente, o engenheiro alemão conseguiu guardar um único exemplar, que ficará para a história como um dos Audi’s mais especiais de sempre. O protótipo, com as suas formas arredondadas e carroçaria em fibra de vidro, está “escondido” no museu da marca em Ingolstadt e nunca chegou a participar em nenhuma prova oficial ou corrida de exibição. Até agora.

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Cerca de três décadas depois de ser produzido, o Audi Grupo S exibiu-se pela primeira vez em todo o seu esplendor no Eifel Rallye Festival, um dos maiores eventos desportivos na Alemanha. Assim, por breves momentos, o público presente teve a oportunidade de poder voltar a reviver a loucura dos ralis da década de 80:

Fonte: The Smoking Tire

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