Condução autónoma: sim ou não?

O assunto está na ordem do dia e como tal a discussão é inevitável. O que hoje são sistemas de apoio à condução, vão ser substituídos na próxima década por sistemas de condução 100% autónoma. Os veículos autónomos (VA) vão fazer parte do nosso dia a dia.

A par da questão energética, que está na agenda não só para os automóveis mas sim para toda a indústria mundial, o setor automóvel viverá na próxima década uma das suas maiores revoluções: o papel do condutor ficará cada vez mais em segundo plano e as cidades e infraestruturas rodoviárias que conhecemos, vão começar a preparar-se para isso.

Condução autónoma: sim ou não? Questionário no final do artigo

Desde sempre que o Homem tenta autonomizar processos, construindo e aperfeiçoando máquinas para diversas funções: do dispensador automático da farmácia, até à máquina que substitui o portageiro. No setor automóvel, como em muitos outros, há uma procura incessante pela perfeição. Nos automóveis, criar a “máquina” perfeita que nos permita chegar do ponto A ao ponto B com zero riscos, é o grande desafio que foi e continua a ser imposto.

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Praticamente todas as marcas de automóveis têm anunciado metas a atingir nos próximos 10 anos no que à condução autónoma diz respeito: segurança, eficiência e sustentabilidade são os pilares que sustentam este investimento.

Os níveis de condução autónoma

Na classificação de um veículo como autónomo ou não o principal aspeto a ter em conta é, naturalmente, o papel do condutor. Há um consenso a nível mundial, entre as várias entidades que têm procedido a esta classificação, sobre os níveis de autonomização dos veículos. Em 2014, a Sociedade Internacional de Engenheiros Automóveis (SAE), classificou a autonomização em seis níveis: no primeiro nível entram os veículos que não dispõem de sistemas de ajuda à condução (desde o ABS, controlo de tração, etc) sendo o sexto nível atribuído ao automóvel 100% autónomo onde o condutor não tem qualquer tipo de intervenção.

níveis de autonomização da condução

Aquilo que neste momento se passa dentro de portas (por exemplo, nas fábricas) onde há máquinas que circulam de forma 100% autónoma e dispensam condutor, deverá continuar a evoluir a reboque da indústria e das empresas, até chegar aos particulares. Para os Jogos Olímpicos de 2020, note-se, daqui a cinco anos, o governo japonês anunciou que vai colocar nas estradas veículos 100% autónomos que poderão ser utilizados para o transporte de pessoas. É o fim da profissão de taxista a começar no centro de Tóquio, surpreendido?

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Carlos Ghosn, CEO da Nissan, em declarações à margem do Salão de Tóquio de 2015, deixou bem claro qual era o nível de preparação da Nissan para essa realidade: “A Nissan estará preparada e terá veículos capazes de circular autonomamente na cidade e em autoestrada, em 2020.”

Nos próximos 30 anos: revolução total

Se por um lado as metas ambientais pressionam as construtoras a produzir veículos mais eficientes do que nunca e a apostar em energias alternativas, os objetivos a cumprir ao nível da segurança e da optimização das cidades e dos recursos, reforçam a importância de um automóvel a caminhar no sentido da total autonomização.

Um estudo levado a cabo pela McKinsey&Company, publicado em Junho de 2015, conclui que com a colocação, a partir de 2020, de veículos autónomos no mercado de frotas e particulares, tudo aquilo que rodeia o automóvel (desde o pós-venda, seguradoras até aos concessionários e logística) sofrerá uma revolução. A partir de 2030 estima-se que a tendência para a compra de veículos autónomos entre numa rota de grande crescimento e ainda antes de 2040, o veículo autónomo será, segundo este estudo, o principal meio de transporte.

Num futuro não muito distante, o automóvel será um espaço para consumo de informação e para “fazer chamadas” e o car sharing ganhará mais relevância. Vários estudos indicam que apesar de tudo isto, a tendência para o aumento da venda de automóveis a particulares não se reverterá, podendo apenas abrandar.

Quais são as consequências?

As próximas décadas serão marcadas pelo fim de diversas profissões, mas também pelo aparecimento de muitas oportunidades. Esta realidade trará mais tempo para as pessoas (os condutores podem vir a poupar mais de 50 minutos por dia), mais espaço (o carro autónomo estaciona sozinho e ocupa menos 15% de espaço, pois não tem de abrir as portas para os ocupantes saírem), o número de acidentes baixará drasticamente (a redução de custos com hospitais, reparações de estradas etc, poderá ascender aos 190 biliões de dólares por ano, só nos EUA).

Como condutor, ou futuro condutor, o que pensas sobre isto?

Não há uma forma fácil de colocar a questão e mesmo que este seja um percurso inevitável da industria automóvel, gostaríamos de saber o que pensas sobre a condução autónoma. Responde ao nosso questionário e partilha a tua opinião.

Imagem em destaque: Rinspeed XchangE Concept

Fontes: Goldman Sachs / Hybrid Cars / McKinsey&Company / 2025 AD

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