Dakar

Foi assim que nasceu o Dakar, a maior aventura do mundo

Foi de uma situação de «quase morte» que nasceu a maior prova todo-o-terreno do mundo: o Dakar. Um sonho para quem fica, um desafio para quem vai.

Hoje, o Dakar é aquilo que toda a gente sabe: uma prova com um orçamento milionário, seguida mundialmente por milhões de pessoas, e disputada pelos principais construtores mundiais. Mas nem sempre foi assim. 

Houve um tempo em que o Dakar era sinónimo de “aventura pela aventura, desafio pelo desafio”. Aliás, os eventos que estão na sua génese não podiam ser mais sintomáticos desta filosofia.

A história do Dakar começou em 1977, quando Thierry Sabine (na imagem em destaque), fundador do Dakar, ficou perdido em pleno deserto do Saara durante um rali. Era apenas ele, a sua mota e um imenso mar de areia. Como naquela época não havia meios de socorro eficientes — GPS, telemóveis? Pois, pois… —, foi impossível prestar auxílio a Thierry Sabine. Ao fim de três dias as entidades envolvidas deram por terminadas as buscas. Probabilidade de sobrevivência? Quase nula.

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“O Paris-Dakar é um desafio para os que vão. Um sonho para os que ficam”

Apesar de continuar vivo, ao fim de vários dias no deserto, o cansaço, a desidratação e a falta de alento apoderam-se de Thierry Sabine. Por ironia do destino, foi no momento em que Sabine se preparava para por termo à vida que uma avioneta o avistou e salvou-lhe a vida.

Apesar desta desventura — suficiente para o mais comum dos mortais nunca mais quisesse pôr um pé um deserto — o francês apaixonou-se pelo deserto e pelos seus desafios. Uma paixão que ficou para a vida. Recuperado desta experiência de «quase morte», Thierry Sabine acreditava que tinha de haver no mundo mais pessoas dispostas a atravessar o deserto a partir da Europa, para: (1) explorar os limites do corpo humano e das máquinas; e (2) sentir as emoções de uma prova que aliasse velocidade, navegação, destreza, coragem e determinação.

Estava certo. Havia.

Cartaz Paris-Dakar 1979
Anúncio para o primeiro Rali Paris-Dakar

A 26 de dezembro de 1978, arrancou a primeira comitiva do Paris-Dakar com 182 participantes. O local de partida foi escolhido a dedo: a Torre Eiffel, símbolo da audácia humana. Dos 182 participantes, apenas 69 chegaram a Dakar.

Desde então, o Dakar tem aberto as portas do deserto ao mundo inteiro e desafiado constantemente os limites do ser humano, alimentando as almas mais aventureiras. “O Paris-Dakar é um desafio para os que vão. Um sonho para os que ficam”, disse um dia Thierry Sabine.

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Apesar de hoje em dia o Dakar já não ter lugar em África (devido à instabilidade política em determinados territórios) e de já não estar envolto no romantismo de outros tempos, é uma prova que continua a inspirar milhões de pessoas. À parte de um punhado de pilotos oficiais — que disputam a prova com todos os meios para alcançar a vitória — para muitas centenas de pilotos privados a aventura continua a ser a mesma de há 38 anos atrás: chegar ao fim.

Chegada ao Lago Rosa, Senegal, em 1979

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