Ao volante

Mazda MX-5 2016: a primeira dança

O Mazda MX-5 esperava-me à porta do aeroporto, alinhado com os restantes irmãos debutantes. Vermelho, com ar jovial e preparado para a primeira dança.

Em Barcelona, Espanha

Não passou muito tempo desde que nos despedimos aqui da 3ª geração do Mazda MX-5. Demos-lhe um lugar especial, uma volta de honra a um modelo que nos deixou em grande estilo. O “NC” tinha na sua génese a filosofia que a Mazda aplicou ao roadster mais vendido no mundo: simplicidade, leveza e agilidade, transversal a todas as gerações. Mais do que uma ressonância nos corredores do marketing, esta postura de entrega e preocupação com o condutor é muito anterior ao tempo em que as palavras começaram a ser aplicadas para convencer o consumidor. Vamos voltar atrás, não muito, prometo!

Corria o ano de 1185 (eu disse que era uma pequena viagem…) e o imperador Minamoto no Yoritomo estava preocupado com a performance dos seus samurais, principalmente quando largavam a espada e montavam a cavalo para combater com arco e flecha. O imperador criou um tipo de formação para os arqueiros a cavalo, à qual deu o nome de Yabusame. Esta formação de excelência tinha como objetivo colocar cavaleiro e cavalo em sintonia, um equilíbrio perfeito que iria permitir ao arqueiro cavalgar a grande velocidade durante o combate, controlando o cavalo apenas com os joelhos.Mazda mx-5 2016-10

Esta ligação do cavaleiro ao cavalo tem um nome: Jinba ittai. Foi a esta filosofia que há 25 anos a Mazda recorreu quando decidiu colocar o condutor ao volante do seu roadster, o Mazda MX-5. Desde então que o Jinba ittai é o molde para todos os MX-5, é por isso que quem o conduz se sente ligado, carro e condutor são um só.

Por fora o novo Mazda MX-5 carrega a identidade do design KODO, alma em movimento. A expressão vincada, frente baixa e linhas fluídas juntam-se a um automóvel que se quer de pequenas proporções. Quem o conhece de outras gerações sabe que está lá tudo, o estilo inconfundível do Miata mantém-se, é a silhueta eternizada de um roadster icónico, não há como ficar indiferente.Mazda mx-5 2016-98

Ao dar à chave sentimos a presença do motor 2.0 Skyactiv-G, uma estreia no MX-5, os seus 160 cv estão prontos para servir os devaneios de um pé direito sempre esquizofrénico nestes primeiros contactos “mais especiais”. Optar pelo motor 1.5 Skyactiv-G de 131 cv logo no primeiro dia estava fora de questão, fui logo direto ao assunto. Com autoblocante à mistura falamos sempre melhor, não acham?

Antes de partir, uma olhadela pelo interior, que surge completamente renovado e em linha com os novos modelos Mazda. Aqui o espírito Jinba ittai é explorado ao detalhe, com volante, pedais e painel de instrumentos em simetria e alinhados com o condutor.Mazda mx-5 2016-79

A posição de condução baixa e o volante de três raios, são prefácio de uma condução envolvente. Os bancos Recaro em couro Nappa e Alcantara, disponíveis nesta versão full-extras, com altifalantes BOSE UltraNearfield integrados nos apoios de cabeça, completam o cenário. À primeira vista não há muito espaço para guardar carteira e smartphone, mas ao fim de alguns segundos de procura lá se encontram uns recantos. Lá atrás metemos duas malas pequenas, numa bagageira que acomoda facilmente aquilo que é suposto levar para umas férias a dois.

O conceito heads-up cockpit foi aplicado também ao Mazda MX-5, com o condutor a não ter de tirar os olhos da estrada para trabalhar com a instrumentação disponível. Com mais gadgets do que nunca, o Mazda MX-5 conta agora com um ecrã independente de 7 polegadas como opcional, onde está toda a informação e infotainment. Permite-nos também navegar na internet, ouvir rádios online e aceder a serviços das redes sociais. Há também uma série de apps disponíveis.Mazda mx-5 2016-97

Apesar do motor se fazer ouvir com clareza, o Mazda MX-5 tem ainda como opcional um sistema de 9 altifalantes BOSE, especialmente desenhado para um roadster. Feitas as apresentações, é recolher a capota e seguir viagem. Basta uma mão para operar a capota manual, que se recolhe totalmente e forma uma superfície plana no topo da bagageira.

Na cidade o Mazda MX-5 é dócil, com um pequeno rugido abafado pelo regime baixo com que seguimos. Os olhares prendem-se no vermelho soul à medida que ele passa, o Mazda MX-5 com as suas linhas modernas é uma verdadeira novidade. Mas chega de conversa, está na altura de sair da azáfama citadina e passar para a calmaria do campo nos arredores de Barcelona.

Eu que não me considero um condutor exímio, perco conta às vezes que controlo a sobreviragem tranquilamente. As jantes de 17 polegadas calcam uns pneus 205/45, nem borracha a menos, nem borracha a mais, para não estragar. Entrar numa curva, sair confiante e perder a seriedade para uma traseira irrequieta e provocante é o prato do dia. São 1015 kg, 160 cv e 200 Nm às 4600 rpm, o Mazda MX-5 está cá todo, o Miata vive e recomenda-se!Mazda mx-5 2016-78

A experiência ao volante do motor 1.5 Skyactiv-G ficou além do que esperava, com este pequeno motor a revelar uma elasticidade e sonoridade surpreendentes. Aqui o peso desde para os 975 kg, um excelente número que o novo Mazda MX-5 exibe no seu currículo. Uma proposta a ter definitivamente em conta, principalmente pelo preço: desde 24.450,80 euros, contra os 38.050,80 euros pedidos para o 2.0 Skyactiv-G na versão Excellence Navi, a disponível para o mercado português. Se quisermos ser rigosoros, o 1.5 Skyactiv-G Excellence Navi fica por 30.550,80 euros, sendo esse o preço de referência para a comparação.

Pouco importam as prestações, se os 0-100 km/h chegam em 7.3 segundos no 2.0 Skyactiv-G ou em 8.3 segs no 1.5 Skyactiv-G, o que importa é que chegamos ao destino sempre com um sorriso. Ir para o trabalho ou para um fim de semana fora da cidade, nunca foi tão entusiasmante. A velocidade máxima para a versão com o motor 2.0 Skyactiv-G é de 214 km/h, já o 1.5 Skyactiv-G permite-nos atingir os 204 km/h. A caixa de 6 velocidades Skyactiv-MT, perfeitamente escalonada e envolvente em ambas as motorizações, é a cereja no topo do bolo.Mazda mx-5 2016-80

Os motores Skyactiv-G chegam ao Mazda MX-5 cumpridores das normas Euro 6, com o 2.0 a trazer consigo o sistema i-stop & i-ELOOP que conhecemos de outros Mazda. E porque importa, há que referir que o consumo combinado anunciado para o motor 1.5 Skyactiv-G é de 6l/100 km, com o motor 2.0 a ficar-se por uns 6.6/100 km. No nosso teste, em território nacional, vamos poder comprovar estes valores.

Deixo o Mazda MX-5 onde o encontrei. A dança durou pouco mais de 24 horas mas foi um prazer guiar e ser guiado pelos traçados que fomos encontrando ao longo do caminho. Ser escolhido para Yabusame é uma grande honra e sem dúvida que ao fim pouco mais de 150 km posso dizer que o Mazda MX-5 (ND) se deixa guiar “com os joelhos”. Até breve, Miata.

aqui a tabela de preços para o mercado português.

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