Ensaio

Mazda MX-5: Sayonara Samurai

Este não é um teste qualquer. Normalmente testamos as últimas novidades, falamos do equipamento, do preço, etc. Hoje não. Hoje não falamos de uma novidade. Muito pelo contrário, dizemos adeus a um modelo: o Mazda MX-5 da 3º geração.

Fui à Mazda, roubei as chaves e levei o Mazda MX-5 NC comigo para um último tango. Acreditem, foi exactamente assim – tirando o roubo das chaves, claro.

Ouve-se tudo em modo «Dolby Surround»: a zoada da transmissão, os «tics» e os «tacs» do motor, os gritos dos pneus traseiros e os mais diversos borbulhares provenientes «nem-sei-bem-de-onde».

Com o novo modelo já apresentado e a meses de ser comercializado quis dar a derradeira volta de honra na terceira geração do roadster mais vendido de sempre, na sua versão mais potente: motor 2.0 litros e 160 cv de potência. Motivos para esta dança não faltavam: tração traseira, motor alegre, direção bastante direta e suspensões a condizer. Uma receita simples e acessível que tem feito as delicias de milhares de condutores em todo o mundo.

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Mazda MX-5 NC

Querem saber como foi a dança? Numa palavra: revigorante. O Mazda MX-5 é daqueles carros que nos fazem gostar de carros. Apesar de ainda ser um carro relativamente recente, a unidade ensaiada estava cheia de revivalismos. Botões no volante? Poucos. Modos de condução? Nenhuns. Ajudas electrónicas? Completamente desligáveis. Era assim há uns anos atrás. E ainda é assim neste MX-5.

O Mazda MX-5 conserva uma pureza já pouco habitual nos tempos que correm. Uma pureza que vai fazer dele um must buy no mercado de usados.

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Mazda MX-5 NC

Conduzir o Mazda MX-5 é uma viagem ao passado. Hoje os turbos estão na moda e qualquer motor a gasolina já apresenta valores de potência e binário bastante simpáticos. Mas há bem pouco tempo não era assim. “Queres potência? Então trabalha por ela!”, que é como quem diz “recorre exaustivamente à caixa de velocidades”.

Eu recorri. E recorri com bastante prazer nas mais reviradas estradas nacionais. Segunda, terceira, segunda, terceira, quarta, terceira e segunda novamente. Tudo para manter a rotação do motor lá bem alto, onde existe potência, onde a diversão é a palavra de ordem.

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Mazda MX-5 NC

Se num carro talhado para o dia-a-dia isto era uma chatice, num automóvel desta natureza é um gáudio. O Mazda responde às acelerações mais intempestivas com vigor e com uma nota de escape memorável. Ouve-se tudo em modo «Dolby Surround»: a zoada da transmissão, os «tics» e os «tacs» do motor, os gritos dos pneus traseiros e os mais diversos borbulhares provenientes «nem-sei-bem-de-onde». Tudo isto a céu aberto claro… – também podia ser de capota fechada, mas não era a mesma coisa.

Chegado às curvas fui brindado com um comportamento tipo kart. O conjunto não é pesado, o centro gravítico é baixo, os eixos estão no extremo da carroçaria e a potência é transferida para o sítio certo: lá bem para trás. Diversão garantida! Qualquer curva serve de pretexto para andar com o volante às avessas e as rodas traseiras a fumegar. Pouco, até porque a borracha está cara.

Se quisermos andar compostos (o que não é fácil…) a dianteira responde a preceito e a traseira segue as suas pisadas. Mas nós raramente queremos, não é verdade?

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Mazda MX-5 NC

Se há automóveis mais rápidos? Há. Mais potentes? Também. Mais divertidos? Confesso que é complicado… é tudo tão simples, tão direto e tão acessível no Mazda MX-5 que até o mais «nabo» dos condutores se sente um verdadeiro profissional do drift. O segredo é simples: o Mazda MX-5 não assusta ninguém.

Entreguei-o de volta à Mazda sem vontade nenhuma. Como é pequeno e nem é desconfortável, conseguia conviver com ele no dia-a-dia sem grandes problemas. E se tivesse algum problema, ao rodar da chave o problema desapareceria. É esta a magia do Mazda MX-5: faz-nos sorrir.

Vamos ver o que nos reserva a quarta geração deste modelo, tudo indica que a senda de sucesso vai continuar. Assim espero. Há tangos que merecem ser repetidos. Até lá, Sayonara Samurai!

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Mazda MX-5 NC

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