Depois dos chips e cablagens é a falta de vidro que ameaça a produção automóvel na Europa

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Depois dos chips e cablagens é a falta de vidro que ameaça a produção automóvel na Europa

A produção automóvel está mais uma vez sob ameaça, desta vez pela falta de vidro, consequência da crise energética europeia.

O vidro é tão comum que não costumamos pensar muito nele, mas a crise energética europeia — derivada do conflito na Ucrânia — coloca agora em causa a produção deste material, o que poderá levar a mais disrupções na produção automóvel, depois da pandemia, da falta de semicondutores e da falta de cablagens.

Tal é reforçado por Silja Pieh, chefe de estratégia da Audi, em declarações recentes ao Wall Street Journal, que caso a Rússia “pare o fornecimento de gás para a Alemanha causaria uma nova crise de falta de componentes.”

O gás russo é uma das principais fontes de energia usadas na Europa pela indústria do vidro, necessário para fundir a mais de 1200 ºC os ingredientes que compõem este material: sílica, óxido de cálcio e óxido de sódio.

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Com a redução da exportação de gás para a Europa por parte da Rússia, os governos europeus estão a colocar em marcha planos de contingência para encorajar uma redução do consumo de gás e sua conservação, mesmo nas indústrias que estão fortemente dependentes dele, como a do vidro.

Aumentar as reservas

Para fazer face à provável falta de vidro, já se tomam medidas na indústria automóvel, como reporta o jornal norte-americano, indicando que o Grupo Volkswagen começou a aumentar o inventário de componentes que requerem vidro, como para-brisas e janelas.

Além disso, o gigante alemão já procura novos fornecedores fora da Europa que não estejam a ser afetados por esta crise do gás.

Não é apenas a indústria automóvel que está a ser afetada; o custo do vidro já aumentou tanto como 90% no último ano e vai afetar preço de produtos tão comuns como leite ou cerveja, com vários fornecedores de garrafas de vidro a anunciarem cortes na produção e até o encerramento de fábricas, como aconteceu a já pelo menos duas na Ucrânia.

Alternativas

Ainda antes da invasão russa à Ucrânia, já havia planos por parte de alguns produtores de vidro em trocarem o gás pelo hidrogénio verde ou eletricidade de origens renováveis. Contudo, são planos a longo prazo e que pouco ou nenhum impacto têm na resolução da crise que está a acontecer agora.

A única alternativa realista para mitigar a redução do fornecimento de gás parece estar na troca deste por óleo combustível ou óleo Diesel, solução que está a ser posta em prática por alguns produtores de vidro.

Como exemplo, temos a O-I Glass Inc., uma empresa norte-americana que faz garrafas e jarros, e tem 34 fábricas no espaço da União Europeia. Já converteu 20% dos seus fornos para funcionar a óleo combustível, e esperam que esse valor seja de 50% até ao final do ano.

Fonte: Wall Street Journal

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