Euro 7. Porque é que o adiamento da publicação da proposta final está a deixar todos preocupados?

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Emissões

Euro 7. Porque é que o adiamento da publicação da proposta final está a deixar todos preocupados?

Estava previsto para abril saber, finalmente, no que consistiria a futura norma de emissões Euro 7, mas foi adiado para o final de julho.

Foi em 2020 que ficámos a conhecer os primeiros contornos sobre a Euro 7, a futura norma de emissões para os motores de combustão, que regula os poluentes que saem do escape como partículas, hidrocarbonetos e monóxido de carbono.

E o veredito da indústria e analistas foi claro quando constataram o que era exigido: a Euro 7 era como uma sentença de morte aos motores de combustão interna o que levaria à erradicação dos mesmos entre os modelos dos segmentos mais populares (utilitários e pequenos familiares).

Não só seria tecnicamente muito complexo ficar em conformidade com a norma, como os custos avultados associados colocaria os modelos com motores de combustão em paridade de preço com os mais caros 100% elétricos.

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União Europeia emissões

Caso a entrada da Euro 7 acontecesse em 2025, como parecia estar previsto, poderia significar um desaparecimento precoce dos motores de combustão, até tendo em conta o próprio calendário da União Europeia que propôs uma redução de 100% das emissões de CO2 — que efetivamente dita o fim dos motores de combustão — para os veículos novos em 2035.

Foi por isso dado um passo atrás, com a AGVES (Advisory Group on Vehicle Emission Standards) a dar um conjunto de recomendações revisto à Comissão Europeia mais suaves sobre a futura norma, reconhecendo e aceitando os limites do que é tecnicamente viável.

Após isto, foi anunciado que a proposta final da Euro 7 seria conhecida no último trimestre de 2021, mas tal acabou por não acontecer, sendo adiada para 5 de abril de 2022.

Mas também já não será nessa data que iremos conhecer o conteúdo da proposta, tendo sido a sua divulgação novamente adiada para o próximo dia 20 de julho de 2022.

Adiamento está a gerar apreensão

Uma porta-voz da Comissão Europeia justificou o adiamento à Automotive News Europe: “É importante garantir uma preparação compreensiva desta proposta”. Acrescentou ainda que é a primeira vez que a Comissão está a querer regulamentar veículos ligeiros de passageiros e mercadorias, e até veículos pesados em simultâneo.

O adiamento está a provocar apreensão em todas as partes interessadas, falando já em consequências indesejáveis.

Teste de emissões

As associações ambientais temem que este adiamento da publicação da proposta para a Euro 7 leve também a um adiamento da introdução da norma para lá de 2025, colocando até em causa as metas do plano “Green Deal” (para descarbonizar a economia) da União Europeia.

O grupo Transport & Environment diz mesmo não encontrar justificação para o adiamento, dado que o “trabalho preparatório” já tinha sido finalizado, apontando o dedo à pressão exercida pela indústria automóvel.

Mas por outro lado, a ACEA (Associação Europeia de Construtores Automóveis) também é crítica da decisão. A associação esperava um acordo rápido entre os legisladores em 2022 de modo a dar à “indústria clareza e o tempo necessário para futuros planos e mudanças na engenharia”.

A ACEA tinha dito em junho de 2021 que contava que a Euro 7 fosse introduzida a 1 de setembro de 2025, dando quatro anos de preparação à indústria, tendo em conta o prazo inicial previsto da publicação da proposta final para o último trimestre de 2021.

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Com a publicação da proposta final da Euro 7 a ser adiada agora para o final de julho, a associação alerta que essa data poderá já não ser viável.

Relembramos que a Euro 6 foi introduzida em setembro de 2014, mas a norma recebeu várias atualizações, com a última, a Euro 6D, a ter sido introduzida em janeiro de 2020 para novos modelos e janeiro de 2021 para todos os veículos novos à venda na União Europeia.

Fonte: Automotive News Europe

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