Porsche 911. A performance era ou não mais barata no tempo da moeda antiga?

Estamos a guardar energia para o que mais importa.

Antes do Euro

Porsche 911. A performance era ou não mais barata no tempo da moeda antiga?

Muita coisa mudou desde a introdução do euro a 1 de janeiro de 2002. Será que a performance também ficou mais cara? O exemplo do Porsche 911.

“Antes do Euro”, a rubrica da Razão Automóvel em que recuamos no tempo até ao final de 2001, o último ano do reinado do escudo como a moeda portuguesa.

Tanto ontem como hoje, o Porsche 911 continua a ser a bitola pela qual todos os outros desportivos se medem. Já passaram 20 anos e três gerações de 911 desde a introdução do euro e, tal como todos os seus rivais, nunca parou de crescer, fosse fisicamente, fosse em performance.

Será que o preço do icónico desportivo reflete esse crescimento?

TÊM DE VER: Quanto custava um Renault Clio em 2001? Era assim no tempo da moeda antiga…

No final de 2001, quando o 911 apenas era acompanhado pelo Boxster na oferta de modelos da marca de Estugarda, um 911 Carrera (geração 996, vendida entre 1997 e 2006) custava 20 899 contos, o equivalente a 104 242 EUR.

Atualizando este valor à taxa de inflação, equivale hoje a 140 676 EUR.

Hoje, o Porsche 911 Carrera (geração 992, lançada em 2019) ainda é a versão mais acessível do desportivo e vê o seu preço começar nos… 139 721 EUR.

De ressalvar que o preço do 911 Carrera no final de 2001 (depois do modelo ter sido atualizado) refere-se ao modelo equipado com caixa manual, mas havia como opção a versão Tiptronic (automático). Sabemos que esta era mais cara (alguns milhares de euros), mas não conseguimos obter o seu preço.

E referimos isto porque o 911 Carrera está apenas disponível hoje com a PDK, isto é, a caixa automática de dupla embraiagem de oito velocidades. Só no mais potente 911 Carrera S voltamos a encontrar a caixa manual, como opção (sem custos adicionais).

Mais performance pelo mesmo dinheiro?

Dito isto, surpreende a proximidade do valor entre estes dois modelos separados por 20 anos. Isto porque um 911 Carrera hoje é uma máquina bem mais rápida e capaz que um 911 Carrera de outrora, seja ele manual ou automático (verdade seja dita, a opção Tiptronic nunca deixou muitas saudades).

Comparemos algumas specs:

911 Carrera (996) 911 Carrera (992)
Motor 6 cil. boxer; 3,6 l; nat. asp. 6 cil. boxer; 3,0 l; turbo
Potência 320 cv às 6800 rpm 385 cv às 6500 rpm
0-100 km/h 5,0s (manual); 5,5s (Tiptronic) 4,2s (PDK)
Vel. Máx. 285 km/h (manual); 280 km/h (Tiptronic) 293 km/h
Massa (DIN) 1345 kg (manual); 1400 kg (Tiptronic) 1505 kg

O que transparece, para lá da óbvia «engorda» entre as duas gerações, é o facto de agora podermos comprar um desportivo mais potente e rápido — e mais seguro e com mais tecnologia — por uma quantidade equivalente de euros. Um melhor negócio? Aparentemente.

Não é um caso único neste nicho de modelos desportivos ou de mais elevadas prestações. Mesmo quando consideramos algo mais acessível que um Porsche 911, como por exemplo, um hot hatch como o Volkswagen Golf GTI, chegamos a conclusões idênticas.

Em 2001, o Golf GTI (4.ª geração) podia ser adquirido por 7105 contos, o mesmo que 35 443 EUR, valor que sobe para 47 825 EUR quando consideramos a inflação.

Hoje, em Portugal, o Golf GTI começa nos 47 351 EUR, mas ao invés dos 180 cv de potência do modelo de 2001, temos 245 cv à disposição.

Em matéria de performance, a tendência que hoje detetamos — haverá exceções, certamente — é a de termos «mais carro» por cada euro gasto do que acontecia há pouco mais de 20 anos, no tempo dos escudos, a moeda antiga.

Fiquem atentos à Razão Automóvel, nos próximos dias vamos recordar outros modelos e outros preços, numa viagem até aos tempos «antes do euro». Enviem-nos mais sugestões para: agenda@razaoautomovel.com.

Mais artigos em Crónicas