Desporto Motorizado

O que vai acontecer aos 1800 pneus que a Pirelli tinha para o GP da Austrália?

O GP da Austrália de Fórmula 1 foi cancelado em cima da hora, o que deixou a Pirelli com 1800 pneus prontos a correr, mas que não podem ser usados. O que lhes vai acontecer?

Poderíamos achar que os guardariam para usá-los futuramente, no próximo Grande Prémio, mas isso não vai acontecer. Os 1800 pneus que a Pirelli tinha prontos para o GP da Austrália, a primeira corrida do campeonato deste ano de Fórmula 1, vão, por isso, ser “deitados fora”.

Porquê? Com o GP a ter sido cancelado no próprio dia em que a primeira sessão de treinos livres deveria começar, os 1800 pneus que a Pirelli levou até a Austrália já estavam montados nas respetivas jantes (desde o dia anterior), prontos a serem usados.

Agora têm de ser desmontados, invalidando a sua reutilização, devido ao risco de danos quando separam o pneu novamente da jante.

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E porque não mantê-los nas jantes? Tal seria possível caso pudessem transportar os pneus (montados nas jantes) por via terrestre, como é comum acontecer durante os Grande Prémios europeus — por exemplo, pneus para chuva já montados que não tenham sido usados numa prova podem ser aproveitados para a seguinte.

Mas com o primeiro GP a realizar-se na Austrália, a única forma de transportar tudo atempadamente é por via aérea, e quando isso acontece, fica à responsabilidade das equipas, e não da Pirelli, o transporte das jantes.

"De momento a limitação é de que quando desmontamos um pneu de uma jante, colocamos "stress" sobre o seu talão, pelo que, obviamente, não nos dá confiança voltar a montar esse pneu novamente, porque o nível das forças que atuam sobre estes pneus é enorme. Por isso, não queremos correr qualquer risco."

Mario Isola, diretor desportos motorizados da Pirelli

O que vai acontecer aos 1800 pneus não usados?

Como acontece com pneus usados e não usados, a Pirelli vai transportá-los para o Reino Unido, por via marítima. Estes serão previamente destruídos para poderem levar mais pneus por contentor e serão entregues a uma cimenteira perto de Didcot, onde serão queimados a muito elevadas temperaturas, servindo de combustível para produzir energia.

É uma prática comum por parte da Pirelli, onde por norma tem de deitar fora à volta de 560 pneus, sobretudo os de chuva, nos GP realizados fora da Europa. No entanto, esta situação do GP da Austrália é excecional e sem precedentes em desperdício.

GP do Bahrein e GP do Vietname

Os próximos Grandes Prémios no calendário, Bahrein e Vietname, também foram suspensos, estando a ser discutida a sua realização noutra data. Os 1800 pneus por Grande Prémio que são necessários por fim de semana já chegaram aos seus respetivos destinos por via marítima.

Estes, no entanto, ao não terem sido ainda montados nas jantes e por estarem armazenados em contentores com controlo térmico, estarão aptos a ser usados caso ambas as provas sejam realizadas.

Como reduzir o desperdício?

Mesmo que num fim de semana de Grande Prémio tudo corra como previsto, parece ser um enorme desperdício destruir 560 pneus. A Pirelli sabe-o e também procura soluções para este problema. Como refere Mario Isola:

“No futuro, e considerando que teremos apenas um fornecedor e apenas um design standard para as jantes, tentaremos trabalhar em conjunto de forma a encontrar uma solução para montar e desmontar pneus (sem os danificar) e reusá-los. Mas temos de ter certeza de que não há nenhum risco.”

Ele também afirma que estão a investigar muitas formas para reciclar os pneus usados na Fórmula 1. Por enquanto, a melhor solução é aquela que já têm agora, a de servirem como combustível.

Fonte: Motorsport.


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