Desporto motorizado

Paulo Gonçalves. Recorda a carreira do português mais bem sucedido de sempre no Dakar

O rali Dakar reclamou mais uma vítima e, pela primeira vez, um piloto português. Hoje relembramos Paulo "Speedy" Gonçalves.

Se, como eu, acompanhas “religiosamente” cada edição do Dakar, o desaparecimento de um piloto como Paulo Gonçalves provavelmente deixou-te chocado.

Chocado porque era um ícone do mundo do todo o terreno, chocado porque há muito que nos esquecemos dos riscos associados ao Dakar à medida que a segurança na prova foi aumentando, chocado porque desapareceu um dos pilotos com maior fair-play de todo o pelotão do Dakar.

Como é óbvio, seria muito melhor dedicar estas linhas a Paulo Gonçalves depois de este ter alcançado a muito desejada vitória no Dakar. No entanto, o destino não quis que assim fosse e por isso é no pior contexto possível que relembramos aquele que foi o primeiro português a perder a vida no Rali Dakar.

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Paulo Gonçalves
Este ano Paulo Gonçalves tinha ingressado na equipa indiana Hero.

Um exemplo enquanto piloto e ser humano

Escusado será dizer que é preciso muito mais do que saber andar de moto (e gostar) para se embarcar na categoria mais solitária do Dakar. Há qualidades técnicas indispensáveis como a capacidade de orientação, resistência física ou a velocidade pura e depois há as outras qualidades.

Que qualidades? — perguntas tu. Qualidades como altruísmo, solidariedade, perseverança (como a que o levou a trocar o motor da sua moto em plena etapa na edição deste ano do Dakar) e que, curiosamente, todos aqueles que se cruzaram com Paulo Gonçalves ao longo da sua carreira lhe reconheciam.

Face a tudo isto, não admira que o piloto nascido em Esposende a 5 de fevereiro de 1979 fosse já uma lenda do rali idealizado por Thierry Sabine. Acima dos resultados desportivos (que chegaram a ser muito bons), aquilo por que Paulo Gonçalves mais será relembrado era a sua postura.

Paulo Gonçalves © DPPI Media

O melhor exemplo remonta a 2016 quando, em pleno Dakar, Paulo Gonçalves esqueceu a competição e parou para ajudar um piloto que havia caído, ficando com este até que a assistência médica chegasse.

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Uma carreira de sucessos

Como é óbvio, é impossível falar de Paulo Gonçalves sem relembrar os (muitos) sucessos que alcançou ao longo da sua carreira. Com um total de 23 títulos distribuídos pelas categorias de motocross, supercross e enduro, Paulo Gonçalves tinha no Rali Dakar o seu maior objetivo.

 

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We’ll miss you, Paulo. Rest In Peace. #Dakar2020 . 📸 A.S.O. / @dppiimages / @gooden_images . سنفتقدك يا باولو. ارقد بسلام. #داكار2020

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A estreia na maior prova de todo o terreno ocorreu em 2006, mas foi em 2009 e com a passagem do Dakar para a América do Sul que o português começou a dar nas vistas alcançando pela primeira vez o Top 10 (por mais três vezes haveria de ficar por lá).

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O ano de 2013 trouxe-lhe a maior conquista da carreira, quando aos 34 anos se sagrou Campeão do Mundo de TT, igualando Hélder Rodrigues que, em 2011, havia conquistado o mesmo titulo e impondo-se ao espanhol Marc Coma numa época muito disputada.

Ainda nas areias do Dakar, 2015 foi o melhor ano, tendo ficado muito perto da vitória (só não a alcançou porque o motor da sua moto o atraiçoou), alcançando um histórico 2º lugar, a melhor classificação de sempre de um português na prova.

Já este ano, Paulo Gonçalves tinha abraçado uma nova etapa na sua carreira, sempre em busca da muito ambicionada vitória no Dakar. Juntou-se à equipa indiana Hero e com Joaquim Oliveira (o seu cunhado) como colega, Paulo Gonçalves tentava na sua 13ª participação no Dakar alcançar uma vitória que sempre lhe fugiu.

Infelizmente, uma queda ao km 276 da 7ª etapa acabou por ditar o desaparecimento de uma autêntica lenda do todo o terreno, provocando ecos que apenas vieram comprovar o quão acarinhado Paulo Gonçalves era no desporto motorizado e também na sociedade em geral.

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