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Os V12 têm futuro na Ferrari? Nova patente revela que sim

A Ferrari luta pela continuação do motor V12, o motor que a definiu desde as suas origens, adaptando-o às cada vez mais restritivas normas de emissões.

O desafio deve ser imenso — como manter o motor V12, aquele que definiu a Ferrari desde sempre, compatível com as exigências relativamente às emissões?

Uma nova patente, registada no United States Patent and Trademark Office (Registo de Patentes e Marcas dos EUA), revela-nos como a marca do cavalo rampante pretende manter o V12 para a próxima década.

O que vemos nas patentes, parece ser uma evolução do motor V12 atual (F140), usado pelos Ferrari 812 Superfast ou o GTC4Lusso, o que significa que poderá estar para breve a sua revelação.

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As diferenças para o V12 existente residem, essencialmente, na cabeça do motor, onde é possível ver a adição de uma pequena pré-câmara de combustão com a sua própria vela de ignição, imediatamente acima da câmara de combustão principal.

Ou seja, a ignição da mistura ar-combustível pode também ocorrer nesta pré-câmara, mas resta perceber o porquê de a Ferrari ter optado por tal solução.

O objetivo é o de gerar mais calor mais depressa enquanto o motor está frio, o que fará com que os catalisadores atinjam mais rapidamente a sua temperatura ótima de funcionamento (300º C a 400º C), aumentando a sua eficácia e reduzindo as emissões produzidas enquanto o motor não atinge a sua temperatura normal de funcionamento.

Ferrari 812 Superfast
Ferrari 812 Superfast

Para o fazer, em arranques a frio — não confundir com os nossos “Arranque a Frio” —, a pré-câmara ignifica uma primeira mistura de ar-combustível separada da ignição principal, melhorando a mistura pré-ignição ao introduzir gases mais quentes na câmara de combustão principal e gerando mais turbulência.

Desta forma, a ignição principal pode ser atrasada, resultando, pós-ignição, numa expulsão mais rápida dos gases (mais quentes) da câmara de combustão, contribuindo para o período de tempo mais reduzido para os catalisadores atingirem a sua temperatura ótima de funcionamento — quanto mais depressa o sistema aquece, melhor o sistema de tratamento de gases de escape vai funcionar, logo, menos vai poluir.

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A combustão gerada pela pré-câmara gera igualmente mais turbulência, similar aquela que é gerada por um motor que esteja a funcionar em regimes mais elevados, mantendo a combustão estável (evitando pré-detonação).

As elevadas emissões que os motores geram enquanto não aquecem continuam a ser um problema de difícil resolução, devido ao tempo que os catalisadores levam a aquecer. Mais difícil se considerarmos num motor de grandes dimensões como o V12 de um Ferrari.

Ferrari GTC4Lusso
Ferrari GTC4Lusso

A solução da Ferrari não pretende “reinventar a roda”, mas não deixa de ser uma importante evolução para garantir a longevidade do motor V12 e a sua compatibilidade com os cada vez mais exigentes requisitos no que toca às emissões.

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