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Lembras-te deste? Daihatsu Charade GTti, o mil mais temido

Mais sofisticado do que aparenta, o Daihatsu Charade GTti antecipava em 1987 a realidade motriz dos nossos dias, mas com veia bem mais "hardcore"…

Apenas um litro de capacidade, três cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e turbo. Uma descrição aplicável a demasiados carros nos nossos dias, mas no passado chegou a ter um significado bem mais especial e entusiasmante, até pela raridade da solução, e para mais aplicada a um pequeno desportivo como o Daihatsu Charade GTti.

No ano em que foi lançado, em 1987, não havia nada como ele. Ok, havia pequenos desportivos, sem dúvida, mas mecanicamente estavam longe deste nível de sofisticação, exceção feita, talvez, a outro japonês, o Suzuki Swift GTI.

Mas com três cilindros, turbo, intercooler, dupla árvore de cames e quatro válvulas por cilindro, colocavam o Charade GTti num mundo à parte.

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Daihatsu Charade GTti motor CB70
O pequeno, mas sofisticado CB70/80.

O pequeno 1.0 de três cilindros — nome de código CB70 ou CB80, dependendo onde era vendido —, debitava 101 cv às 6500 rpm  e 130 Nm às 3500 rpm, mas tinha pulmão e grande à vontade para chegar às 7500 rpm (!), conforme relatos da época. Compare-se com os mil atuais que no geral, ficam-se pelas 5000-5500 rpm…

Os números são modestos, sem dúvida, mas em 1987 era o motor de 1000 cm3 mais potente do mercado e, segundo consta, foi o primeiro motor de produção a ultrapassar a barreira dos 100 cv/l.

101 cv muito saudáveis

Apesar dos 101 cv não parecerem muito, há que recordar que na altura pequenos carros como o Charade eram pesos-pluma, conseguindo esmifrar dos seus blocos prestações que os números modestos por vezes não deixavam adivinhar.

Daihatsu Charade GTti

Com um peso à volta de 850 kg e uma caixa manual de cinco velocidades escalonada para os números do motor e não para os consumos, permitiam prestações muito respeitáveis, ao nível e até melhor do que alguma da concorrência — até outros turbo como o primeiro Fiat Uno Turbo i.e. — como atestam os 8,2s para atingir os 100 km/h e 185 km/h de velocidade máxima.

Tal como acontece com os pequenos motores turbo de hoje, de resposta linear e aparentemente sem turbo lag, também o Charade GTti partilhava de características semelhantes — o turbo tinha apenas 0,75 bar de pressão. E apesar do foco na performance e da presença de um carburador, os consumos até se podiam considerar comedidos, na ordem dos 7,0 l/100 km.

Feito para conduzir

Felizmente as prestações eram acompanhadas por um excelente chassis. De acordo com testes da época, apesar de referências como o Peugeot 205 GTI superiorizarem-se no capítulo dinâmico, o Charade GTti não ficava muito atrás.

A sofisticação da mecânica encontrava paralelo na suspensão, independente nos dois eixos, sempre de esquema MacPherson, trazia barras estabilizadoras, conseguindo extrair o máximo dos estreitos pneus 175/60 HR14, que escondiam travões de disco tanto à frente como atrás — apesar de tudo, a travagem não era famosa, mas também não o era nos seus pares…

De resto, o Daihatsu Charade GTti era o típico utilitário japonês da época. De linhas arredondadas e aerodinamicamente eficazes, apresentava janelas de grande dimensão (ótima visibilidade), espaço suficiente para quatro pessoas, e o interior era o que se esperava de um carro japonês, robusto.

Daihatsu Charade GTti

O GTti destacava-se dos restantes Charade graças a jantes de desenho desportivo, spoiler dianteiro e traseiro, dupla saída de escape e por fim, mas não menos importante, a barra lateral na porta com a descrição do arsenal a bordo: Twin Cam 12 valve Turbocapaz de instar o terror no olhar de quem a lesse… 

O Daihatsu Charade GTti tornar-se-ia um sucesso a vários níveis, até na competição. Devido ao seu motor turbo, chegou a imiscuir-se entre máquinas bem mais possantes, conseguindo até um significativo resultado no Rally Safari de 1993, ao alcançar os 5º, 6º e 7º lugares na geral — impressionante… à sua frente só ficou uma armada de Toyota Celica Turbo 4WD.

Daihatsu Charade GTti

Não deixa de ser curioso encontrar em 1987 o arquétipo do automóvel compacto atual, sobretudo considerando a escolha para a sua locomoção. Hoje em dia são bem mais comuns pequenas máquinas com tónica na performance equipadas com pequenos tricilíndricos sobrealimentados — desde o recente Volkswagen up! GTI, ao Renault Twingo GT… e porque não o Ford Fiesta 1.0 Ecoboost?

Fica apenas a faltar algo com a veia mais hardcore e aditiva do GTti…


Sobre o “Lembras-te deste?”. É a rubrica da Razão Automóvel dedicada a modelos e versões que de alguma forma se destacaram. Gostamos de recordar as máquinas que outrora nos fizeram sonhar. Embarca connosco nesta viagem no tempo aqui na Razão Automóvel.

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