Salão de Paris 2018

No futuro da Renault existem “carros-robô”

Estávamos à espera do novo Clio, mas não. A Renault encheu Paris com concepts, dois deles para um futuro autónomo e outro que antevê um novo elétrico.

Excetuando a introdução do atualizado Kadjar, a Renault, a jogar em casa, acabou por não trazer novidades de monta até Paris. Mas o que faltou em novos modelos — sim, Clio, estou a falar de ti… —, compensou em grande com a apresentação de novos concepts.

Dois deles claramente com olhos postos num futuro mais longínquo, e um terceiro, bem mais próximo, antecipa um futuro modelo 100% elétrico acessível.

K-ZE, elétrico barato… para a China

E começamos precisamente com este último, o Renault K-ZE, baseado no pequeno Kwid, um citadino “low-cost”. Aliás, não é muito mais do que o próprio Kwid com elementos de estilo específicos e locomoção elétrica.

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Renault K-ZE
Carlos Ghosn, CEO da Renault, Nissan e Chairman da Mitsubishi, junto com o Renault K-ZE no Salão de Paris

Não ficámos a saber muito sobre este modelo — anuncia 250 km de autonomia, mas de acordo com o desatualizado ciclo NEDC… a autonomia real deverá ser inferior —, como também não se compreende muito bem o porquê da sua ida a Paris.

Isto porque o Renault Kwid, modelo que se encontra à venda desde 2015, não é vendido na Europa. Trata-se de um modelo “low cost”, produzido na Índia e no Brasil, e vendido nos chamados mercados emergentes. Já se tinha discutido a hipótese do Kwid vir para a Europa, até como Dacia, mas esses planos nunca chegaram a bom porto.

O K-ZE, ao antecipar a variante elétrica do modelo prevista para 2019, dificilmente chegará à Europa — seria posicionado abaixo do Renault Zoe —, tendo como alvo inicial e preferencial, o mercado chinês, que já é o maior mercado do mundo para veículos elétricos. Não será apenas vendido na China, como será produzido lá, permitindo anular as pesadas tarifas de importação.

O futuro autónomo segundo a Renault

Temos visto inúmeros concepts a antecipar o automóvel autónomo, e a Renault não quis ficar para trás. No último Salão de Genebra tivemos contacto com o primeiro concept da família EZ (lê-se Easy, ou fácil, em inglês), o EZ-GO, que antecipava um futuro elétrico, autónomo e partilhado — o táxi do futuro, basicamente.

Agora em Paris, a Renault dá a conhecer o EZ-PRO e o EZ-ULTIMO, que expandem as possibilidades desse conceito inicial. Tal como o primeiro EZ-PRO, os restantes concepts EZ partilham com este diversas características, nomeadamente, condução autónoma nível 4 e a presença do sistema 4Control, ou seja, quatro rodas direcionais.

Se o primeiro, o EZ-PRO, antevê o que poderá ser a entrega de mercadorias urbanas; o segundo, o EZ-ULTIMO é uma derivação cheia de estilo e luxuosa do mesmo conceito do EZ-GO, apostando em serviços de mobilidade premium.

A “van” do futuro

O EZ-PRO, apresentado inicialmente no mês de setembro no Salão de Hannover — dedicado aos veículos comerciais —, foi desenhado para se integrar anonimamente no ambiente urbano. O carro-robô é, essencialmente, uma “caixa” com rodas, aproveitando todo o seu volume para transporte de mercadorias.

Renault EZ-PRO

A Renault imagina o EZ-PRO como dois veículos. Um primeiro, o líder, com um humano a bordo, seguido de uma frota de outros EZ-PRO, como se tratasse de um pelotão, apenas para transportar mercadorias. O “condutor” ou “concierge” como a Renault o denomina, supervisiona o itinerário e os “robô-pods” autónomos. O veículo líder, ainda com um humano presente, pode assumir o controlo manual do veículo com recurso a um joystick.

Renault EZ-PRO Renault EZ-PRO Renault EZ-PRO

A vantagem de ter veículos de entrega autónomos e partilhados, é que o cliente final pode decidir exatamente quando e onde deseja receber a sua encomenda. A Renault afirma que veículos como o EZ-PRO podem igualmente contribuir para a redução de tráfego nas cidades — atualmente, 30% do tráfego nas cidades é composto por veículos de entregas —, ao reduzir o número de veículos em circulação.

Automóvel de luxo reinventado?

O EZ-ULTIMO é a visão da Renault para futuros serviços de mobilidade, como transporte de passageiros via plataformas eletrónicas ou shuttles, aqui numa vertente claramente premium. Num cenário futurista, não poderíamos comprar o EZ-ULTIMO, mas sim chamá-lo para nos levar do ponto A ao B, num ambiente luxuoso e com forte aposta no conforto.

Renault EZ-ULTIMO

O interior é desenhado como se tratasse de um lounge, ao qual acedemos através de uma larga abertura. No interior, protegido de olhares indiscretos, podemos encontrar materiais como madeiras, pele e até… mármores.

O conceito de mobilidade continua a evoluir, com a marca francesa a acreditar que os clientes irão procurar experiências a bordo mais enriquecedoras, já que deixam a tarefa de conduzir para o veículo. Nesse sentido, o EZ-ULTIMO estreia o conceito Augmented Editorial Experience ou AEX. Essencialmente trata-se de uma experiência imersiva que combina conteúdos premium personalizados, experiências multimédia e mobilidade, transformando uma viagem, por exemplo, numa experiência de aprendizagem.

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Renault EZ-ULTIMO

Tal como já vimos em concepts semelhantes, tanto da Mercedes-Benz como da Audi, o EZ-ULTIMO é um veículo de grandes dimensões, com 5,7 m de comprimento e 2,2 m de largura, mas muito baixo, com apenas 1,35 m de altura.

Será este tipo de veículos o automóvel de luxo do futuro?

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