Viajar na maionese

Estes são os carros que me fizeram sonhar. E os teus quais são?

Há dois meses que ando para escrever esta crónica. Decidi que não podia passar de hoje. Quanto à imagem de destaque, mais para a frente vais perceber o porquê.

Normalidade. É algo que combato diariamente. Não quero habituar-me à ideia que é «normal» ter todas as semanas à minha espera — nem sempre acontece, é verdade… — um carro de sonho na garagem da Razão Automóvel.

Uma realidade para mim, um sonho para qualquer petrolhead. E por isso mesmo, é um sonho que eu não quero que seja corrompido pelo sentimento de “ah e tal isto é normal…”. Não é normal…

Tudo aquilo que a Razão Automóvel alcançou em apenas seis anos não é normal. É único.

Os carros que me fizeram sonhar

Há duas semanas voltei a sentir neste teste, que o meu trabalho é algo verdadeiramente especial — acho que ficou bem patente nas minhas reações. Tenho um trabalho de sonho, e por isso decidi que tinha de dedicar umas linhas a escrever sobre os carros que me fizeram sonhar. Em parte, esses carros são os grandes responsáveis por esta paixão que teima em não desaparecer.

Lembrei-me deles porque cruzei-me com um dos meus carros de sonho de infância: o Nissan Micra 1.3 Super S.

Nissan Micra 1.3 Super S
Nissan Micra 1.3 Super S. Infelizmente não arranjei nenhuma foto melhorzinha…

Este encontro imediato aconteceu na Ponte Vasco da Gama, eram umas 7h30 da manhã, vinha para o escritório. O orgulho do rapaz que o conduzia era contagiante — tanto ele como o carro deviam ter mais ou menos a mesma idade. Como é que eu sei que ele estava orgulhoso do carro? Pelo estado imaculado em que se encontrava aquele Nissan Micra 1.3 Super S. Tinha algumas modificações é verdade, mas apenas as suficientes para enaltecer o caráter do carro ao invés de o estragar.

Buzinei e acenei-lhe em jeito de “grande carro pá!”. A resposta não se fez esperar… ao fim de um 15 segundos passou por mim a mostrar toda a vida que ainda havia debaixo daquele capot. Pelo som que o escape emitia e pela forma como galgava rotações ainda tinha muita vida…

Lembrei-me do Nissan Micra 1.3 Super S, lembrei-me do Renault Spider, do Audi A8, do BMW Série 7, do Volvo 850 R, do Porsche 911 e claro… McLaren F1.

Na cabeça de uma criança

Consigo lembrar-me perfeitamente dos motivos que me fizeram gostar de cada um destes modelos. No caso do Nissan Micra 1.3 Super S a grande culpada foi a revista Automotor. Testaram uma versão de troféu — em tons cinza — e ao lado, nas fotografia, colocaram a versão de série.

Perdi a conta às vezes que folheei aquelas páginas.

Fartei-me de gastar gasolina ao volante das palavras de quem escreveu aquele ensaio. Queria tanto ter um carro daqueles. Era suficientemente excitante, mundano e… acessível. Sabia que um dia podia ter um e acho que esse foi um dos motivos que me levou a gostar do carro de forma tão intensa.

Estás a ver este Micra? Não tem nada a ver com aquele que eu vi. Este está pior.

O Renault Spider era porque não tinha vidro à frente. Gostava do design, do minimalismo, de tudo. As cores cinza e amarelo transportavam-me para outro mundo. A possibilidade de poder andar de carro e de capacete convenceu-me. Ganda pinta!

Renault Spider
Renault Spider. Motor 2.0 litros, baixo peso e motor central. Épico certamente!

O Audi A8 era um portento de tecnologia. Era o primeiro Audi com chassis construído em alumínio e foi mais ou menos por essa altura — 1995 talvez — que comecei a interessar-me verdadeiramente pela parte mais técnica.

Audi A8 4.2 V8
Audi A8. Sabes que estás a ficar velho quando os carros que gostavas na infância tem fotos a preto e branco.

Até então o meu conhecimento técnico limitava-se a dizer de «cor e salteado» a potência de todos (todos!) os carros à venda no mercado. Acho que nem hoje consigo fazer isso…

O BMW Série 7 foi outro amor à primeira vista. Ainda hoje considero que o E38 é o Série 7 mais bonito da história. Comprido, largo e baixo. Por dentro tudo fazia sentido na minha cabeça. Principalmente o opcional que permitia equipar esta berlina de luxo com um frigorífico.

BMW Série 7
BMW Série 7. Nunca mais fizeram uma versão tão elegante quanto esta. Na minha modesta opinião…

O Volvo 850 R encarnado que passeou durante vários meses nas mais diversas revistas foi outro dos modelos que me fez sonhar. Bolas o carro era lindo! Já apresentava linhas desfasadas face à tendência da época mas continuava a ter uma presença brutal.

Tanto assim é que ainda hoje continua a ser um dos Volvo mais cobiçados no mercado de usados.

Volvo 850 R
Volvo 850 R. Aqui na versão carrinha, igualmente fantástica.

Finalmente o Porsche 911. O Porsche 911 era e continua a ser o Porsche 911… havia um em Grândola, terra onde eu nasci, e ficava a tremer cada vez que o via e ouvia a passar.

Porsche 911 993
Porsche 911. Era assim, sem tirar nem por!

Tinha uma miniatura da Bburago do 911 e até evitava brincar com ela para não a estragar. Era quanto eu gostava do Porsche 911.

Queres que continue?

Não estranhes a falta de carros exóticos. Essa paixão veio depois dos 10 anos, quando já tinha maior capacidade de entendimento. Parece que poder vê-los e ouvi-los era condição para gostar deles até uma certa idade.

Outro carro que eu achava simplesmente fantástico, o Volkswagen Passat B5.

Volkswagen Passat
Volkswagen Passat. Era lindíssimo quando saiu e um verdadeiro avanço em todos os sentidos face à geração anterior.

Convenci os meus pais a comprar um mas o tempo de espera era de 6 meses… consumi o catálogo que trouxe do stand da Volkswagen em Setúbal — onde agora é um restaurante brasileiro — como se não houvesse amanhã durante muitos meses. Tivesse eu lido tanto os livros da escola…

SEAT Alhambra — sim, esta é a parte em que podes gozar comigo por esta lista de carros de sonho ter um MPV. O facto da SEAT Alhambra ser fabricada em Palmela e de o meu padrinho trabalhar lá, fazia com que os monovolumes nascidos em Portugal fossem os melhores do mundo.

SEAT Alhambra
SEAT Alhambra.Durante 3 anos foi o meu carro. Tinha 22 anos e andava de monovolume. Foi épico por diversos motivos…

Houve uma revista que ousou dar a vitória à Renault Espace num confronto com a SEAT Alhambra. Nunca mais a comprei. Dos carros que vos falei, a SEAT Alhambra foi o único que possuí.

Abandonou a minha companhia com mais de 550 000 km e ainda a vender saúde.

Uma última referência para outro monovolume — lembra-te que eu era uma criança! Adorava a Volkswagen Sharan VR6, achava que aquilo era um avião. Culpem o meu padrinho que trabalhava lá…

Volkswagen Sharan
Volkswagen Sharan. Até tinha pinta não achas?

A excepção à regra

O McLaren F1 não é apenas um supercarro. É para mim o melhor carro do mundo… de sempre. Ponto. Se me esquecer deste, claro…

O impacto mediático que teve na época dificilmente poderá ser alcançado por outro modelo.

melhor carro do mundo.
McLaren F1. Senhoras e senhores, o melhor carro do mundo.

A velocidade, a potência, a tecnologia. Enfim, tudo! Andei à procura de um anúncio da Mobil com o McLaren F1 mas não encontrei. Lembro-me de ficar siderado a olhar para esse anúncio.

Eventualmente o Ferrari F40 poderá até ter conseguido um impacto maior, mas eu sinceramente não me lembro. Era demasiado novo para lembrar-me.

Há outro carro que me fez sonhar mas vou falar dele noutra ocasião: o Ford GT90. Belo, belo, belo!

Agora és tu…

Agora que sabes quais os carros que eu gostava na minha infância — faltam muitos na verdade… — gostava de saber quais os carros que te fizeram sonhar. Sonhar verdadeiramente! Daqueles que até chateavas os teus pais para ser o próximo carro da família e que hoje até é eventualmente um verdadeiro charuto.

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