Desde 105 210 euros

Teste completo. O BMW 740e iPerformance tem 4 cilindros e liga-se à tomada

É o primeiro Série 7 a receber um motor de 4 cilindros. A beleza de um motor V12 ou a sonoridade de um seis em linha não moram aqui. Faz sentido? Passei uma semana ao volante desta versão do porta-estandarte da marca bávara para encontrar uma resposta.

Guardem as vossas armas, pois sou apenas o mensageiro. É a primeira coisa que me vem à cabeça quando começo a escrever o teste do BMW 740e iPerformance.

No nosso canal de YouTube encontras este teste também em vídeo. É mesmo verdade, a Razão Automóvel de sempre, agora também no YouTube (e o Natal é só em dezembro!).

Primeiro, o exterior.

O exterior é exatamente igual ao dos outros BMW Série 7, não fosse a entrada para uma tomada elétrica à frente do lado esquerdo, o BMW 740e iPerformance passava bem por uma versão diesel ou 100% a gasolina. Sim, na traseira lê-se “740e”, mas tirem a designação do modelo e o logótipo “eDrive” et voilá!, temos um BMW Série 7 como outro qualquer.

Os mais de 5 metros de comprimento são difíceis de dissimular. A nossa unidade, equipada com o Pack Desportivo M (3.617,89€) e calçada com pneus 245/40 R20 à frente e 275/35 R20 atrás, pretende tudo menos que passemos despercebidos. As jantes de 20 polegadas (1.097,56€), tornam esta proposta ainda menos tradicional e bem mais visível.

Para compor o look exterior, o pack desportivo M adiciona-lhe um pacote aerodinâmico que inclui um difusor traseiro específico e para-choques desportivos. Temos um BMW Série 7 Plug-in híbrido com um aspeto pouco eco e mais sport do que seria de esperar.

Fica-lhe bem? Claro que sim. Faz sentido? Nem por isso. Pneus mais largos e apêndices estéticos significam maiores consumos, logo menos eficiência energética. É um contra-senso.

Interior. À frente ou atrás?

Passando para o interior, os detalhes alusivos a uma versão com pack desportivo M continuam a marcar presença. Começando logo nas soleiras das portas, que apresentam o logótipo da divisão M retroiluminado.

BMW 740e iPerformance
E vocês, preferem ir sentados atrás ou ao volante?

Mas aqui, mais do que os detalhes da divisão M que acabam por ser escassos perante outras centenas de detalhes que encontramos, importa saber se estamos melhor ao volante ou no banco traseiro, a disfrutar da viagem. Comecemos pelo prazer de sermos conduzidos.

Ser conduzido

No banco traseiro do nosso BMW 740e encontramos o “Executive Lounge”, o expoente máximo do conforto e do luxo da marca bávara. Sim é um plug-in híbrido e tem um motor de 4 cilindros debaixo do capot, mas no interior vive-se o verdadeiro ambiente executivo de um BMW Série 7.

Os ecrãs traseiros não são táteis. Se estiverem duas pessoas no banco traseiro, têm de dividir a utilização do tablet, sendo esta a única forma de navegar entre os menus dos ecrãs. Pouco majestoso não acham?

Os materiais escolhidos ajudam, a começar pelos bancos em pele integral “Merino” na cor Tartufo (castanho, para os amigos). Se é o opcional que mais impacto tem no interior deste BMW 740e iPerformance que testámos é também o mais caro: 7.398,37€. Há citadinos com um preço similar a este opcional.

A consola central traseira, ou se preferirem, apoio de braços, é morada de um pequeno tablet que nos permite controlar o veículo. Com este tablet, podemos controlar as cortinas laterais e traseira, ar condicionado, cores e intensidade da iluminação interior, intensidade do perfume a bordo, massagens, rádio, monitorizar a velocidade e consumos, GPS, serviços Connected Drive BMW nos quais se inclui o Concierge da BMW, um assistente pessoal que está à distância de uma chamada, etc.

Essas informações são apresentadas nos ecrãs TFT instalados nas costas dos bancos dianteiros e onde podemos ver também TV (1.056,91€). Se preferem o nosso canal de YouTube à televisão, também está disponível.

Tenho de vos confessar que a minha preocupação durante todo o ensaio foi perceber se podia ligar uma PlayStation lá atrás (existe uma entrada HDMI…). Enfim, sou um jovem, não me julguem. Acabei por não ligar a PlayStation, mas prometo que vai acontecer…

Ginásio incluído

Já conduzi as principais berlinas de luxo deste segmento: o novo Audi A8, novo Mercedes-Benz Classe S e até o novo e extravagante Lexus LS 500h. Mas fiquei fascinado com o Programa de Revitalização BMW disponível neste BMW 740e.

BMW 740e iPerformance
À frente os ocupantes também podem treinar truques de magia. O sistema de infoentretenimento está equipado com controlo por gestos.

É um programa de exercícios que podemos fazer durante a viagem ou com o carro parado. Os bancos traseiros estão equipados com placas medidoras de pressão e o objetivo é fazermos alongamentos com os braços, coluna e pernas, pressionado-os contra o banco e enchendo os gráficos de força apresentados no ecrã traseiro.

Ao volante

Não se pode dizer que o BMW Série 7 é o automóvel mais entusiasmante de conduzir, tal como qualquer outra berlina de grandes dimensões. São acima de tudo uma experiência de conforto, de poder, de um certo dinamismo no caso do nosso BMW 740e por ser um tração traseira.

BMW 740e iPerformance
Calças a condizer com o interior, juro que não foi de propósito.

Numa estrada sinuosa, uma berlina com mais de 5 metros de comprimento tende a acusar o peso do seu maior propósito: o conforto. No entanto, esta unidade, equipada com Direção Ativa Integral (1.219,51€), consegue disfarçar muito bem o seu tamanho.

Com este sistema, até aos 60 km/h as rodas traseiras e dianteiras viram em direções opostas. A 60 km/h ou mais, viram no mesmo sentido. A velocidades reduzidas e devido à Direção Ativa Integral o nosso BMW 740e iPerformance sente-se ágil, transmitindo a sensação de uma distância entre eixos mais curta. A velocidades mais elevadas e porque as rodas viram no mesmo sentido, sente-se mais estável e existem menos oscilações da carroçaria.

A potência combinada de 326 cv (258 cv do motor TwinPower Turbo de 2.0 litros com 400 Nm, combinado com o motor elétrico de 113 cv com 250 Nm) é mais do que suficiente para mover o BMW 740e iPerformance. As prestações são interessantes: 5.4 seg. dos 0-100 km/h e 250 km/h de velocidade máxima limitada eletronicamente.

RELACIONADO: Como é calculada a potência combinada dos automóveis híbridos?

O volante desta versão equipada com um pack M é excelente, um dos melhores do segmento (o melhor talvez?). As patilhas são generosas e de frieza perfeita, adoro quando toco nas patilhas de um volante e consigo sentir a diferença dos materiais. A sensação que transmite a direção eletricamente assistida não é excessivamente filtrada, permite sentirmos a estrada apesar de não ser de todo o objetivo desta proposta.

O motor?

O motor de 4 cilindros não tem a suavidade de um seis em linha ou de um V12, nem era de esperar que o tivesse. Por outro lado, a baixa velocidade e em acelerações de média intensidade, o motor elétrico ajuda a tornar a experiência de condução mais silenciosa do que nos outros BMW Série 7.

BMW 740e iPerformance

Quando carregamos no acelerador de forma vigorosa, o motor de quatro cilindros começa a “cantar”. É nessa altura que percebemos, que apesar de toda a majestosidade da nossa experiência a bordo, não comprámos bilhete para uma ópera rolante…

Ainda assim, gostei muito mais de conduzir o BMW 740e iPerformance do que estava à espera. Tenho de “tirar o chapéu” à BMW por construir um modelo focado na eficiência e que não compromete as sensações ao volante.

Três modos de utilização elétrica

Através do botão eDrive é possível selecionar três modos de utilização elétrica. No arranque é ativado por defeito o modo AUTO eDrive (híbrido). O modo MAX eDrive permite uma condução 100% elétrica até 140 km/h e no modo Battery Control, a energia das baterias é reservada para ser consumida posteriormente.

Este último modo, será muito mais útil num cenário em que tivermos de circular em modo 100% elétrico em algumas zonas urbanas.

BMW 740e iPerformance

Não confundam estes modos com os modos de condução. Os modos de condução Eco-pro, comfort, sport, sport+ e adaptative marcam presença, sendo o modo adaptative aquele que mais utilizei: o BMW 740e iPerformance altera o acerto da direção, rigidez da suspensão e sensibilidade do acelerador consoante o nosso comportamento ao volante.

As baterias do BMW 740e iPerformance

O peso que o pack de baterias de 9,2 kWh acrescenta face a um BMW Série 7 não eletrificado também não ajuda e a versatilidade também sai beliscada, ainda que ligeiramente.

BMW 740e iPerformance

Porquê? O depósito de combústivel teve ser reduzido para 46 litros de capacidade. Tradicionalmente instalado debaixo dos assentos traseiros, foi movido para junto da suspensão traseira para dar lugar às baterias de lítio. O resultado final desta cedência são cerca de 40 km de autonomia elétrica.

É possível atingir esta marca? É, mas temos de ser muito disciplinados e encontrar a estrada ideal para o efeito. Se percorremos 30 km em modo 100% elétrico só com um carregamento, somos o Yoda da eficiência energética.

Faz sentido?

A grande questão que se impõe é se faz sentido uma proposta como o BMW Série 7 ser apresentada num versão plug-in híbrida. Versão esta que não tem assim tanta autonomia elétrica quanto seria de esperar e que faz cedências ao nível do número de cilindros disponíveis, para dar lugar a um bloco mais eficiente.

Convenhamos que 30 km de autonomia elétrica real sabem a pouco. Mas numa utilização diária, onde nos responsabilizamos por carregar sempre as baterias, é uma solução vencedora. O facto de terem de ser reunidas as condições perfeitas para aproveitar ao máximo a autonomia elétrica, deixam-me céptico em relação à real eficácia desta tecnologia. Para ser verdadeiramente eficaz, as baterias têm de ter maior capacidade.

Ainda assim, se acham o Diesel uma opção, pensem duas vezes: a versão Diesel equivalente, o BMW 740d, é quase 30 mil euros mais cara do que o BMW 740e iPerformance.

BMW 740e iPerformance
“Ao volante do BMW 740e iPerformance.” Esta vai ficar bem no Instagram.

Deixando a tradição de parte, no final do dia, o BMW 740e iPerformance é provavelmente a proposta mais equilibrada da gama.

Conserva o luxo, o conforto e muitas das sensações. Sim, mesmo com um motor de 4 cilindros debaixo do capot, é um verdadeiro BMW Série 7.

 

 

Preço

unidade ensaiada

157.750

Versão base: €105.210

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: Quatro cilindros em linha + motor elétrico (plug-in híbrido)
    • Capacidade: 1998 cm3
    • Potência: 326 cv (combinada) às 4600 rpm
    • Binário: 500 Nm
  • Transmissão
    • Tracção: Traseira
    • Caixa de velocidades: Automática 8 velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Jantes / Pneus: 245/40 R20 (fr) - 275/35 R20 (tr)
    • Peso: 1900 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 2,1 l/100 km
    • Emissões de CO2: 49 g/km
    • Vel. máxima: 250 km/h
    • Aceleração: 5,4 seg.
Extras
Cor exterior Castanho Almandine metalizado (2.024,39€); Pele Integral "Merino" BMW Individual Tartufo/Preto (7.398,37€); Direção ativa integral (1.219,51€); Fecho suave das portas (577,24€); Pack Desportivo M (3.617,89€); JLL 648M 20" F:245/40R20 T:275/35R20 (1.097,56€); Luzes de nevoeiro em LED (1.260,16€); Forro do teto Alcantra BMW Individual (1.032,52€); Frisos int. BMW Indiv. Madeira nobre eucalipto Castanho Smoke de alto brilho (674,80€); Cortinas eléctricas do óculo traseiro e vidros laterais traseiros (1.048,78€); Vidros com proteção solar (439,02€); Pack de fumadores (48,78€); Ventilação ativa dos bancos dianteiros (691,06€); Sistema de carregamento entre os bancos (130,08€); Pack aquecimento Comfort (715,45€); Pack Ambient Air (276,42€); Função de massagem nos bancos traseiros (926,83€); Controlos com detalhes em cerâmica (479,67€); Sistema de lavagem dos faróis (227,64€); Assistente de condução Plus (1.609,76€); BMW Laserlight (2.479,67€); Surround View (626,02€); Assistente de estacionamento (300,81€); Função TV (1.056,91€); BMW Head-UP Display (1.170,73€); Sistema de som Surround Bowers & Wilkins Diamond (4.747,97€) Sistema multimédia Professional para bancos traseiros com iDrive (2.609,76€) Conectividade aparelhos móveis, Bluetooth e USB com carregamento wireless (585,37€)
Avaliação
7 / 10
Luxo e conforto como o BMW Série 7 sempre nos habituou. Já a identidade do modelo não fica intacta quando temos debaixo do capot um "simples" motor de 4 cilindros. Ainda assim, a BMW tentou o seu melhor para proporcionar uma boa experiência ao volante. Como plug-in híbrido podia ser um melhor exemplo de poupança de combustível: o pack de baterias de 9,2 kWh é pequeno para uma proposta com estas dimensões, é algo a rever no futuro.
  • Conforto
  • Possibilidades de personalização
  • Dinâmica
  • Prestações
  • Consumos
  • Ecrãs traseiros não são táteis
  • Depósito do combustível pequeno

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