Ao volante

Já conduzimos o novo Dacia Duster. Vale a pena esperar?

Foi pelas estradas gregas que conduzimos pela primeira vez o novo Dacia Duster. Os engenheiros da marca estão de parabéns. Está muito melhor.

Em Creta, Grécia

O novo Dacia Duster chega no início do próximo ano a mais de 100 países em todo o mundo… todo o mundo, excepto Portugal. Porquê? Por causa das malfadadas regras nacionais de classificação dos veículos nas autoestradas.

O novo Dacia Duster de perfil.

A Dacia avançou o para-brisas do novo Duster em 100 mm, devido às melhorias operadas no habitáculo. Esta alteração foi o suficiente para empurrar o Duster para a Classe 2 nas autoestradas, ainda que em termos estruturais seja o mesmo carro de sempre. Absurdo, não é?

Então e agora?

Como sabes, o Dacia Duster é um dos modelos mais vendidos da marca franco-romena em Portugal. Num modelo como este, onde o preço e os custos de utilização reduzidos contam imenso, classificá-lo como Classe 2 seria condená-lo ao fracasso.

A Razão Automóvel e o novo Dacia Duster por terras gregas.

Em declarações à Razão Automóvel, um dos responsáveis da marca em Portugal afirmou que o novo Dacia Duster “será garantidamente Classe 1 nas autoestradas nacionais”. A marca está a encetar esforços junto da equipa de desenvolvimento do modelo para tentar perder os «milímetros da discórdia» — sem dizer onde nem como — e está também a tentar sensibilizar o Governo português para a necessidade de alterar os critérios de classificação dos modelos.

Não é a primeira vez que a Renault Portugal faz esta «ginástica» para evitar a Classe 2. Lembras-te do Renault Kadjar? A novela completa está aqui.

Vale a pena esperar?

A marca afirma que o novo Dacia Duster chega a Portugal em 2018, sem indicar no entanto em que mês. “Não está totalmente dependente de nós, e não queremos assumir datas com os nossos clientes que não possamos cumprir”, disse-nos um dos responsáveis.

A traseira ganhou volume, porém a capacidade de mala diminui ligeiramente.

Dito isto, impõe-se a seguinte questão: “estou a pensar comprar um Dacia Duster, vale a pena esperar, Guilherme?”. Bem, a menos que os típicos descontos que as marcas fazem nos modelos em fim de vida valham a pena, a minha resposta é categórica: vale a pena esperar! E não será assim tanto tempo…

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Muito melhor

A terceira geração do Duster está a anos luz da primeira geração — um dos muitos nomes do romeno Aro 10 —, e muito distante da atual geração, apesar de partilharem a mesma plataforma, suspensões e em alguns casos até o mesmo motor — como é o caso do veterano 1.5 dCi de 110 cv.

Então, está «muito melhor» onde? No interior. O novo Duster melhorou naquele que era o seu principal defeito: o interior.

Do anterior Duster não sobrou quase nada.

Os plásticos continuam a ser rijos, mas a montagem, a ergonomia e a apresentação fazem corar o modelo atual.

Os bancos dianteiros e o volante também são novos e oferecem mais conforto e apoio. Além disto, o isolamento acústico também foi todo revisto e o novo Duster é mais silencioso que os seus antecessores — mesmo muito.

Ena… tantos botões.

Como ponto negativo apenas temos a destacar a perda de algum espaço interior, fruto do aumento da dimensão de todos os revestimentos do habitáculo, mas quase não se nota.

A lista de equipamento também ganhou itens importantes: cruise control, sistema de ignição sem chave, câmaras de estacionamento 360º, airbags de cortina, ar condicionado automático, avisador de ângulo morto, hill-hold assist, entre outras novidades.

Finalmente o volante aproveitado da 2ª geração do Twingo e que equipava o Duster foi para a reforma.

Quanto ao design exterior, é a derradeira evolução de uma linha estreada em 2011. Em grande medida, perdeu o aspeto barato, mantendo-se igual a si mesmo.

Luzes com quatro pontos de luz. Parecidas às do Jeep Renegade? Sem dúvida.

Em estrada

As suspensões, chassis e travões não sofreram nenhuma alteração que se reflita na dinâmica — houve alterações no chassis, é verdade, mas apenas para melhorar a absorção de energia em caso de acidente. Apesar disto, senti o novo Dacia Duster mais bem comportado e seguro em curva.

Agora a estrada é enfrentada com outra decisão.

A explicação reside na nova caixa de direção elétrica que já não tem o feeling de uma… batata. Esta alteração juntamente com o recurso a pneus com um perfil mais baixo transformaram o comportamento do Duster para melhor. A nossa confiança ao volante sai reforçada.

No mato

Perdão… numa pedreira. Testei o novo Dacia Duster num percurso de obstáculos preparado pela marca numa pedreira grega. Se fiquei impressionado? Nem por isso.

Os obstáculos que a Dacia nos colocou não constituíam um verdadeiro desafio para a versão 4×4 do Duster. Sabendo de antemão que o sistema de tração e as suspensões são as mesmas da geração anterior, já passei por sítios bem piores com este modelo. Não há nenhum SUV deste segmento tão capaz em todo-o-terreno quanto o Duster.

Preço do novo Dacia Duster em Portugal

O novo Dacia Duster vai estar disponível em Portugal nas versões 4×2 e 4×4, com motorizações a gasóleo e a gasolina, com caixa manual ou automática de dupla embraiagem EDC. Na versão a gasóleo contamos com um 1.5 dCi de 110 cv (a versão de 90 cv não será comercializada entre nós) e na versão a gasolina contamos com um 1.2 TCe de 125 cv.

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Quanto a preços, não são esperadas alterações significativas. Nos restantes mercados europeus, as versões base do novo Dacia Duster não sofreram qualquer agravamento face à geração que cessou funções. Isto significa que podemos esperar que o novo Dacia Duster em Portugal seja vendido por um valor próximo dos 15 000 euros.

Eu disse que valia a pena esperar…

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