Propostas crescem em número e interesse

Pick-up. Um novo case study no mercado europeu?

Outrora meros veículos de trabalho, as pick-up começam a despertar atenções. Não apenas por parte das marcas, mas também do público. Um novo case study?

Consideradas em tempos propostas menores na oferta da maior parte dos construtores que actuam na Europa, as pick-up começam, no entanto, a ganhar particular destaque. Especialmente, com a entrada em cena das marcas premium, como é o caso da Mercedes-Benz e da sua Classe X. No entanto, a verdade é que não é apenas a marca da estrela a olhar para este segmento como um novo e possível filão!

Até aqui nas mãos da Ford, que tem dominado com a Ranger o segmento nos últimos anos, o mercado europeu das pick-up começa agora a estar debaixo de olho de outros contendores — Renault, Fiat e futuramente, até o grupo PSA. Todos querem conquistar o seu quinhão nos lucros aproveitando a procura crescente.

Ford Ranger

Europa ainda é pequenina, mas promete crescer

Segundo um estudo recente da empresa de análise de mercados JATO Dynamics, embora o mercado europeu das pick-up seja, pelo menos para já, relativamente pequeno, não ultrapassando, na primeira metade de 2017, as 80 300 unidades vendidas, todos os indicadores apontam para que comece a crescer, e de forma significativa. Sendo que, só nos primeiros seis meses deste ano, as vendas registaram um crescimento de 19%, levando a acreditar que o ano terminará, pela primeira vez, com mais de 200 mil unidades! Não será propriamente o mesmo que os mais de dois milhões de unidades de pick-up de grande porte vendidas, só num ano, nos EUA, mas ainda assim…

“A razão deste crescimento deve-se, em grande parte, ao surgimento de novos modelos. Tendência que acaba por conduzir a um crescimento não apenas da competitividade, como também do próprio mercado. Sendo que, neste momento, tudo aponta para que o crescimento continue”

Andy Barratt, diretor-executivo da Ford no Reino Unido

Novos players significam mais clientes

As expectativas são de que, com entrada em cena de novos fabricantes, novos clientes e mercados ganhem interesse relativamente às pick-up. Ian Fletcher, analista da IHS Markit, recorda que muitas destas marcas contam, de base, “não apenas com uma forte presença em vários mercados, como também com uma forte imagem de marca”.

Ou seja, a entrada em cena de uma Renault Alaskan poderá significar o impulso das pick-up no mercado francês, a Fiat Fullback na Itália, e Mercedes-Benz Classe X na Alemanha.

Renault Alaskan

Aliás, é o próprio diretor de produto para as pick-up na Renault, Anton Lysyy, a salientar que “muitos dos clientes nem sequer sabem que as pick-up existem. No entanto, quando uma marca grande como a Renault entra no mercado, as pessoas começam a querer saber mais sobre este tipo de veículos”.

Clientes também começam a mudar

Já quanto às razões para esta entrada, Lysyy fundamenta-a no facto dos clientes começarem a olhar para este tipo de propostas, de uma forma diferente.

“Começa-se a ver uma mudança de mentalidade neste mercado. Sendo que uma das razões é o tipo de utilização. Até aqui, as pessoas optavam pelos SUV mais potentes para, por exemplo, rebocarem um barco ou um atrelado para animais. No entanto, com o acentuar das restrições e das pressões no sentido da opção por motores mais pequenos, isso deixou de ser possível. Sendo que as pessoas com esse tipo de hobbies continuam a necessitar de um veículo à altura”.

Anton Lysyy, diretor de produto para as pick-ups Renault

Pick-up, sim, mas com (muito) equipamento

Apesar de necessitarem de uma elevada capacidade de reboque, os consumidores não estão dispostos a abdicar das mordomias e equipamentos dos seus veículos mais familiares. Não é raro ver, por exemplo, uma Ford Ranger equipada com cruise control adaptativo ou com a última geração do sistema de infoentretenimento SYNC 3. Ou até mesmo uma Nissan Navara com sistema de travagem autónoma de emergência e assistência em descidas inclinadas.

Uma certeza verificada pelos números relativos à líder de mercado Ford Ranger. Mais de metade das vendas na Europa, nos primeiros nove meses do ano, centram-se na versão mais equipada, Wildtrak.

Boas notícias para os construtores e não se fica por aqui. Pois, também segundo os dados mais recentes, não são raros os casos de clientes que optam por acrescentar um sem número de opcionais, elevando o preço final para valores bem mais surpreendentes. Tal como acontece nos EUA, as pick-up revelam-se veículos com elevada margens de rentabilidade.

“As nossas expectativas são de que o mercado dos opcionais venham a representar um peso bastante considerável no negócio das pick-up”, reconhece o responsável da marca do losango.

“Há 20 anos atrás, os SUV eram robustos, de aspecto rústico, como o Mercedes Classe G. Agora, são produtos elegantes que ditam o lifestyle, além de com uma qualidade de acabamentos elevada. De resto, quantos clientes é que ainda continuam a levá-los para o fora-de-estrada? Na nossa opinião, as pick-up podem muito bem ir nesse mesmo sentido”

Volker Mornhinweg, diretor-geral da Mercedes-Benz Vans

Europa é mercado que interessa, mas não o único

Seja qual for a tendência a seguir, ou até mesmo o facto das vendas na Europa continuarem a ser não muito significativas, a verdade é que os construtores automóveis não parecem interessados em deixar escapar este filão. Até porque o “velho continente” é apenas um dos destinos possíveis, já que no horizonte estão igualmente outros mercados, inclusive, com bastante mais peso neste tipo de produtos. Como é o caso da China, de África ou da América do Sul.

“Possuir uma pick-up de porte médio é uma boa forma de um construtor melhorar a sua presença nalguns mercados-chave”, afirma o analista global da JATO Dynamics, Felipe Munoz. Secundado nesta opinião pelo responsável da Mercedes-Benz, Volker Mornhinweg, o qual reconhece que, “desde o início, estamos interessados em propor num produto específico, para vender globalmente, em todos os mercados”.

Mercedes Classe X

Projetos partilhados são oportunidade aproveitada

Por outro lado e caso a aposta não resulte, as perdas também não deverão ser tão significativas quanto isso, comenta o analista principal da IHS Markit. Recordando os casos da Renault e da Mercedes-Benz, que, embora estreando-se no segmento, fazem-no com derivações de um produto de créditos já comprovados, como é o caso da Nissan Navara. Sendo inclusivamente produzidos na mesma fábrica desta última.

“A partilha de soluções permite aos construtores aumentarem as suas ofertas com apenas uma fracção dos custos e do risco, do que se o fizessem de forma independente”, comenta Ian Fletcher. Para quem esta é, claramente, “uma jogada de claro oportunismo”. No melhor sentido, bem entendido.

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