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Ao volante da Toyota Auris Hybrid Touring Sports. Alternativa aos Diesel?

Uma carrinha híbrida a gasolina com consumos de um motor Diesel. Parece tentador? As nossas impressões ao volante da Toyota Auris Hybrid Touring Sports.

Em Algarve, Portugal

Vamos tirar o chapéu à Toyota. Há muito tempo − mais concretamente desde 1997 − que a Toyota tem vindo a defender que os híbridos são as motorizações que melhores resultados oferecem rumo ao grande objetivo da indústria automóvel: emissões zero.

Uma convicção que foi traída por anos e anos de incentivos às motorizações Diesel que distorceram o mercado − mais do que apontar caminhos, o poder político devia apontar metas (vou deixar esta discussão para outra altura…). Além do mais, não foi por isso que a Toyota deixou “arrefecer” a sua crença nesta solução que soma um motor elétrico a um motor de combustão.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
Esta pintura metalizada custa 470 euros.

Sejamos realistas. Os Diesel tem efetivamente as suas vantagens, nomeadamente os consumos reduzidos e boas performances que oferecem − não andámos enganados este tempo todo. Porém, as metas de emissões cada vez mais ambiciosas e as restrições anunciadas à circulação em algumas cidades, têm complicado muito a vida a estes motores. Por seu turno, os motores híbridos também têm feito um caminho interessante em termos evolutivos.

Um dos modelos que serve de testemunho dessa evolução é este, o Toyota Auris Hybrid Touring Sports. Convivi com ela durante 800 km, numa viagem que me levou até ao Algarve. Hoje vou contar-vos como foi − as sensações ao volante! A viagem em si não teve grande interesse…

Interiores assumidamente Toyota

Regra geral − regra geral! − os japoneses encaram a qualidade de construção de uma maneira diferente dos europeus. Enquanto nós, europeus, nos preocupamos muito com a qualidade perceptível dos materiais (suavidade ao toque, impacto visual, etc), os japoneses encaram o assunto de uma perspectiva mais pragmática: como é que os plásticos vão estar daqui a 10 anos?

Na ótica dos japoneses devem estar exatamente iguais. Serem duros ou suaves ao toque é uma questão secundária.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
O interior não impressiona mas está longe de decepcionar.

A apresentação por vezes pode não ser a melhor mas os materiais resistem à mais dura das provas: o tempo − volto a repetir, regra geral! Uma característica que os proprietários de carros japoneses fazem valer a peso de ouro aquando da venda no mercado de usados. Eu sei bem do que falo, tentei comprar um Corolla usado e desisti rapidamente face aos valores pedidos*.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
A alavanca das mudanças.

Este Toyota Auris Hybrid Touring Sports segue esta filosofia. Alguns materiais podem até ficar uns furos abaixo da concorrência europeia, mas não decepcionam em termos de rigor de montagem. A percepção geral é de solidez e rigor. Falamos daqui por 10 anos?

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
Os bancos, tanto à frente como atrás são bastante confortáveis, oferecendo uma boa relação entre conforto e apoio em curva.

Lista de equipamento vasta

Travagem automática, avisador de saída de faixa de rodagem, leitura de sinais de trânsito, cruise-control, ar-condicionado automático, etc. Tanto em termos de equipamento de segurança, como em termos de equipamento de conforto, esta Toyota Auris Hybrid Touring Sport está bem apetrechado de série.

Um recheio que em termos de segurança já valeu à Toyota uma recente distinção nos prémios Autobest.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
Os sensores responsáveis pelo sistema de travagem de emergência e leitura dos sinais de trânsito.

É pena que o sistema de infoentretenimento não siga a mesma linha. A navegação pelos menus é algo complexa e os grafismos já estão datados. De resto, não há mais nada a apontar.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
Toyota… os gráficos são terríveis.

Vamos ao motor?

Vou começar por aquele que é apontado como o handicap dos híbrido da Toyota para quem gosta de uma condução mais agressiva: a caixa de variação contínua. Não é novidade para ninguém que devido a esta solução tecnológica, em acelerações mais intempestivas o ruído do motor invade o habitáculo mais do que seria expectável. Quem é adepto de uma condução agressiva deve procurar outra carrinha, não esta.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
O módulo que faz a gestão da corrente elétrica do motor.

Para quem procura uma carrinha para toadas mais calmas, a ritmos moderados, a caixa de variação continua é a solução ideal. Porquê? Porque mantém o motor de combustão a funcionar no regime ótimo de funcionamento, entre as 2.000 e as 2.700 rpm, oferecendo um silêncio e uma suavidade de funcionamento assinalável. Melhor do que num motor Diesel? Sem dúvida.

Falando de números concretos, a Toyota Auris Hybrid Touring Sport fruto dos 136 cv (potência combinada) acelera dos 0-100 km/h em 11,2 segundos e atinge uma velocidade máxima de 175 km/h. Portanto, em termos de acelerações faz jogo igual com as proposta do segmento equipadas com motores de Diesel a rondar os 110 cv de potência. Hyundai i30 SW, Volkswagen Golf Variant, SEAT Leon ST, etc.

Em termos de consumos, conseguimos médias combinadas de 5,5 litros/100 km. Novamente um valor ao nível das alternativas Diesel. O problema é que a gasolina é mais cara… durante mais quanto tempo? Não sabemos. Mas até lá será um handicap desta Toyota Auris Hybrid Touring Sports.

É para isto que serve o motor elétrico

Sem o auxílio da motorização elétrica jamais o motor 1.8 atmosférico que equipa este modelo conseguiria alcançar estes consumos.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
Dos poucos gráficos de fácil leitura. Este permite-nos entender o fluxo de energia dos motores.

O seu papel é, alias, mesmo esse: auxiliar o motor principal, o motor de combustão. A energia que nos modelos equipados somente com motor de combustão é desperdiçada nas travagens, neste Toyota Auris Hybrid Touring Sport é armazenada nas baterias e entregue ao motor elétrico para ser usada nas retomas de velocidade.

Nada se perde, nada se cria… ok. Vocês sabem o resto.

Dinamicamente falando

A taragem das suspensões favorece o conforto em detrimento do comportamento dinâmico. O que é que isto significa? Significa isso mesmo. Que o ponto forte da Toyota Auris Hybrid Touring Sports é o conforto. As reações do chassis são corretas, são seguras e sempre previsíveis mas não entusiasmam.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
Indo eu, indo eu a caminho do… Algarve.

Falta falar do espaço a bordo

O espaço atrás é correto. Não é nenhum “salão de festas” mas acomoda bem duas cadeirinhas de criança ou dois adultos. A mala segue a mesma linha, com 530 litros de capacidade − um valor mais que suficiente mas que não brilha face a algumas concorrentes (Hyundai i30 SW e Skoda Octavia Break) que superam os 600 litros de capacidade.

Considerações finais sobre esta Toyota Auris Hybrid Touring Sports na ficha técnica.

Toyota Auris Hybrid Touring Sports
Não tirámos nenhuma fotografia aos lugares traseiro. Ups…

* Acabei por comprar uma Renault Mégane 1.5 dCi de segunda geração. Querem que fale sobre ela um dia destes?

Preço

unidade ensaiada

27.370

Versão base: €23.795

IUC: €198

Classificação Euro NCAP: 5 / 5

  • Motor
    • Arquitectura: Motor 4 cil+elétrico
    • Capacidade: 1798 cc
    • Posição: frontal
    • Carregamento: Injeção direta e indireta
    • Distribuição: 16V
    • Potência: 136 cv (combinado)
    • Binário: 270 Nm (combinado)
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Automática, Variação contínua
  • Capacidade e dimensões
    • Comprimento / Largura / Altura: 4560 / 1760 / 1475
    • Distância entre os eixos: 2600
    • Bagageira: 530
    • Jantes / Pneus: 7jx17 - 215/55 R17
    • Peso: 1500kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 3,6
    • Emissões de CO2: 83 gr/km
    • Vel. máxima: 175 km/h
    • Aceleração: 11,2
  • Garantias
    • Pintura e corrosão: 3/12 anos
    • Mecânica: 30000
    • Reviews Interval: 5 anos ou 160 mil km
Avaliação
7 / 10
Não é brilhante em nenhum ponto, mas também não peca em nenhum aspeto. Esta carrinha da Toyota convenceu-me por focar-se no essencial, oferecer aos seus ocupantes conforto, espaço, equipamento e segurança. A caixa E-CVT não será do agrado de todos mas a mim convenceu-me. Basta não querer fazer dela aquilo que ele não é, um desportivo. Respondendo à questão inicial: sim, é uma verdadeira alternativa aos motores Diesel.
  • Simbiose motor de combustão/motor elétrico
  • Conforto
  • Consumos
  • Tamanho da mala
  • Grafismos do sistema de infotainment
  • Comportamento da caixa em condução desportiva

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