Prazer de Condução

Os clássicos e o doce sabor da nostalgia

Mais um episódio da minha cruzada em busca do verdadeiro prazer de condução, num regresso nostálgico ao passado.

Ando nostálgico, é verdade. Tudo começou por causa deste artigo sobre a falta de charme da modernidade.

O facto da redação da Razão Automóvel localizar-se num dos maiores santuários de clássicos do país, também não ajuda. Sim, o nosso escritório fica aqui, e é para estes clássicos que olhamos todos os dias, enquanto testamos as mais recentes novidades. Chato, não é? Nadinha.

Não precisa ser potente.

Na prática esta é uma questão com rasteira, do tipo: loiras ou morenas?”. Raios, eu sei lá.”

Para já, a minha cruzada é apenas uma, e não é pelo tabaco, é pela definição do prazer de condução. Não é fácil, confesso. Até porque o fenómeno assume várias formas. Uma delas está retratada neste vídeo, que aliás, motivou a escrita deste texto.

Este vídeo retrata na perfeição, aquela que talvez seja a mais pura e a mais gratificante forma de conduzir: a bordo de um clássico, com luvas calçadas para o efeito, numa estrada revirada, com uma paisagem bucólica e um farnel para aquecer o estômago nas pausas –  como bom alentejano, gosto de petiscos.

Por acaso no vídeo nem apareceu nenhuma patuscada, mas deu-me a vontade de petiscar enquanto escrevia, desculpem – até arranjei uma imagem de destaque a condizer.

Não precisa ser recente.

RELACIONADO: A relação entre os rituais de condução e o prazer de conduzir

Se gosto apenas de clássicos? Claro que não. Sou um defensor do progresso e da tecnologia. Alias, a Razão Automóvel é uma sinal destes tempos hi-tech. Nós somos digitais – não que isso por si só seja um sinal de modernidade. Há muitos velhos no digital e muitos novos no papel, se é que me faço entender.

E também podia escrever sobre isso. Sobre a experiência de ler uma revista de automóveis. E se a Razão Automóvel fizesse uma edição papel? Temos de pensar nisso… adiante!

Não precisa ser tecnológico.

Sinceramente, acho que vou desistir de tentar definir algo tão sensorial como conduzir. Tenho de pôr termo a esta inquietação. Carros clássicos ou modernos? Na prática esta é uma questão com rasteira, do tipo: loiras ou morenas?”. Raios, eu sei lá.

Os meus olhos contemplam todas as formas de beleza com a mesma alegria – às vezes, demasiada alegria.

Não precisa ser consensual - Mulher debruçada sobre carro
Não precisa ser consensual.

“os melhores prazeres da vida não têm rótulos, data, lugar nem limite de idade”

No entanto, se no que a mulheres diz respeito não hajam preferências no meu coração (ainda que só haja lugar para uma de cada vez), no que a carros diz respeito não resisto às curvas de uma carroçaria Pininfarina da década de 60 ou 70, nem de um design mais industrial da mesma época. É para aqui que vão as minhas preferências.

Mas para que não restem dúvidas, no meio de tanta nostalgia e espírito vintage, também gosto de carros modernos.

Nem precisa ser desportivo.

Isto tudo para chegar à conclusão que talvez os melhores prazeres da vida não tenham rótulos, data, lugar nem limite de idade. Como um bom clássico. A menos que estejamos a falar de vinho. Aí é diferente.

De todo o modo, sempre ouvi dizer que toda a boa regra tem a sua excepção. Verdade? E já que estão aqui, sigam-nos no Instagram (assim sabem sempre por onde andamos). A modernidade também tem coisas boas. Mas os clássicos têm aquele charme…

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