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Baterias de diamante que duram mais de 10 000 anos podem ser o futuro

Uma nova tecnologia é capaz de gerar energia a partir de um diamante artificial imóvel. Confuso? Vamos à explicação.

Baterias. O eterno problema dos dispositivos elétronicos, sejam eles telemóveis, automóveis ou… até o comando da televisão lá de casa (não adiante premir os botões com mais força). Mas talvez não seja um problema tão “eterno” quanto isso…

Investigadores da Universidade de Bristol, em Inglaterra, encontraram uma forma de converter milhares de toneladas de resíduos nucleares em baterias de diamante. Estas baterias podem gerar corrente elétrica durante mais de 10 000 anos, sem necessidade de recarga.

Carregar o telefone. Como dizem os ingleses “first world problems”…

Mas para entendermos melhor este novo processo, vale a pena dedicar algumas linhas à forma como atualmente produzimos energia elétrica.

Atualmente, todos os processos usados para gerar eletricidade exigem uma fonte de energia, usada para girar um íman (bobina) e gerar corrente. É assim que funcionam, por exemplo, as centrais hidroelétricas (barragens), as torres eólicas, as termoelétricas ou as centrais nucleares.

No caso da energia eólica, o que faz girar as pás e consequentemente a bobina é o vento. Nas termoelétricas e centrais nucleares, é o vapor da água em alta pressão, aquecida pela queima de diversas substâncias ou pela temperatura do urânio, que fazem a bobina gerar corrente. Todos estes meios possuem vantagens e desvantagens.

O impacto ambiental da energia hídrica.

No caso das barragens, o impacto dá-se ao nível da fauna e flora local. Outras formas, geram resíduos (centrais nucleares) ou emitem poluentes para a atmosfera (centrais termoeléctricas a carvão, etc).

O segredo das baterias de diamante

Ao contrário dos exemplos anteriores, as baterias de diamante não exigem energia cinética para gerar corrente elétrica. Quando o material radioativo é transformado em diamante, ele gera automaticamente uma corrente elétrica.

Não há partes móveis envolvidas nas baterias de diamante, nenhuma emissão poluente e não exige manutenção

Tom Scott, professor de Materiais da Universidade de Bristol

As baterias de diamante são fabricadas a partir de Carbono-14, que é posteriormente transformado num diamante sintético – como sabem, a matéria prima dos diamantes é carbono, simplesmente carbono.

baterias de diamante

Outra das vantagens no uso do Carbono-14, é que este material é um resíduo dos blocos de grafite usados para controlar as reações nos núcleos das centrais nucleares. Estes blocos, depois de usados, são lixo radioativo sem qualquer tipo de utilidade. Até agora…

Um futuro “limpo” para os resíduos nucleares

Graças a esta tecnologia, é possível dar uma nova utilidade ao pesadelo financeiro, ambiental e logístico que é o lixo radioactivo.

baterias de diamante

Além do mais, a radiação de curto alcance do Carbono-14 é mais simples de controlar e mais fácil de ser absorvida por outros materiais como é o caso dos diamantes.

E para que não haja perigo de radiação, os investigadores estão a desenvolver uma cobertura de alta resistência capaz de conter as radiações. Emite menos radiações que uma banana, mas já lá vamos…

baterias de diamante

Qual é o potencial energético das baterias de diamante?

Mais do que aquele que imaginas. Uma bateria contendo 1 grama de Carbono-14 demoraria 5.730 anos até ficar com 50% de carga. Mais ou menos o mesmo que o meu telemóvel… ou não!

Em termos comparativos, uma bateria com 1 grama de Carbono-14 seria capaz de gerar 15 joules diariamente. Uma pilha AA com 20 gramas de material pode armazenar até 700 joules por grama, mas seria esgotada em apenas 24 horas de uso contínuo.

baterias de diamante

Tendo a consideração que é possível criar uma bateria com mais do que 1 grama de Carbono-14, podemos ter no futuro uma bateria quase “eterna”, ou pelo menos, com uma vida útil muito superior à vida humana.

É seguro?

Aparentemente, a radiação emitida por estas baterias é tão forte quanto uma… banana. Sim, uma banana. Vê o vídeo (minuto 3:30):

De acordo com a Universidade de Bristol, “estas baterias podem ser usadas em situações onde não é possível carregar ou substituir uma bateria convencional. Um dos exemplos mais óbvios são os pace-makers dos doentes cardíacos, as baterias de satélites ou naves espaciais. Quiçá, na indústria automóvel também possa vir a ter o seu papel.

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Este grupo de investigadores acredita que ainda há um longo caminho a percorrer, mas o potencial desta tecnologia é uma realidade. Agora se me dão licença, vou meter o telefone a carregar…

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