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Novos desportivos na Peugeot? A espera pode ser longa

A Peugeot diz não a um sucessor do RCZ e congelou o desenvolvimento do portentoso 308 Hybrid-R. O objectivo? Focar no crescimento global.

A recente revelação da Peugeot Pick Up, destinada ao continente africano, é um dos indicadores das ambições globais da marca francesa. São essas mesmas ambições que acabaram por condenar propostas para novos veículos desportivos, como o sucessor do RCZ ou o 308 Hybrid R, o “mega-hatch” híbrido de 500 cavalos. Nas palavras do seu Diretor Executivo, Jean-Philippe Imparato:

De momento o nosso principal objectivo é crescer para lá das duas milhões de unidades por ano, mas também aumentar a nossa área de atuação e vender mais de 50% dos nossos automóveis fora da Europa. Até o conseguirmos, estou muito mais interessado em carros que vendam nas centenas de milhares do que aqueles que vendem em números pequenos.

Jean-Philippe Imparato, Diretor Executivo da Peugeot
2015 Peugeot 308 Hybrid R
Peugeot 308 Hybrid R

Mas as ambições não devem ficar por África. A marca francesa regressará ao mercado norte-americano, do qual está ausente desde 1991. Não o fará, para já, com a introdução de um modelo, mas sim como fornecedor de serviços de mobilidade nas maiores cidades americanas. Mas a longo prazo, Imparato planeia um regresso da Peugeot em grande escala, como marca de automóveis que é, assim que uma solução seja encontrada para a distribuição dos seus modelos.

Peugeot quer ser a nova Volkswagen

A marca francesa não quer crescer apenas nos números e chegar a mais mercados, como também pretende subir o seu posicionamento. Modelos como o 3008, de estilo mais sofisticado e com interior i-Cockpit, de forte conteúdo tecnológico, tem contribuído para o incremento da imagem da marca.

O objetivo é claro: a Peugeot quer ser a marca generalista com o posicionamento mais elevado do mercado. Ou seja, a Peugeot quer o lugar da Volkswagen.

E para alcançar esse posto, associado a estes novos produtos veremos também uma nova política de preços. Segundo a marca, um Peugeot é vendido com um preço 2.4% inferior a um modelo Volkswagen equivalente. Em 2018, esse intervalo deverá ser reduzido para 1.3%, com o objectivo final de ultrapassar a Volkswagen em 2021, praticando preços 0.5% superiores a esta.

Se o conseguirá ou não, teremos de aguardar até lá, mas a aposta neste reposicionamento superior começa a apresentar resultados. Carlos Tavares, o Diretor Executivo do grupo PSA, revelou que 25% dos lucros do Peugeot 308 provém precisamente das suas versões de topo GT e GTI.

O novo 508 reforçará a ambição

O sucessor do Peugeot 508 será talvez a mensagem mais clara sobre as ambições da marca de Sochaux. Já apanhado em testes na via pública, devidamente camuflado, o novo 508 revela um perfil mais fluído e esguio, aproximando-o formalmente mais de um coupé do que uma clássica berlina de três volumes.

O próximo ano trará uma nova berlina, de dimensões semelhantes ao 508, o regresso da Peugeot a um território do seu coração, e será o próximo carro a elevar-nos ainda mais no mercado.

Jean-Philippe Imparato, Diretor Executivo da Peugeot

Marcará presença no novo modelo a segunda geração do i-Cockpit, que integra um ecrã TFT de 12.3 polegadas, um segundo ecrã tátil na consola central, e o número de botões reduzido a apenas oito. É a resposta da Peugeot ao Virtual Cockpit da Audi. Segundo a marca, permitirá um aumento drástico da qualidade percebida, assim como um interior direcionado ao condutor.

Por muitas ambições que tenha, será uma batalha difícil para o futuro modelo. Não tem apenas de lidar com rivais como o Volkswagen Passat ou o Opel Insignia (que agora também faz parte do grupo PSA), como também tem de lidar com um segmento que tem diminuído em tamanho (vendas) desde o início do século. Como tal, é expetativa da Peugeot que a aproximação do 508 aos modelos premium permita ser uma alternativa ao trio germânico BMW Série 3, Audi A4 e Mercedes-Benz Classe C.

2015 Peugeot 508
Peugeot 508 atual

O futuro 508 assentará sobre a base EMP2, a mesma do 308 e 3008, recorrendo a motorizações de quatro cilindros, maioritariamente Diesel. Existem fortes possibilidades da versão topo de gama do novo modelo ser um híbrido.

Os desportivos poderão voltar…

Segundo Imparato, mais tarde, quando (e se…) as ambições globais da Peugeot forem alcançadas, transformando-a numa marca mais lucrativa e sucedida, esta poderá regressar à ideia de um carro verdadeiramente desportivo.

Quando o fizermos, vamos fazê-lo corretamente. Não com outro RCZ, mas com um carro capaz de bater o recorde do Nordschleife .

Jean-Philippe Imparato, Diretor Executivo da Peugeot

O abandono – para já – dos desportivos por parte da Peugeot, não significa o fim de versões desportivas dos seus modelos, como o 308 GTI, nem terá impacto sobre o programa desportivo da marca. Está garantida a participação no Dakar de 2018 com o 3008 DKR, e após essa participação os rumores apontam para um rumo distinto. Estará a Peugeot a considerar um regresso ao WEC (World Endurance Championship) e às 24 Horas de Le Mans em 2019?

Peugeot 908 HDi FAP
2010 Peugeot 908 HDi FAP

Talvez seja a oportunidade ideal para explorar as camadas superiores no universo dos desportivos ou superdesportivos, com potencial de vingar no “Inferno Verde”. Segundo Jean-Phillipe Imperato, a Peugeot Sport tem a equipa certa para conseguir um carro a esse nível. “Seria um carro caro, mas e depois? Nós conseguimos fazê-lo”.

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