Já conduzimos o renovado SEAT Leon

Fomos até Barcelona conhecer as mudanças que a marca espanhola operou no renovado SEAT Leon. Conduzimos as versões 1.0 TSI e 1.6 TDI.

Conhecem aquela célebre frase “em equipa vencedora não se mexe”? Pois bem. Foi com esse espírito que a marca espanhola encarou a renovação do SEAT Leon, um modelo que tem sido aclamado pela crítica desde que foi apresentado no Salão de Paris em 2012 – desde então, o Leon ganhou ou ficou no TOP 3 da esmagadora maioria de comparativos.

Naturalmente, as vendas refletiram o sucesso da «receita Leon», empurrando a marca espanhola para novos recordes de venda, ano após ano. Portanto, resta-nos saber com que armas é que o renovado SEAT Leon se vai defender da concorrência durante os próximos anos. Vamos a isso?

Já passaram quatro anos?!

É verdade. Apesar de já terem passado quatro anos desde a apresentação no Salão de Paris, o SEAT Leon continua a ser dos modelos mais apelativos do segmento. Daí que a equipa de design não tenha operado mudanças significativas no Leon, contando-se pelos dedos de uma mão as diferenças para a versão anterior em termos estéticos.

É a propria marca que admite esta “escassez” da mudanças. Segundo o diretor de Design da SEAT, Alejandro Mesonero Romanos, “o Leon (…) não precisa que lhe mudem a imagem, mas apenas que a reforcem”.

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Assim, as modificações estéticas mais notórias concentram-se na secção dianteira graças à nova grelha, maior e mais larga, e nos faróis redesenhados. Os para-choques dianteiro e traseiro também são novos e incluem tecnologia LED nos indicadores de mudança de direção e nas luzes de nevoeiro. Também há novas jantes disponíveis, bem como três cores adicionais: vermelho desire, azul mystery e o roxo boheme. Eu disse que os dedos de uma mão chegavam para elencar as diferenças…

Para além da atualidade das linhas, a SEAT justifica este ténue facelift com outra importante vantagem: menor desvalorização do modelo. Os clientes SEAT sabem que vão ter um carro atual durante mais tempo, sem mudanças drásticas, ano após ano. Veja-se o exemplo do Ibiza.

No interior, a mesma receita.

O interior recebeu o mesmo tratamento do exterior. As mudanças foram cirúrgicas: nova consola central, novos estofos, acabamentos e nova iluminação do habitáculo com emissores LED. Todos os materiais receberam um upgrade na qualidade e a consola central foi ligeiramente elevada, incluindo agora travão de estacionamento elétrico.

Parece tudo igual, é verdade, mas nota-se mais atenção aos detalhes. Uma dessas diferenças que “não se vê mas sente-se” diz respeito à insonorização do habitáculo. A SEAT reviu os isolantes acústicos do motor e o resultado foi uma melhoria substancial do silêncio a bordo.

Outra novidade foi a adopção do sistema de infotenimento Easy Connect, SEAT Full Link e a exclusiva plataforma SEAT ConnectApp. O Media System Plus, com o seu ecrã tátil de oito polegadas, é a estrela na nova geração de sistemas de infotenimento, enquanto a Connectivity Box na consola central do SEAT Leon permite o carregamento do smartphone por indução e ainda melhora o sinal de receção graças à ligação automática à antena no tejadilho.

“As diferenças, as verdadeiras diferenças!, notam-se no tato geral do automóvel. No interior melhorado, no conforto acústico superior e na presença das novas tecnologias de ajuda à condução.”

Esta Connectiviy Box também inclui duas portas USB para ligações paralelas com dispositivos compatíveis com MirrorLink ou dispositivos exteriores de música. Além do MirrorLink, o Full Link também é compatível com as funções de Apple CarPlay e Android Auto.

As tecnologias de ajuda à condução também foram reforçadas. Depois do Ateca, foi a vez do Leon receber a bordo os mais recentes desenvolvimentos tecnológicos do Grupo Volkswagen: Cruise Control Adaptativo ACC; Sistema de Assistência em Trânsito; Assistente de Faixa de Rodagem; Travagem de Emergência Front Assist (c/sistema de deteção de peões); Reconhecimento de Sinais de Trânsito; e Assistente de Máximos Automáticos.

Impressões ao volante

A primeira unidade que conduzimos estava equipada com o motor a gasolina 1.0 TSI de 115 cv (desde 23.434 euros). Um motor que neste primeiro contacto deu muito bem conta de si, mostrando disponibilidade e elasticidade desde os regimes mais baixos. Uma excelente opção face à motorização 1.6 TDI.

De acordo com a marca, o Leon 1.0 TSI consome 4.4 litros por cada 100 km com emissões de CO2 de 102 g/km, números que se confirmam na versão equipada com caixa automática DSG de 6 velocidades. É capaz de acelerar dos 0 aos 100 km/h em 9.5 segundos (no SC), 9.6 (5 portas) e 9.8 segundos (ST). Tem uma velocidade máxima de 202 km/h e debita uns interessantes 200 Nm de binário máximo entre as 2,000 rpm e as 3,500 rpm.

Por seu turno, o motor 1.6 TDI (desde 28.109 euros), também com 115 cv, apresentou-se igual a si mesmo: consumos baixos e disponibilidade em todos os regimes. Esta motorização 1.6 TDI de 115 cv pode ser associada à tração dianteira ou ao sistema 4Drive que conta com a quinta geração do diferencial de embraiagens Haldex. O binário máximo é de 250 Nm, mas neste caso entre as 1.500 rpm e as 3.250 rpm, e a potência de 115 cv mantém-se constante entre as 3.250 rpm e as 4.000 rpm.

O consumo médio, dependendo da carroçaria, dimensão das jantes e sistema de tração, oscila entre os 4.0 litros e os 4.3 litros para cada 100 km, enquanto as emissões de CO2 ficam entre os 105 e os 115 g/km de CO2. Só é pena que a SEAT não adoptado a caixa de seis velocidades que encontramos no Ateca com esta motorização.

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Em termos de comportamento, estamos perante um modelo que recorre à reconhecida plataforma MQB do Grupo Volkswagen – a mesma que equipa o Volkswagen Golf, Audi A3 e Skoda Octavia. O comportamento é rigoroso e chega a ser divertido explorar os limites de aderência do Leon em estradas mais sinuosas.

Conclusões deste primeiro contacto

À boa maneira do Grupo Volkswagen, a SEAT mudou substancialmente o Leon sem que consigamos vislumbrar essas mudanças à primeira vista. As diferenças, as verdadeiras diferenças!, notam-se no tato geral do automóvel. No interior melhorado, no conforto acústico superior e na presença das novas tecnologias de ajuda à condução.

Quanto às motorizações, o novo motor 1.0 TSI tem tudo para vingar no mercado nacional (preço e performance), não fosse o gosto especial do nosso mercado pelas propostas Diesel. Por seu turno o novo 1.6 TDI de 115cv, como disse, mantém-se igual a si mesmo apesar do acréscimo de potência.

Quanto às pequenas alterações estéticas, todas somadas contribuíram para que o Seat Leon se apresente esteticamente mais elegante e consequente que nunca. Principalmente no novo nível de equipamento XCELLENCE, uma nova linha de equipamento que em termos de preço e recheio está a par das versões FR, mas onde a tónica é colocada na elegância e sofisticação e não na desportividade.

Chega a Portugal em janeiro.

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