Glórias do Passado

De Tomaso Pantera: beleza italiana e coração americano

Conhece o De Tomaso Pantera, o desportivo que combinava o melhor do design italiano com o músculo dos motores V8 Made in USA.

Fundada no ano de 1959 por Alejandro de Tomaso, um jovem argentino com o sonho de desenvolver carros de competição, a De Tomaso foi uma das marcas mais promissoras da segunda metade do século XX. Baseada na cidade de Modena, no norte de Itália, esta marca italiana começou por desenvolver protótipos para a Fórmula 1 nos anos 60.

O primeiro modelo de produção foi apresentado em 1963 e foi apelidado De Tomaso Vallelunga, em homenagem ao Autodromo di Vallelunga. A produção do Vallelunga começaria um ano depois. Com apenas 726 kg graças a uma carroçaria em fibra de vidro, o desportivo foi um dos primeiros carros de produção a colocar o motor — de origem Ford, com 104 cv — em posição central traseira.

Três anos depois, a marca lançou o De Tomaso Mangusta, desenhado por Giorgetto Giugiaro, um modelo de maiores dimensões com motor V8 de 4,7 l capaz de gerar 389 cv de potência e um binário máximo de 531 Nm.

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Mas o melhor ainda estava para vir. Em 1970, a De Tomaso levou ao Salão de Nova Iorque o Pantera, aquele que se viria a tornar no modelo mais importante para a marca, intrometendo-se no campeonato de marcas como a Lamborghini, Ferrari, Maserati e Porsche e abrindo portas para o mercado americano.

O De Tomaso Pantera foi lançado no ano seguinte e a produção fixou-se nas três unidades por dia. O design ficou a cargo do americano Tom Tjaarda da Carrozzeria Ghia, empresa italiana adquirida por Alejandro de Tomaso em 1967. Pela primeira vez na história da marca seria utilizada uma estrutura monocoque em aço.

De Tomaso Pantera L, 1972

À semelhança dos anteriores modelos, a De Tomaso apostou novamente nos motores americanos, tendo mesmo assinado um contrato de cooperação com a Ford. Como tal, grande parte dos componentes mecânicos ficaram a cargo da marca americana, incluindo o motor V8 351 Cleveland de 5.8 l com 335 cv de potência e um binário máximo de 421 Nm às 3600 rpm.

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Em contínua evolução

O De Tomaso Pantera não parou de evoluir. Pouco depois do lançamento do desportivo, a marca apresentou um versão renovada com várias alterações a nível mecânico e um motor de 310 cv. Seguiu-se a versão de luxo Pantera L, adaptada ao mercado americano, e o mais pujante Pantera GTS, com 350 cv.

Em meados dos anos 70, a Ford terminou a importação do desportivo para os EUA, após cerca de 5500 unidades vendidas. O De Tomaso Pantera continuaria a ser comercializado (numa escala mais reduzida) nos anos 80, recebendo motores de 4.9 e 5.0 l, além das novas versões GT5 e GT5-S.

A produção terminaria apenas em 1991, ao fim de 7260 exemplares produzidos e 20 anos de produção.

No entanto, não significou o fim do Pantera. Surgiria uma versão revista, com o toque do incontornável designer Marcello Gandini. O Pantera SI ou 90, como era conhecido noutros mercados, além das revisões estéticas, também trazia um novo V8, ainda de origem Ford. Durante os dois anos que foi produzido, resultaram apenas 41 novas unidades.

De Tomaso Pantera Si
De Tomaso Pantera Si, 1990

O De Tomaso Pantera é hoje um modelo de culto, com poucas unidades a sobreviver à passagem do tempo. O legado da histórica marca italiana pode ser também revisitado através de documentos, moldes de carroçarias e outros componentes na fábrica abandonada de Modena.

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