Novo Opel GT: sim ou não?

A Opel levou até Genebra um protótipo que deixou o salão de queixo caído: o Opel GT Concept.

Apesar da excelente receção do Opel GT Concept em Genebra, a marca alemã não tem intenções de o produzir.

Deixei passar umas semanas desde o nosso regresso do Salão de Genebra para dar hipótese à marca de ponderar sobre o assunto, na esperança de ver cair no meu e-mail um comunicado “Opel vai avançar com a produção do GT Concept”. Nada! Mas um modelo de tração traseira, estilo coupé, motor 1.0 Turbo a gasolina de 145 cv de potência e 205 Nm de binário, tinha tudo para dar certo…

NOTA: Responde ao inquérito no final do artigo “A Opel devia produzir GT Concept: sim ou não?”

Durante os dias que estivemos em Genebra, tive oportunidade de entrevistar Boris Jacob (BJ), chefe de design da Opel e perguntei-lhe: “Boris, vão produzir o Opel GT Concept?”. A resposta deste responsável da marca nem foi sim, nem foi não, foi um “nim”.

BJ – Infelizmente Guilherme, não está nos nossos planos passar o Opel GT Concept para as linhas de produção. Mas nunca se sabe, todos os nossos protótipos têm a particularidade de poderem passar hipoteticamente para a produção.

Boris, caso não produzam o Opel GT vai ser como mostrar um doce a uma criança e depois retirá-lo. Sabem disso, não sabem? E sabem que isso devia ser crime…
BJ– Sim nós sabemos (risos). Mas deixa-me que te diga que este concept inspirado no Opel GT original começou a ser pensado há dois anos atrás, por ocasião dos 50 anos do Design Studio da Opel e nasceu com um propósito muito claro: mostrar as tendências da Opel para o futuro. Há algo naquele carro que ainda hoje atrai toda a gente e nós queríamos descobrir o motivo. Chegamos à conclusão que era a sua simplicidade. Não há nada que seja redundante ou acessório no seu design, é tudo simples e orgânico. A pergunta foi: será possível fazer algo similar no sec. XXI?

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Uma nova interpretação?
BJ– Isso mesmo, uma nova interpretação. Não é imitar, é fazer diferente. E sinceramente acho que conseguimos. Tentámos fazer algo responsável, sem ser demasiado ostensivo. Motor adequado, porporções certas e claro… conectividade. Queremos que o Opel GT Concept seja visto como uma espécie de companheiro de estrada, que interage connosco e que nos entende. No fundo, mãos no volante e olhos na estrada. O sistema de voz, por exemplo, é avançadíssimo.

Quando é que vamos ver este tipo de tecnologia nos vossos modelos de produção?
BJ– Brevemente. Nada isto é ficção cientifica e já existe – veja-se o exemplo do Opel OnStar do novo Astra e Mokka. As tecnologias presentes neste protótipo são uma amostra do next step que a marca vai dar.

Falando do design, este tipo de arrojo estético não é comum na Opel…
BJ– Permite-me discordar Guilherme. Na Opel somos arrojados, somente não gostamos de sobrecarregar os nossos modelos com elementos que no nosso entender causam ruído. Queremos que a estética dos nossos modelos dure e se mantenha atual durante muitos anos. No fundo, queremos que tudo tenha um propósito. Não é um exercício simples, mas é aquilo que temos tentado fazer modelo a modelo. Inclusive no Opel GT.

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Já que estamos ao lado do Opel GT dá-me exemplos dessa filosofia “um detalhe, um propósito”.
BJ– A Grelha dianteira! Se reparares desenhamos estes dois frisos como se duas mão estivessem a segurar no simbolo da marca. Como um presente.

O Opel GT é um presente?
BJ– Sim, podemos dizer que sim. Um presente para todas as pessoas que gostam de automóveis, que gostam de modernidade e que se revêem na nossa marca.

Ok Boris, por falar em presentes . Toda a gente está a especular acerca do futuro deste Opel GT Concept. Vai ser produzido ou não?
BJ– Estou certo que depois desta receção haverá algumas pessoas na marca a pensar sobre isso…

Vencido mas não convencido

Perante as respostas de Boris Jacob – e tendo em consideração a receptividade do modelo em Genebra – não perdi a esperança de ver o Opel GT nas estradas nacionais um dia.

Uma semana depois nova viagem. Não para Genebra, mas para o Douro – fomos à apresentação do novo Opel Astra Sports Tourer (vejam aqui). Esperava encontrar o Boris por lá (apesar deste pertencer ao departamento de design avançado da Opel), mas não foi – ainda se cruzava com um português muito chato com um nome começado em “Gui” e acabado em “lherme”.

Opel GT Concept (25)

Porém encontrei o Pedro Lazarino, Gestor de Produto para os Automóveis Compactos, Monovolumes e Crossovers da Opel – por outras palavras, um dos homens que mandam na Opel. Novamente a pergunta: “Pedro, vão fazer o Opel GT Concept?”. A resposta do Pedro Lazarino foi mais contundente, “é um produto de nicho, muito complexo e de rentabilidade duvidosa. Temos tudo o que é preciso para o produzir mas não o devemos fazer… é arriscado”.

Qual é a tua opinião?

A Mazda lançou uma nova geração do MX-5, a Fiat aventurou-se com a reedição do mítico 124 Spider, a Toyota lançou-se de cabeça na produção do GT-86. Contando que estes modelos estão a fazer sucesso no mercado (no caso, do 124 Spider a comercialização ainda não arrancou) e que a Opel tem “tudo o que é preciso” para produzir um digno sucessor do Opel GT original, pergunto-vos: devia ou não fazê-lo? Arriscar ou não arriscar?

Um coupé lightweight, com um motor vitaminado, preço pouco proibitivo e design arrebatador. Fórmula vencedora? Deixa-nos a tua opinião neste inquérito, se estiveres de acordo connosco, prometemos ligar para a marca a dizer o que os petrolheads lusos acham sobre o assunto.

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