Outono, a estação preferida dos petrolheads

Qual é a melhor estação do ano para conduzir? Quanto a vocês não sei, mas eu não tenho dúvidas em eleger o outono.

Gosto do outono. Gosto da água-pé produzida à socapa e do cheiro a castanhas assadas no ar. Gosto das cores pastel, gosto das paisagens, gosto do cheiro a molhado. Mas aquilo que eu gosto mesmo de fazer no outono é de conduzir. Caramba, se gosto!

Na minha opinião, o outono é por excelência a estação dos petrolheads. A estrada assume cores e contrastes novos – mais belos e discretos que na exuberante primavera -, dois condimentos que transformam a condução numa experiência ainda mais sensorial e intimista. O carro? Não interessa. Mas pode ser um clássico descapotável ou um desportivo de última geração. Não sou esquisito (nota-se…).

“O outono não é de todos, é só para quem está disposto a brincar com os elementos. O outono exige atenção, destreza e maturidade. O verão? O verão é para putos.”

Gosto de sentir que o movimento homem/máquina é o único a contrariar o shutdown de uma natureza claramente em estágio para um inverno rigoroso. Tudo quieto. Tudo silencioso. Só o grito do motor e o chiar dos pneus a interromper este processo milenar. Até as folhas secas que repousam no asfalto voltam a ganhar movimento à minha passagem. Brinco com os elementos.

nissan 370 z nismo (4)

Sou daqueles que defende que o prazer de condução está mais dependente da estrada e da paisagem do que muitas vezes do carro ou do destino – perdi conta às vezes que a minha velha e cansada Volvo V40 foi a minha parceira nestas viagens anti-stress. E depois há todo um desafio providenciado pelo asfalto, que se apresenta com diferentes tonalidades e diferentes níveis de grip a cada metro que passa, fruto da humidade e da maior ou menor exposição solar. Um jogo de sobras e um desafio aos sentidos, só aconselhado ‘para adultos’.

O outono não é de todos, é só de quem está disposto a brincar com os elementos. O outono exige atenção, destreza e maturidade. O verão? O verão é para putos. O grip é sempre elevado. Não há o ‘sal’ daquela humidade inesperada na nossa trajetória, que nos faz dilatar as pálpebras e pensar “por favor não vás em frente nesta curva”. Quanto à primavera, acho que é uma estação com demasiado ‘estrilho’, é tudo muito colorido e é fácil a nossa atenção dispersa-se numa quantidade infinita de eventos (flores a nascer, abelhas a procriar, aquela mini-saia a passar…). O inverno por seu turno é demasiado molhado, desconfortável e imprevisível. Para esquecer. Portanto venha de lá mais um outono!

Conduzir carros de sonho como eu faço, quase diariamente, é sem dúvida um privilégio. Mas conduzir em belas estradas durante o outono está ao alcance de qualquer um. Portanto, se puderes faz-me um favor: faz-te às curvas – eu se puder, acredita, por esta hora vou estar a fazer o mesmo. Depois passa por cá a conta-me como foi…

mazda mx-5 na (1)

Nota: Um agradecimento especial ao Gonçalo Maccario, fotógrafo da Razão Automóvel e responsável pelas fotografias drop gorgeous que acompanham este artigo. Um herói que todas as semanas aguenta estoicamente estas e outras filosofias automobilísticas em viva voz, vindas de uma espécie de jornalista com manias de piloto e tiques de filosofo de algibeira. Enfim, um gajo da pior espécie!

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