Salão de Frankfurt 2015

Porsche Mission E é uma das estrelas maiores de Frankfurt

O Mission E promete concentrar todos os olhares durante o salão de Frankfurt. Não só revela a direção estilística que a Porsche deverá tomar com o sucessor do Panamera, como antevê um modelo totalmente elétrico, levando a Porsche por caminhos inéditos.

O resultado é arrebatador. Mais curto, largo e baixo que um Panamera, parece efectivamente um 911 de quatro portas, percepção que o Panamera nunca conseguiu efectivamente alcançar. Com 1,3 m de altura, é apenas um par de centímetros mais alto que o 911, e, em conjunto os expressivos 1,99 m de largura garante uma pose invejável. Contribuindo para as excelentes proporções e pose, o Mission E vem com enormes rodas de 21″ à frente e 22″ polegadas atrás.

Os contornos são familiares, tipicamente Porsche, quase como um 911 elegantemente alongado. Mas o conjunto das diversas soluções estílisticas que encontramos na definição das partes, sejam as óticas LED ou o cuidado posto na integração da parafernália aerodinâmica, tudo embrulhado numa carroçaria de linhas depuradas e modelação sofisticada das suas superfícies, remete-nos para um contexto mais futurista.

Apontado como futuro rival do Tesla Model S, o Mission E é, no entanto, apresentado pela Porsche como um verdadeiro desportivo onde a propulsão é garantida não pela combustão de hidrocarbonetos, mas pela força dos eletrões. Os dois motores elétricos, um por eixo e tecnicamente similares aos do Porsche 919 Hybrid, o vencedor da edição de Le Mans este ano, providenciam um total de 600 cv. Com tração e direção às quatro rodas, também promete a agilidade de um desportivo, mesmo considerando as duas toneladas de peso.

Porsche Mission E

Performance

Apesar da tónica na performance, as que são anunciadas ficam aquém do absurdo (em alusão ao seu modo Ludicrous) Tesla Model S P90D. No entanto, 100 km/h em menos de 3,5 segundos, e menos de 12 para alcançar os 200 km/h são números esclarecedores do potencial do Mission E. Incontornavelmente, tratando-se da Porsche, o circuito de Nurburgring teria que ser mencionado e a Porsche refere um tempo inferior a oito minutos por volta.

Garantindo igualmente uma agilidade superior, o centro de gravidade do Mission E é similar ao de um 918 Spyder. Tal só é possível devido à plataforma específica a que recorreram, que prescinde de um túnel de transmissão central, permitindo colocar as baterias o mais próximo possível do solo. Estas são de iões de lítio, recorrendo aos últimos avanços neste campo, e estão posicionadas precisamente entre os dois eixos, contribuindo para um equilíbrio perfeito de massas.

Porsche Mission E

Carregamento “turbo”

Nos automóveis elétricos, autonomia e recarregamento das baterias são pontos fulcrais para a sua — futura — aceitação, e a fasquia é elevada graças aos esforços da Tesla. Os mais de 500 km de autonomia anunciados superiorizam-se por pouco aos que a Tesla anuncia para o seu Model S P85D, mas o trunfo do Mission E poderá estar no seu “abastecimento”.

Os tempos de recarga, atualmente, são demasiado extensos, e mesmo os Superchargers da Tesla, precisam de pelo menos 30 minutos para garantir 270-280 km de autonomia. O Mission E, graças a inédito sistema elétrico de 800 V, duplicando os 400 V da Tesla, permite em 15 minutos, energia suficiente para 400 km de autonomia. Se a Tesla tem um Supercharger, a Porsche teria de ter um Turbocharger, o que dá o nome ao seu sistema: Porsche Turbo Charging. Piadas com a meticulosa escolha de nomes à parte, o tempo de recarregamento das baterias poderá ser um factor comercial decisivo.

Porsche Mission E, 800 V carregamento

Interior

O futuro elétrico, segundo a Porsche, não se cinge apenas ao exterior e à propulsão elétrica. Também o interior revela os crescentes e complexos níveis de interação entre nós e a máquina.

Ao abrir as portas repara-se na ausência do pilar B e nas portas traseiras do tipo suicida (nunca irão perder a fama). Encontramos quatro lugares individuais, definidos por bancos de corte marcadamente desportivo, bastante finos e, segundo a Porsche, também bastante leves. Tal como o Tesla, a propulsão elétrica permitiu não só libertar espaço interior, como adicionar um compartimento para bagagens na frente.

O condutor do Mission E deparar-se-á com um painel de instrumentos totalmente distinto de outros Porsche, mas também algo familiar no que deixa visualizar. Os clássicos cinco círculos que dão forma aos painéis de instrumentos da Porsche são reinterpretados recorrendo à tecnologia OLED.

Porsche Mission E, interior

Estes deixam-se controlar de forma inovadora através de um sistema de rastreamento ocular. Basta olhar para um dos instrumentos, que o sistema sabe para onde olhamos e, através de um único botão no volante, permite acedermos ao menu desse instrumento em particular. Este sistema também permite o constante reposicionamento dos instrumentos dependendo da posição do condutor/a. Se nos sentarmos mais baixo ou alto, ou até nos inclinarmos para um dos lados, o sistema de rastreamento ocular permite saber exatamente onde estamos, e ajusta o posicionamento dos instrumentos de forma a que estejam sempre visiveis, mesmo quando o ato de virar o volante possa cobrir parte da informação.

Como se este sistema já não impressionasse, a Porsche adiciona controlo de diversos sistemas, como entretenimento ou climatização através de hologramas, por parte do condutor ou passageiro, recorrendo apenas a gestos sem tocar fisicamente em nenhum comando. Algo digno da ficção científica, dirão alguns, mas são soluções já ao virar da esquina, faltando demonstrar a sua real eficácia no mundo real.

Algumas destas soluções poderão ainda estar um pouco longe da sua implementação, mas, definitivamente, o Mission E dará origem, estima-se que em 2018, a um modelo 100% elétrico. Será para a Porsche, uma estreia absoluta e inédita na marca. Não só a ajudará a cumprir as apertadas futuras normas de emissões, como permitirá à marca apresentar um rival para o impactante Model S da Tesla, e que, consequentemente, ajudará a validar a recente e pequena Tesla como mais uma rival premium.

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