Teste

Renault Clio: o «pequeno» francês de que todos falam

Testámos o novo Renault Clio durante alguns dias para tentar entender o "pequeno" francês de que todos falam.

A data estava marcada na agenda da equipa da Razão Automóvel há já algum tempo e com o aproximar do primeiro dia de ensaios, ainda não estava decidido quem seria o responsável pela árdua tarefa de colocar o Renault Clio no exigente teste de que este seria alvo. O problema não era falta de vontade, era mesmo sabermos que sendo este um novo Renault Clio, estaríamos perante um automóvel verdadeiramente novo. Confusos? Eu explico.

Analisar o “novo Renault Clio” é uma tarefa árdua. Não porque é um carro incompreensível ou ao qual não estamos habituados – o Renault Clio é o francês que todos conhecem, dispensa apresentações – mas porque como é habitual num novo Renault Clio, este é um carro completamente (mesmo completamente!…) diferente do anterior e nesta mudança, a Renault foi radical.

Eu estava marcado como um duvidoso analista, pois fui durante algum tempo feliz ao volante de um Renault Clio Dynamique S 1.5 DCi de 85 cv (2009).

Renault Clio Dynamique S preto usado
Renault Clio Dynamique S preto usado

Carro novo, vida nova

Isto seria bom para fazer uma breve comparação, mas claro, o novo Clio é muito melhor do que o anterior e isso é fácil de perceber, basta colocar um ao lado do outro e ninguém pensa duas vezes sobre qual será o melhor, nem faria sentido lançar um novo modelo que não fosse melhor do que o anterior… mas já aconteceu. «Eu consigo» disse na reunião de preparação, «e espero ignorar os anos ao volante do “velho” Clio e ser frio e duro com este novo, será um teste épico!» acrescentei vitoriosamente, ignorando os olhares sem esperança do Tiago Luís e do Guilherme Costa – o nosso diretor de arte, Vasco Pais, só queria mesmo saber qual o “plano das festas”, porque “épicas” seriam as suas fotos.

À hora marcada dirigi-me ao parque de imprensa da Renault Portugal para iniciar os dias de trabalho. Enquanto avançava para o piso de destino pensava na cor vermelha do novo Renault Clio, aquela que todos conhecemos e admiramos, porque mesmo que “gostos não se discutam”, a apresentação foi arrojada e há uma clara aposta no design – foi uma boa lufada de ar fresco para o “cinzentismo” que se vive no parque dos utilitários e uma ruptura com um modelo anterior envelhecido e banal. O vermelho do Clio fica bem a qualquer um e clubismos à parte, é das cores mais bonitas que podemos escolher para o modelo – o vermelho metalizado especial custa mais 100 euros do que qualquer outra cor.

Primeiro contato

O novo Renault Clio esperava-me estacionado no parque de imprensa da Renault… vermelho? Não, tinha a pintura “branco glaciar” e “jantes design preto” de 16 polegadas… a desilusão não invadiu tanto o meu espírito quanto esperava, talvez por estar ainda hipnotizado pela diferença de tamanho e design em relação ao anterior modelo. Ao nível do design o novo Renault Clio dá 10 a zero aos seus concorrentes, sendo o mais diferente de todos. Espero que não comece aqui o meu “deslumbre”…adiante!

Já dentro do Renault Clio foi impossível não reparar nas milhares de diferenças que me rodeavam. O volante em pele e com aplicações em preto brilhante é muito melhor que o anterior, está mais focado numa condução dinâmica, é mais pequeno e fácil de agarrar – «pronto para as curvas» pensei, ainda sem o conduzir. Há bastante luz a bordo sem diminuir a privacidade – o modelo testado vinha equipado com o pack premium que inclui um tecto em vidro e vidros ligeiramente escurecidos – “respira-se bem” dentro deste novo Renault Clio.

«Pequeno» é coisa do passado mas precisa de ser mais «crescidinho» em alguns pontos

O Renault Clio é um citadino e como qualquer citadino, não é um carro que permita a um adulto esticar as pernas nos bancos traseiros. Mas o novo Renault Clio está maior e isso sente-se por fora e por dentro. Há muitos espaços de arrumação para meter a “tralha” do dia-a-dia, a mala cresceu 12 litros sendo a segunda maior do segmento e o espaço para as pernas nos bancos traseiros é aceitável – dois adultos conseguem viajar “à vontade”.

No entanto, nem tudo são rosas e há aspetos negativos a registar – os bancos são um pouco duros e isso já se sentia na versão anterior do Renault Clio, para além de que nos lugares traseiros a altura é a pior em relação aos seus concorrentes e aqui o conforto sai ainda mais prejudicado. Tudo é compensado pela excelente suspensão que ajuda a disfarçar estes defeitos, mas quanto à altura atrás, só o protagonista de “Querida encolhi os miúdos” é que seria capaz de resolver o problema.

Novo Renault Clio 6
Novo Renault Clio

Já em andamento salientamos a boa insonorização, no entanto, o ruído aerodinâmico em auto-estrada podia ser menor, mas todo o segmento padece deste mal. A qualidade de alguns plásticos também deixa um pouco a desejar e as aplicações em plástico preto brilhante, apesar de vistosas, ficam cheias de marcas de utilização. O Renault Clio, na sua versão de topo como este, merecia um cuidado à medida dos mais de 20 mil euros pedidos pela marca francesa.

Proposta diesel convence

O Renault Clio que testámos tinha debaixo do capot o motor 1.5 dCi de 90 cv. Olhando para os preços dos combustíveis, a opção pelo diesel parece-nos ser a mais racional à primeira vista, no entanto, o preço é superior e motor 0.9 TCE de 90 cv disponível para no Renault Clio promete consumos reduzidos e preço mais em conta.

Relativamente ao motor da versão ensaiada é de destacar que esta proposta diesel de 90 cv leva-nos menos vezes à caixa de velocidades, em relação ao motor 1.5 dCi de 85 cv disponível no velho Renault Clio, os 5 cv a mais um melhor escalonamento da caixa eram o que faltava. O sprint dos 0-100 faz-se em pouco mais de 12 segundos e a velocidade máxima é de 180km/h, números dignos de um utilitário económico. Os consumos durante o ensaio da Razão Automóvel não baixaram dos 5,3 litros em percurso misto, mas a Renault garante que o Renault Clio 1.5 dCi de 90 cv consegue cumprir uma média 4 litros/100 km.

Dinâmica: palavra de ordem

O novo Renault Clio está mais vivo que nunca. As vias mais largas e uma suspensão firme conferem-lhe uma atitude dinâmica que vai além daquilo que sentimos quando agarramos no volante pela primeira vez – não basta parecer, para a marca francesa o novo Renault Clio tinha mesmo de ser dinâmico! Este é um utilitário para quem gosta de emoções fortes e a equipa do Razão Automóvel mal pode esperar pela versão mais vitaminada.

A suspensão é um trunfo – à frente tipo MacPherson, atrás eixo de torção atrás e reforçado com barras estabilizadoras de maior dimensão que evitam o rolamento da carroçaria em curva. O eixo traseiro mais “colado” ao solo e a direção direta convidam à brincadeira nas curvas mais apertadas, tudo isto com bancos dianteiros que têm bons apoios laterais.

Equipamento para “dar e vender”

O equipamento disponível na versão de topo testada por nós (Luxe), é bastante completo e superior aos dos seus concorrentes. Perante as três existentes (Comfort, Dynamique S e Luxe) espera-se que no mercado nacional a versão Dynamique S seja a mais vendida, mas nada melhor do que esta versão Luxe para ver o novo Renault Clio no seu esplendor.

Podemos contar com ar condicionado automático, sistema de navegação multimédia incorporado em ecrã táctil de 7 polegadas com software que pode ser atualizado pelo utilizador, Bluetooth, modo “ECO” com botão de desativação, retrovisores eléctricos rebatíveis, cartão Renault mãos-livres com trancamento das portas por afastamento, sensor de chuva e luminosidade, volante em pele, cruise control e sensor de estacionamento traseiro. O destaque vai para o sistema multimédia – no Renault Clio já não há entrada para CDs, apenas uma entrada USB e outra para Auxiliar (AUX).

Os faróis diurnos com tecnologia LED estão disponíveis em todas as versões e o cruise control, sensores de estacionamento e ecrã táctil de 7 polegadas com navegação disponíveis a partir da versão Dynamique S. O destaque vai também para o cartão de acesso e arranque (para ligar o novo Renault Clio há um botão de arranque, a chave é glória de outros tempos), presente logo na versão de acesso e sistema Start/Stop, igualmente disponível.

Pelas ruas de Lisboa, olhares atentos

O ensaio foi feito em Lisboa e o Renault Clio teve direito a “pisar” as estradas históricas da cidade, mostrou-se corajoso e avançou sem problemas. A Razão Automóvel reclama desde já o título de “primeira publicação automóvel a colocar um Renault Clio no espaço”, as parecenças das ruas da capital portuguesa com o solo lunar, garantiram a passagem do Renault Clio a “estrela”. Sérias brincadeiras à parte, o Renault Clio, é um utilitário vistoso para o qual inúmeras pessoas olharam com curiosidade… ou era isso, ou as nossas figuras a correr de câmara na mão, eram ridículas.

Segurança acima de tudo

Se há coisa de que o novo Renault Clio se pode gabar é de ser um carro seguro. Os sistemas de segurança que encontramos disponíveis para o Renault Clio não são tendência nos utilitários, assumindo-se claramente como maduro neste ponto. Disponíveis na versão base, “Confort”, temos: ABS com sistema de assistência à travagem de urgência, auxílio ao arranque em subida, Controlo Eletrónico de estabilidade (ESP) e airbags para condutor e passageiro (cabeça e tórax). A aposta na segurança valeu ao Renault Clio umas merecidas 5 estrelas no teste EuroNCAP.

Ficha técnica
Renault Clio 1.5 dCi de 90 cv

Preço

unidade ensaiada

20.460

Versão base: €19.800

Classificação Euro NCAP: N/D

  • Motor
    • Arquitectura: 4 cilindros
    • Capacidade: 1461 cm3
    • Potência: 90 cv às 4 000 rpm
    • Binário: 220 NM / 1750 rpm
  • Transmissão
    • Tracção: Dianteira
    • Caixa de velocidades: Manual, 5 Velocidades
  • Capacidade e dimensões
    • Peso: 1071 kg
  • Consumo e Performances
    • Consumo médio: 3,2 lt./ 100 km
    • Vel. máxima: 180 km/h
    • Aceleração: 12,1 segundos
  • Garantias
    • Mecânica: 5 anos ou 150 mil quilómetros
Extras
Jantes 16” em preto: 90 euros Pack Premium: 500 euros Pneus: 70 euros
Avaliação
O novo Renault Clio está mais crescido e melhor do que nunca. É certo que os defeitos que existem podem pesar na hora de escolher qual utilitário comprar, mas o Renault Clio continua ser uma aposta de referência no seu segmento e um verdadeiro líder - o modelo foi galardoado pela segunda vez com o prémio Volante de Ouro e afirma-se assim como uma proposta a ter em conta. Aqui na Razão Automóvel esperamos pelas versões mais vitaminadas, que prometem levar ao extremo a dinâmica e carroçaria do novo Renault Clio. Renovado e cheio de carisma, continua a ser o francês de que todos falam... «pequeno» é que já não é adjetivo que se possa usar para o descrever.

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