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Notícias Elétricos, China e liderança política. Carlos Tavares preocupado com a Europa

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Elétricos, China e liderança política. Carlos Tavares preocupado com a Europa

Carlos Tavares, CEO da Stellantis, afirma que há uma "falta de liderança política de qualidade" na União Europeia.

Carlos Tavares em Mangualde
© Stellantis

Carlos Tavares, o CEO da Stellantis, acabou de celebrar a produção em série de veículos elétricos na fábrica de Mangualde, no entanto isso não o impede de ver o cenário sombrio que se regista na Europa neste momento.

A transição para veículos elétricos já viu melhores dias; a ofensiva das marcas chinesas no mercado europeu é uma ameaça; e Tavares está preocupado com a falta de liderança política na União Europeia (UE) para navegar nestes tempos incertos.

Foi neste contexto que o CEO da Stellantis declarou, numa sessão de perguntas e respostas à margem do evento em Mangualde, estar “muitíssimo preocupado com o mundo ocidental e com a Europa, que está num vácuo de liderança política que é um grande perigo, com risco de uma terceira guerra mundial.”

Carlos Tavares, diretor executivo da Stellantis
Carlos Tavares, CEO da Stellantis, durante a cerimónia de entrega em Mangualde de 719 veículos elétricos para o SNS.

Motores a combustão até 2040?

Recorde que até há pouco tempo parecia certo a «abolição» dos motores de combustão já a partir de 2035, mas à luz dos últimos acontecimentos poderá não ser bem assim.

Até as metas estabelecidas para 2030 pela UE — redução das emissões de CO2 em 55% — parecem estar em causa, pois parecem nascer todos os dias fatores que as colocam em causa.

De acordo com Tavares, adiar o problema da proibição de carros a combustão em cinco anos — de 2035 para 2040 —, não resolve o problema real.

Segundo o mesmo, “em vez de proibirem os veículos a combustão, vão dizer que só podemos vender 20% de carros a combustão. Ou seja, 80% são elétricos”.

Isto cria, segundo Carlos Tavares, uma falsa sensação de estabilidade, “dando a impressão de que está tudo a respirar mais. Quando na verdade, o problema se mantém: os chineses continuam a tentar vender os carros deles a um preço muito mais acessível.”

“Está aqui uma fachada política que pode atenuar a pressão, sem realmente modificar a natureza do que está a acontecer.”

Carlos Tavares, CEO da Stellantis

Europa instável

No entanto, não é só o potencial «empurrão» dos prazos estabelecidos que preocupa Carlos Tavares, mas também a “falta de uma liderança política de qualidade”.

A instabilidade europeia que se tem feito sentir “não modifica o problema do aquecimento global, porém atrasa as suas soluções: “na maneira como vamos investir, se vamos investir, e em que data vamos investir (no desenvolvimento de baterias)”.

Tavares acusa a UE de continuar a tomar decisões na “via do emocional”, ao invés de na “via do racional”, como já aconteceu anteriormente com o escândalo Dieselgate.

Em causa está o agravamento das taxas de importação aos automóveis elétricos produzidos na China.

“Está mais do que óbvio que foi um erro, e que aplicar as proteções aduaneiras é uma tentativa de corrigir o erro que não é perfeita, que não é estratégica e que vai ter outras consequências que vão ser as retaliações.”

Carlos Tavares, CEO da Stellantis

Apesar da China se ter mostrado disposta a negociar estas taxas, a realidade é que o país já ameaçou responder de igual forma, com tarifas retaliatórias que vão desde o aumento das tarifas de importação sobre os carros europeus com motores a gasolina a penalizações nas exportações da UE no setor alimentar.

Segundo Tavares, “as taxas aduaneiras estão a criar mais uma linha de fratura dentro da Europa”, uma vez que são vários os países que se opõem a estas e que vão tentar combatê-las, nomeadamente a Alemanha.

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