É possível escapar? Já se roubam catalisadores em plena «luz do dia»

Estamos a guardar energia para o que mais importa.

Criminalidade

É possível escapar? Já se roubam catalisadores em plena «luz do dia»

O roubo de catalisadores continua a aumentar, assume a Polícia de Segurança Pública, mas a resposta já "está no terreno". Viaturas entre 1998 e 2001 são as mais visadas.

Os catalisadores continuam a ser o principal componente «na mira» dos ladrões de automóveis. Uma criminalidade que está a aumentar motivada pelo aumento do preço das matérias primas.

Produzidos com recurso a metais raros como o ródio, o paládio e a platina — entre outros — os catalisadores são uma forma “fácil” de obter estas matérias. Dados da Guarda Nacional Republicana fornecidos à Razão Automóvel, revelam um crescimento alarmante deste crime em 2021: mais de 2600% de janeiro a maio deste ano, face ao período homólogo de 2020.

Agora a Razão Automóvel teve acesso a dados mais recentes, fornecidos pela Polícia de Segurança Pública (PSP), para compreender como tem evoluído este tipo de criminalidade.

A NÃO PERDER: Das jantes aos catalisadores. É assim que estão a roubar carros em Portugal

Um problema crescente

Contactada pela Razão Automóvel, a PSP confirmou aquilo que já sabíamos: o número de casos reportados de roubo de catalisadores está a aumentar brutalmente comparativamente a 2021.

Roubo catalisadores janeiro agosto
Os números dos furtos de catalisadores registados pela PSP em 2020 e nos primeiros 8 meses de 2021 (barras a vermelho). O crescimento é inegável.

Não é só a ocorrência dos roubos que está a aumentar. esta força de segurança revelou que os ladrões estão cada vez mais destemidos. Até há uns tempos o roubo de catalisadores ocorria, maioritariamente, de noite e em locais pouco movimentados. Mas já não é assim:

Segundo a PSP, em declarações à Razão Automóvel, têm sido registados furtos de catalisadores em veículos estacionados em locais movimentados e em plena luz do dia.

A NÃO PERDER: Detetores de radares de velocidade. Legais ou ilegais?

Os números não mentem. Durante o ano de 2020 foram registadas pela PSP 839 denúncias de roubo de catalisadores, em 2021 os números “dispararam”. Apenas nos primeiros oito meses do ano (até agosto de 2021), o total de denúncias relativas ao furto de catalisadores ascendeu a 3206, praticamente quatro vezes mais e ainda a quatro meses do final do ano.

A resposta das autoridades

Para responder ao aumento do furto de catalisadores e de outros componentes, a PSP criou a SRICA: Equipas Regionais de Investigação à Criminalidade Automóvel. Estas equipas têm como missão estudar, antecipar e combater esta criminalidade.

Desde que foi criada, a SCRICA já referenciou 449 suspeitos.

Para acabar com os roubos de catalisadores, não basta combater o furto, mas toda criminalidade organizada que «alimenta» este fenómeno: os recetores destes componentes, os revendedores e até quem se dedica a «dissimular» a proveniência dos lucros (branqueamento de capitais).

 

 

Em junho deste ano a eficácia das operações da SRICA ficou bem patente. Numa operação nos distritos do Porto, Coimbra, Leiria e Santarém foram detidas sete pessoas e recuperados mais de 500 catalisadores e 805 kg de componentes, num valor global superior a 100 000 euros.

LEIAM TAMBÉM: Afinal que selos são obrigatórios no vidro do carro?

A juntar a tudo isto, tendo em conta que o roubo de catalisadores também tem um impacto ambiental — seja pela recolha dos componentes de forma ilegal, sem cumprir normas de segurança ambiental, ou pelo facto de os automóveis não poderem circular sem este componente — a PSP intensificou a partilha de informação com a Agência Portuguesa do Ambiente.

Os alvos

De acordo com a PSP, uma parte significativa dos furtos registados ocorreram na área metropolitana de Lisboa. Contudo, esta força de segurança ressalvou — tal como já havia feito a GNR em declarações à Razão Automóvel — que este é um fenómeno que se verifica de «norte a sul» do país.

Tal deve-se, segundo a PSP, à grande capacidade de mobilidade dos grupos criminosos.

Quanto aos modelos mais visados, apesar de a PSP não nos ter revelado uma marca e modelo específicos, avançou com uma estatística que merece especial atenção:

Segundo a PSP, há uma particular propensão para o furto de catalisadores de automóveis registados entre 1998 e 2001.

O que fazer?

É possível evitar o roubo do catalisador dos nossos automóveis? Há algumas dicas que podem dificultar a «missão» dos amigos do alheio.

Estes são os conselhos da PSP:

  1. Os cidadãos que sejam alvo deste crime, mesmo que seja apenas uma mera tentativa, deverão sempre apresentar queixa na PSP, pois assim inicia-se de imediato a investigação;
  2. Deve-se evitar estacionar metade no passeio e metade na estrada, pois isso pode tornar o furto do catalisador mais fácil (deixa de ser necessário elevar o carro com o macaco);
  3. Caso se detete alguma pessoa debaixo de uma viatura, deve-se chamar de imediato a PSP. Ao mesmo tempo deve-se recolher o máximo de informações possível como, por exemplo, a matrícula de algum carro envolvido;
  4. Entre os indícios do furto de catalisadores encontram-se: viaturas levantadas no estacionamento com o macaco; e/ou som de perfuração ou corte enquanto uma pessoa se encontra deitada debaixo do carro;
  5. Por fim, para combater este tipo de furtos, é também importante que não se recorra ao mercado paralelo para adquirir catalisadores.

Sabe responder a esta?
Em que ano foi lançado o Opel Calibra?
Não acertou..

Mas pode descobrir a resposta aqui::

Opel Calibra. O coupé esculpido pelo vento
Em cheio!!
Vá para a próxima pergunta

ou leia o artigo sobre este tema:

Opel Calibra. O coupé esculpido pelo vento

Mais artigos em Notícias